João Videira

João Videira

Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Escritor João Paulo Videira mora hoje em Maputo, na África, Filho de pais portugueses, nasceu em outubro de 1967 na localidade de Gabela, Angola, onde viveu até 1975, altura em que se mudou para Coimbra, Portugal, terra natal de seu pai. Formou-se em Línguas e Literaturas Clássicas e Portuguesa pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra em 1990 e viria a defender a tese de mestrado na mesma faculdade em 2006 com o título de "Escrita Intimista e Discurso do Eu: Perfil Autobiográfico de Manuel Laranjeira" Casou em 1988 e desde 1990 que é professor de Língua Portuguesa no ensino básico e secundário.

Em entrevista ao projeto Divulga escritor, João Videira compartilha conosco um pouco da sua trajetória literária e de vida, desvendando um pouco dos encantos da  Cultura Africana que tanto o inspira, desejamos a todos uma Boa Leitura!

“A diversidade cultural, étnica e religiosa. O pensamento livre. A possibilidade de realização. E, claro, o sonho. Em África ainda é possível sonhar e perseguir um sonho. Há uma força que brota vida e alegria e nos contagia.”

Boa Leitura!

 

SMC - Prezado escritor João Videira para nós é um prazer ter você conosco no projeto Divulga Escritor, conte-nos em que momento/de que forma a África tornou-se um ponto forte de inspiração para sua escrita?

JOÃO VIDEIRA - Antes de mais, obrigado pelo convite para esta entrevista. África esteve sempre presente em mim. Sou angolano e essa é uma marca cultural forte na minha vida. Na escrita, penso que surgiu em dois momentos diferentes. Primeiro na série de crónicas que dão nome ao meu blogue: Mails para a minha Irmã. Essas crónicas refletem a África cristalizada na memória do menino que veio a ser homem. Depois, no romance "De Negro Vestida" irromperam personagens que viveram aventuras africanas. Por fim, com a minha vinda para Moçambique, as "Crónicas de África" irromperam o ano passado na minha escrita e em somente 10 meses produzi cerca de 70 textos.

 

SMC - O que mais te atrai nesta cultura tão rica que é a cultura Africana?

JOÃO VIDEIRA - A diversidade cultural, étnica e religiosa. O pensamento livre. A possibilidade de realização. E, claro, o sonho. Em África ainda é possível sonhar e perseguir um sonho. Há uma força que brota vida e alegria e nos contagia.

 

SMC - Qual o público que você pretende atingir com o seu trabalho? Que mensagem você quer transmitir para as pessoas? 

JOÃO VIDEIRA - Todas as pessoas que gostem de três coisas: ler, pessoas e relacionamentos. O meu público são as almas sensíveis, capazes de amar e de se comoverem, as almas que olham para a vida e veem o milagre que ela é e se interessam por ela, as almas capazes de amar. Não se trata de transmitir uma mensagem. Trata-se de contar histórias, de procurar revelar os caminhos da mente humana, das relações entre as pessoas. Se houver uma mensagem a transmitir que seja a do livre arbítrio e a da coragem e do amor...

 

SMC - De que forma você, hoje, divulga o seu trabalho?

JOÃO VIDEIRA - Exclusivamente no meu blogue, Mails para a minha Irmã, onde publico tudo o que escrevo e no Facebook onde divulgo o que escrevo.

 

SMC - Fale-nos sobre seu livro “ A Paixão de Madalena” que mensagem você quer levar ao leitor através deste livro?

 JOÃO VIDEIRA - Paixão tem diversos significados. Dois deles são muito fortes e sintetizam o que pretendo com a obra: sofrer e amar. Eu penso que temos de ter capacidade de sofrimento uma vez que o sofrimento a ajuda a moldar carateres fortes, que resistem à adversidade e à frustração. Mas, esse estoicismo, de nada serviria se não o temperássemos com amor. O Amor é o único caminho para a redenção do Homem. Não sendo um livro religioso, é um livro que coloca a personagem central, uma Madalena dos nossos dias, a par e passo com o percurso de Cristo e, nessa medida, uma mulher que há de triunfar na vida, conquistando a tranquilidade, pela sua capacidade de suportar o sofrimento e abraçar o amor.

 

SMC - Você hoje tem 3 romances escritos: "Estórias ao Acaso - Noite Fria", "De Negro Vestida", "Com Amor,". De forma resumida o que diferencia uns dos outros?

JOÃO VIDEIRA -  "Estórias ao Acaso - Noite Fria" é uma novela que nos mostra destinos diversos que acabam por cruzar-se. Não tem uma personagem central. Vive de cruzamentos. "De Negro Vestida" é um romance que assenta nas peripécias de uma protagonista feminina. Todo o Romance gira em torno dessa mulher, Maria de Lurdes. Primeiro casada, depois divorciada, depois agnóstica dos homens e depois caçadora deles através de um plano intrincado que haveria de surpreendê-la. "Com Amor," é diferente na sua conceção. É um romance sem narrador nem narrativa. São 102 cartas e e-mails trocados entre pessoas. À medida que vai lendo os documentos, aparentemente desligados uns dos outros, é o leitor quem reconstroi uma trama amorosa repleta de personagens e peripécias sentimentais.

 

       SMC - Escritor João Videira, onde podemos comprar os seus livros?

JOÃO VIDEIRA - Não podem. Os meus romances foram publicados, capítulo a capítulo, no meu blogue, tiveram um significativo público de seguidores, mas nunca foram publicados em livro/papel. Infelizmente.

 

SMC - Que dificuldades você encontra para a publicação de livros?  O que você acredita que deve ser feito para amenizar estas dificuldades?

JOÃO VIDEIRA - A maior dificuldade é encontrar alguém que aposte num escritor desconhecido. Ser um bom escritor (e nem estou a cometer a imodéstia de dizer que sou) não ajuda nada. Hoje em dia se você for treinador de futebol, estrela do Big Brother, apresentador de jornal das oito, criminoso, político ou qualquer outra condição que lhe dê visibilidade, publica mais facilmente do que um bom escritor. O que deveria ser feito era ler com atenção os novos escritores e apostar na sua publicação.

 

SMC - Quais os seus principais objetivos como escritor? Conte-nos quais são seus próximos projetos literários?

 JOÃO VIDEIRA - O grande objetivo é publicar os meus romances e um livro de poesias escolhidas. Quanto a projetos, para já estou a escrever e a publicar "A Paixão de Madalena". Depois segue-se um romance histórico para o qual já estou a fazer alguma investigação.

 

SMC - Que diferenças você cita entre a cultura do mercado literário de Portugal e o da África?

 JOÃO VIDEIRA - O mercado português está mais organizado, é mais competitivo, mas, paradoxalmente (ou não),  tem menos horizontes, menos margem de progressão. Em África, penso que há mais possibilidades de traçar um plano de publicação e conseguir executá-lo. Contudo, seja em África, seja em Portugal, à dificuldade da publicação acresce a da distribuição. Esse é um ponto em comum.

 

SMC - Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista, agradecemos sua participação, muito bom conhecer melhor o Escritor João Videira, que mensagem você deixa para nossos leitores?

JOÃO VIDEIRA - Que vejam em cada livro uma oportunidade, uma janela para libertar a imaginação, um poderoso veículo de informação cultural e, consequentemente, que leiam e tenham prazer na leitura de cada página, cada frase, cada palavra.

Muito agradecido pela oportunidade de poder expressar alguns pontos de vista através da sua entrevista.

 

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