Jorge Manuel Ramos - Entrevistado

Jorge Manuel Ramos - Entrevistado

Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

 

Jorge Manuel Ramos nasceu em Seia, na Serra da Estrela, Portugal. Os seus primeiros registos escritos remontam ao ano de 1983, mas só veio a editar pela primeira vez em Outubro de 2014, «As Palavras e a Vida» (Poesiafãclub), e seguidamente, em 2015, «Devaneando» (Artelogy).

Escreve, é músico amador, atualmente trabalha no sector têxtil e é animador de programas recreativos e desportivos de Rádio.

Participou também em várias antologias. As mais recentes foram: «Obsessões» da Lua de Marfim; «Vendaval de Emoções» (poesia), «A Bíblia dos Pecadores», «O Beijo do Vampiro» e «Saloios & Caipiras» da Colecção Sui Generis, pela Editora EuEdito.

“A vida não tem de ser propriamente uma utopia, porém, só quem sonha pode um dia ver o sonho tornar-se realidade.’

 

                  Boa Leitura!

 

Escritor Jorge Manuel Ramos, é um prazer contarmos com a sua participação na Revista Divulga Escritor. Em que momento se sentiu preparado para publicar o seu primeiro livro a solo?

Jorge Manuel - Eu é que tenho de agradecer esta oportunidade, e o prazer é meu, não é todos os dias que estas oportunidades surgem aos autores. Escrevi muito na adolescência, depois interrompi por longos anos esse gosto pela escrita devido à atribulada vida profissional e a projetos para os quais era convidado a participar: rádio, jornais desportivos regionais e instituições de solidariedade social e desportivas. Anos mais tarde, reencontrei as sebentas com muitos poemas que tinha escrito, e ao revê-los gostei do que li. Ao refazê-los, outras ideias iam surgindo. Comecei a partilhar nas redes sociais e gostei da reação que causaram. Em 2014, surgiu a oportunidade de editar, e não hesitei.

 

Conte-nos um pouco mais sobre esta obra literária.

Jorge Manuel - «As Palavras e a Vida» é um livro em que a tristeza e a desilusão caminham a par com a paixão, o amor e a amizade. São estes os principais ingredientes, de uma mensagem simples que se passeia pela vida do autor e que convida quem lê a identificar-se com cada poema, por forma a criar uma intensa interação entre quem lê e quem escreve. Por sua vez, «Devaneando» contém uma mensagem mais interventiva e figadal, é um livro mais à imagem dos tempos de crise que vivemos, mas principalmente é a minha dúvida entre o ser ou não ser poeta, é a revolta do meu eu, caminhando ao encontro de uma nova identidade, sempre duvidando e perguntando, até obter respostas concretas.

 

O que diferencia «As Palavras e a Vida» do seu livro «Devaneando»?

Jorge Manuel - São dois livros completamente distintos, tanto no conteúdo como na forma. O primeiro é um livro em papel e com capa dura e «Devaneando» é um livro objeto, uma outra forma de editar poesia, num frasco com 8 ml de palavras, com vinte pequenos poemas, imitando pequenos papiros que o leitor vai retirando do frasco, lendo e saboreando em pequenas doses, que o conduzem à paz interior e ao sonho que tão impregnado anda na sociedade e que, quanto a mim, faz bem à alma. A vida não tem de ser propriamente uma utopia, porém, só quem sonha pode um dia ver o sonho tornar-se realidade. Os sonhos que valem são os que se concretizam, depois é vivê-los para que a vida tenha sentido. Por isso, posso afirmar que o primeiro livro é o sonho concretizado e o segundo é a realidade global em que vivemos.

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Qual é o tipo de textos poéticos que estão sendo apresentados em «Devaneando»?

Jorge Manuel - Normalmente, quando escrevo, não me preocupo muito com o tipo e com a forma, raramente altero substancialmente a primeira ideia, a minha escrita é muito espontânea, vem da alma e daquela razão que vem do meu eu, mas quando ela se transforma em livro há uma certa responsabilidade; por isso, em «Devaneando» a poesia aparece mais frequentemente em sonetos, sonetilhos, quadras e algumas quintilhas, sextilhas e sétimas. Tento sempre que a rima seja rica, seja ela emparelhada, cruzada ou interpolada. Preocupa-me que cada verso tenha sonoridade e musicalidade e que estrofe a estrofe o poema ganhe sentido e caia no ouvido de quem lê. É essa a imagem que quero manter enquanto autor.  

 

Que temas são abordados em seus textos?

Jorge Manuel - A dúvida de me afirmar como poeta está patente, escrevo com frequência mas não me considero ainda escritor nem poeta. Não é falsa modéstia, nem acho um desprimor ser apelidado de poeta, mas é para não afligir os poetas mortos, aqueles que as grandes elites editoriais só aceitam como tal. Até porque, para alguns, o poeta ainda é um louco, um alucinado que escreve indefinidamente sobre tudo, e que, quando vai fundo nos problemas da sociedade, aflige as instituições políticas e religiosas, afronta o ego e as ideias pré-estabelecidas, porque vai vagabundeando por temas que são ainda tabus, e nisso sou como os outros: abordando a pobreza, a xenofobia, o racismo, as crises sociopolíticas, os preconceitos morais e intelectuais que ferem o ouvido dos poderosos e, claro, a desilusão, o amor, a pureza e a esperança, um pouco de sonho. Perde-se tanto tempo a escrever sobre a utopia que pomos de lado os problemas reais.

 

O que mais o encanta nos textos poéticos?

Jorge Manuel - A beleza da escrita, a subtileza na escolha da palavra certa para rimar, a musicalidade do texto e a mensagem quase sempre codificada que alberga um poema são o meu fascínio pela poesia, e é isto que me encanta, quer o texto se apresente pelos métodos tradicionais ou livres. Encanta-me essa subjetividade da linguagem associada à figura de estilo em combinações surpreendentes ao nível dos ritmos e dos sons, agrada-me imaginar os vários significados que quem lê pode atribuir à mensagem, porque a poesia é isto, é uma mensagem codificada que só um leitor atento e prazeroso pela poesia sabe descodificar.

 

Onde podemos comprar os seus livros?

Jorge Manuel - Ambos os livros estão ainda à venda na livraria da Corpos Editora, na baixa da cidade do Porto (em Portugal), e podem ser encomendados nas livrarias Porto Editora, Bertrand e Almedina, em Portugal.

«As Palavras e a Vida» está disponível em papel (com capa dura) e ebook na livraria online da editora, através do link que se segue:

https://facestore.pt/facebook/index.php/store/fdetails/product?app_data=%7B%22face_id%22%3A%22533998393279224%22%2C%22prod_id%22%3A%22237%22%2C%22store_id%22%3A%22393%22%7D

E o mesmo se passa com o livro objeto «Devaneando»:

http://www.artelogy.com/store/jorge-manuel-ramos-devaneando

Ambos os livros, se comprados através da livraria online, podem também ser adquiridos fora de Portugal. O leitor tem apenas de verificar, aquando da compra, o preço dos portes de envio.

 

Além de poesia, que tipo de textos gosta de ler?

Jorge Manuel - Sou um devorador de todo o tipo de leitura, quem escreve tem de ler muito, no sentido de estar informado, mas, por vezes, o tempo escasseia. Ainda na juventude e enquanto estudante, para fugir à leitura que me metiam pelos olhos adentro, daqueles autores que vêm nos compêndios escolares, e desculpem-me... deveras maçadores, li «Os Miseráveis» de Vítor Hugo e esse livro marcou-me, mas gosto do controverso, sou fã de José Saramago e Dan Brown, destes dois li tudo. Depois, «Cem Anos de Solidão» de Gabriel Garcia Marquez, e o ainda mais controverso Henry Miller, com os «Trópicos», ou Vladimir Nabokov, com «Lolita». Recentemente, tenho-me deliciado lendo novos autores, mormente os que participam nas antologias onde também vou participando.

 

O que mais o encanta na leitura deste tipo de textos?

Jorge Manuel - A vivência e a imaginação dos argumentos, e comparar as histórias, cada uma no seu tempo e espaço, aperceber-me que os problemas da sociedade de ontem prolongam-se no tempo, muitos sem resolução, agrada-me verificar que o que antigamente era normal, por exemplo a violência doméstica e o incesto, ou o assédio sexual de menores, hoje felizmente é crime. Gostos de livros sem tabus e que violem os preconceitos da sociedade. Mas gosto principalmente de entrar na ficção, para fugir um pouco da realidade e me abstrair um pouco dos flagelos da sociedade dos nossos dias.

 

Tem algum novo livro para editar brevemente?

Jorge Manuel - Quem escreve diariamente tem sempre algo que possa compilar, para apresentar em livro. Prometi a mim mesmo que editaria um livro de poesia por ano, e quero fazê-lo, principalmente agora que me acho mais preparado para me assumir, definitivamente, como poeta. Em prosa, tenho um diário romanceado na gaveta há cerca de dois anos que pretendo editar. Estou a aguardar o momento certo. Talvez no início do próximo ano o livro se transforme em realidade.

 

Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor o escritor Jorge Manuel Ramos. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Conte-nos: em sua opinião, o que cada leitor pode fazer para ajudar a vencermos os desafios encontrados no mercado literário português?

Jorge Manuel - O leitor é o alvo de quem escreve. “Um livro para ser bom ou mau tem de ser lido”. O mercado literário, como qualquer outro, tem os seus vícios, os seus males, e os críticos e os canais de distribuição vão alimentando esses mesmos vícios. Quem escreve tem que estar à altura de satisfazer o desejo e o gosto de quem lê, porque quem escreveu um ou dois bons livros, não quer dizer que o faça sempre... é como um grande jogador de futebol: se não está em forma não brilha, é criticado e esquecido. Os novos autores estão por aí, na internet, nalgumas pequenas livrarias, com edições de autor, através das livrarias online, com edições das novas editoras com ideias inovadoras, por isso, o leitor tem hoje mais opções para adquirir livros. Faça listas, crie prioridades, escolha bem o que vai ler, não se deixe impressionar pela montra de uma grande livraria, por alguma razão há grandes autores que não estão a vender tanto como vendiam. É por aqui que deve começar o desafio de o leitor ir ao encontro dos novos autores.

 

 

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