Karem Schumacher - Entrevistada

Karem Schumacher - Entrevistada

Por Giuliano de Méroe

 

Karem Schumacher Lacerda, nascida em Osasco, São Paulo

Lançando seu primeiro livro.

Técnica em vestuário formada, resolvi me lançar somente ao meu maior desejo, escrever.

Sempre vivi envolvida com o cenário musical marcante dos anos noventa e resolve lançar um livro onde expõe suas preferências, rendendo homenagens em forma de ficção aos seus ídolos, uma pequena forma de agradecimento que se expressa em meu livro.

Me arrisco na tentativa de mostrar um lado obscuro e marginalizado das subculturas, onde o homossexualismo e o uso de drogas são fatos reais que devem ser discutidos, mesmo que possam ser abordados em uma ficção, é uma maneira de começar a abrir o leque de possibilidades e aceitação.

Minha preferência de escrita é sempre abordar temas que em geral são pouco escolhidos, até rejeitados. Tento mostrar um outro lado, colocar humanidade e cotidiano nos textos.

 

“... que precisamos sempre ter em mente que existem diversas formas de amor e de eleza, que os padrões estabelecidos por nossa sociedade engessada não é necessariamente o correto para todos, e que o amor prevalece em vários aspectos.”

 

Boa Leitura!

 

Divulga Escritor - Escritora Karem Schumacher, é um prazer contarmos com a sua participação no projeto Divulga Escritor. Conte-nos sobre como o cenário musical dos anos 90, se relaciona com seu talento de escritora?

Karem Schumacher - Bem, o cenário musical dos anos 90 foi o estopim para que eu finalmente criasse a disposição necessária para lançar meu primeiro livro. Vivi e acompanhei intensamente essa preciosa década musical, toda minha inspiração e motivação vem do poder musical dessa geração, o peso e a dor que foram expostas em letras e comportamentos, coisas que eu mesma vivi, o encontro da minha capacidade de externar os mais sombrios sentimentos que carreguei ao longo da vida, e encontrar uma válvula para mostrar de forma não prejudicial a mim mesma todos os tormentos que vivi na época, o cenário é parte de mim, não posso escrever sobre coisas que não vivi. Os anos 90 foram os mais dolorosos e importantes anos da minha vida.

 

Divulga Escritor - Houve algum acontecimento na década de 90, em específico, que mais lhe trouxe forças e convicção para exprimir seus pensamentos sobre esses temas?

Karem Schumacher - Sim, por mais que vivêssemos em outro país, minha geração, ou mais especificamente, meu grupo social vivia de forma pesada e semelhante, as músicas quando chegaram para nós apenas nos representaram de forma única como nenhum outro estilo musical.

Eu viva anos perigosos e obscuros, quase mortais, me degradando sim a cada dia, o peso de tudo aquilo era demais para ser suportado. Pude através das bandas que amo seguir em frente, não queria o mesmo fim de meus cantores preferidos, apesar de viver de forma muito semelhante, não por influência do cenário, já vivia o peso de tudo antes mesmo das bandas, apenas criei uma ligação eterna em me enxergar dentro do contexto social da época.

 

Divulga Escritor - O Homossexualismo e o uso das drogas, temas de seu livro, estavam atrelados aos debates as tendências dos anos 90?

Karem Schumacher - Esses temas só começaram a ser realmente abordados e discutidos nessa década, a rebeldia e agressividade da geração forçaram as discussões, as exposições de músicos e artistas relacionados, iniciaram sim a abertura para que os temas fossem expostos. Me lembro bem que antes dessa explosão de rebeldia temas de drogas e homossexualismo eram escondidos se possível evitados, dar a cara a tapa na época era prejudicial para todo o convívio social e familiar, ser vista como eu era, um tipo de pária social, por conviver com grupos homossexuais, apesar de não o ser, conviver com grupos marginalizados. Sempre tive problemas em família,   conviver em meios sociais pouco ortodoxos vamos dizer assim, sempre fui considerada desajustada por lidar com assuntos que ninguém queria discutir.

 

Divulga Escritor - Qual era o principal interesse do grupo religioso em que os personagens se envolveram? Conte-nos de forma geral.

Karem Schumacher - O principal interesse do grupo é a manipulação, fiz um paralelo com o que vemos nos dias de hoje e sempre, a manipulação da massa, como forma de controle e dominação, manter uma cidade ou que seja uma sociedade dopada, alienada em meio ao medo e o terror sempre foram formas de manipulação utilizados, desde o princípios da criação das sociedades, o medo, o desespero e a violência são formas de manter a população pacata sem forças para reagir e lutar por direitos e igualdades, é isso o que o grupo tenta fazer na cidade de Seattle, eles por um tempo mantém a cidade afundada em medo e fraqueza, até que meu pequeno grupo de mocinhos desajustados começa o enfrentamento para eliminar essa forma de domínio.

 

Divulga Escritor - Quanto a esses jovens que se tornaram contrários às tendências desse grupo, pergunto: Suas motivações e ideologias são semelhantes em natureza a grupos que representaram a contracultura, como os punks, hippies e movimento anarquista?

Karem Schumacher - Exatamente, escolhi um tipo de pessoas marginalizadas, para tentar mostrar que o que em geral,  considerado errado, tem em si uma essência de luta, de   humanidade, tentei mostrar que essas pessoas são humanas, que amam e sofrem e desejam a felicidade como todos os grupos sociais aceitavelmente ajustados aos padrões. Quis mostrar que o uso de drogas é uma via sem volta na maioria das vezes, mas que isso não torna as pessoas más ou criminosas no geral. O uso de drogas leva à tragédia pessoal, ao contrário do que se diz, que as pessoas se tornam monstros [violentos, não é o caso na realidade, a ignorância e o caráter de cada um faz a monstruosidade e a violência. Meus personagens mostram claramente as diferenças comportamentais entre o caráter dos mesmos.

 

Divulga Escritor - Gostaríamos de saber... a loucura também é abordada em sua obra? De que forma?

Karem Schumacher - A loucura é abordada de sempre, o tema principal que me move sempre é a loucura, o desespero de amar e ser amado, que leva à loucura, o desejo de poder extremo que nos lança no precipício da loucura, de matar e morrer, a loucura das drogas que arrastam e aniquilam, e a principal, a loucura de tentar ser normal e ser ajustado, ajustado à loucura de não ser nada, de pertencer a uma massa amorfa sem vontade própria.

 

Divulga Escritor - Como sua obra “Me deixe morrer em Seattle" foi organizada?

Karem Schumacher -  Costumo dizer que essa obra não foi organizada, ela estava dentro de mim há muito tempo pronta esperando para ser colocada no papel, o processo de criação dela foi muito simples e inspirador, não precisei criar métodos ou padrões para escrever. Procurei apenas organizar de forma lúcida a sequência da narrativa para que a loucura dos personagens não ultrapassasse os limites das páginas.

 

Divulga Escritor - Como você avalia a literatura no Brasil?

Karem Schumacher -  De uma maneira geral, a literatura no Brasil vem ganhando força, mas estamos ainda muito atrás dos países europeus ou da América do Norte, o trabalho de um escritor aqui é quase inglório, a falta de acesso e apoio à divulgação das obras é um fator muito pesado, não temos uma força de liderança no setor, não existe um incentivo governamental de promoção à leitura, oficinas de criação literária, isso tudo ainda é um pequeno grão de areia no Brasil.

 

Divulga Escritor - Onde podemos comprar o seu livro?

Karem Schumacher - Está sendo vendido pela Editora Biblioteca 24 Horas.

http://189.111.238.146/cont/login/index.jsp?redir=Ts0V1t4vqH0V6wY383_TACAF9ooIA3X_hIoB_ipCkRAxhJpxghoZEFBypJpZrFByJ4CioihQpnqvHE_0eSoh8kxB1&rnd=8615916912155432

 

Divulga Escritor - Como escritora, tem alguma sugestão para melhoraria da educação literária no Brasil?

Karem Schumacher -   Minha sugestão e de que nós autores possamos receber incentivos do governo para ministrar oficinas literárias em lugares onde o déficit de cultura seja grande, o que pode ser feito em praticamente todo o país, tenho um projeto de trabalho para criar oficinas de escrita criativa, facilitar o acesso à compra e aquisição de livros pelos jovens, pra que as crianças cresçam com o amor aos livros como eu cresci. Estou criando um projeto de trabalho nesse sentido, espero conseguir o apoio que preciso de nossos setores culturais.

 

Divulga Escritor - Estamos chegando ao fim da entrevista. Agradecemos sua participação no projeto Divulga Escritor. Estamos felizes em conhecer o estilo literário da escritora Karem Schumacher. Qual mensagem você gostaria de transmitir aos nossos leitores?

Karem Schumacher -  A mensagem que sempre tento transmitir é a de que o estranho não é necessariamente ruim, que precisamos sempre ter em mente que existem diversas formas de amor e de beleza, que os padrões estabelecidos por nossa sociedade engessada não é necessariamente o correto para todos, e que o amor prevalece em vários aspectos.

 

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