Lampejos de um Artista - por Wilson Rodrigues Sylvah

Lampejos de um Artista - por Wilson Rodrigues Sylvah

“Lampejos de um Artista”

 

A tela ainda virgem, postada sobre o cavalete, preparada desde a noite anterior aguardava paciente… esfoliada apenas pelos ventos, ora suaves, ora valentes, os rabiscos e suas pinceladas multicores e sem compromissos com a perfeição naquele inconstante, perfeito e inspirador ambiente.

Enquanto o vento pertinente e irrequieto, cambaleante, traz consigo a refrescante brisa, despertando alegre sob os olhares da claridade ofuscada, nada mais, nada menos, diante da gigante iluminada lua cheia, que já mergulhada num infinito azul, ia consumindo seu corpo esférico, solitária se despedia de sua missão de amenizar os efeitos da escura noite, desenhada e pintada com os dedos do divino.

Na figura de uma forte mão, um leve frescor do vento estende e convida a leve poeira, que sem esforço se esfacelava da branca e fina areia, desalojadas do solo umedecido, que sem pestanejo, aceita o convite e brinca de ciranda cirandinha, circulando por toda a praia, tais quais meninos e meninas, chamando as espumas traquinas, produzidas pela viagem final das águas salgadas que arrebentavam no mar de areia.

Sonhavam sim, entrar na brincadeira porém a vida, sorrateira, encerra-as de sua missão, que ferozes combaliam com o nada, como que fugindo de seu lar, real e abstrato, sua casa o mar azul cristalino, imponente e belo, senhor de si, infinito e misterioso, concorriam entre si, numa velocidade suave e constante.Contornando minha pele escaldada, pelo calor ardente do sol da tarde anterior…

Ao longe, participando daquele maravilhoso cenário, um barquinho a deriva…

Dançando em silencio em meio às agitadas ondas, conduzia um pescador solitário, esperançoso e sem medo, impetuoso, com os pensamentos sabe-se lá em que… apenas confiando que a mãe natureza, fiel companheira de sua noite mal dormida, lhe sorteasse com um rico se não, suficiente fruto de sua paciente busca, sua pesca, seus desejos mais profundos, sua embriaguez sem culpa, suas redes tecidas pelas próprias e calejadas mãos, estendidas aguardam pacientes, seus sonhos banhados…

Os primeiros raios do sol, que soberbo observa sua noiva, que com raridade encontrava, a lua, estende seu tapete dourado, espelhando por sobre as agitadas águas, sobrepujando e convidando a penumbra a se retirar de sua missão de pano de fundos, que se fez coadjuvante, o grandioso espetáculo das estrelas brilhantes, umas cá outras acolá, cintilantes, que com olhos lacrimejantes, vão se indo, se despedindo do palco natural…

Missão cumprida… Como estatua que figurasse aquele deslumbrante cenário incógnito e indescritível, fiquei ali a imaginar, e a realidade misturada aos sonhos, sonhos conflitantes aos pensamentos, suaves notas musicais dedilhadas pela Harpa chamada vida, notas solfejadas pelo sopro perfeito do maestro, o mar…

Ficção? Sei lá! Lampejos de minha alma, que se revelavam agora… no futuro, de outrora vi, uma imagem que galopava em minha direção… seus pés, tocando suavemente as ondas, imagem obscura, fez palpitar meu coração… Seus cabelos longos e negros, que recobriam parte de seu corpo de sereia, refletiam luz, deixando seu rosto invisível por um instante… desnuda, seus seios, suas suaves curvas me embebedavam, com suave sabor da excitação, parecia irreal…

Olhando ao derredor, tentando inconsciente desalojar aqueles pensamentos invasivos e ilusórios, que insistiam  fortalecerem se, percebo então os pássaros cantantes, sobrevoando rasantes, com mergulhos precisos, buscavam também seu sustento, assim como o solitário pescador insolente.

Ela então, percebendo minha dúvida e medo, minha solidão, minha sóbria embriaguez, continua em minha direção… agora parecendo ouvir minha ofegante respiração, o som frenético das batidas de meu duvidoso coração…

Levantando-me da fria areia, após uma noite de pensamentos ilógicos, devaneios tonteantes, percebo ela sorridente, bem a minha frente, uma linda miragem, para um sedento em busca de água, no oásis do mais vil deserto ardente…

Num relance, viajei para meu passado, vasculhando minhas mais ardentes paixões, tentando identificar quem seria ela. Hesitante então, caminhando hipnotizado, tal qual pássaro relutante em direção as presas da víbora faminta, encontrando-me embevecido, assim quanto o primeiro amor da minha adolescência viril, meus braços abri, seus braços corresponderam…

Era linda… seus lábios carnudos, já colados aos meus, ardentes e aquecidos pela saliva misturada à emoção e êxtase, tal qual alquimia mágica do amor, eram ingredientes…

Beijo de sabor tão doce quanto o mais raro mel… sua pele morena e quente, tocando meu corpo febril, perfumada, assim como os mais belos lírios do campo, cor de jambo, olhos castanhos, não pestanejei… voei… perdidamente, amei… meu eterno amor…

Acordei… um lindo sonho…. vivi, senti, amei… viajei pelas vias do mais perfeito sentimento de amor… vida minha, minha vida… lampejei… agora tinha convicção, que minha mais bela obra de arte, inspirada no mais puro e verdadeiro amor, real se tornou…

Na virgem tela da vida… Desabrochou…

 

 

 
 
 
 
 

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