Luciano Garcez - Entrevistado

Luciano Garcez - Entrevistado

Drama Lírico é o novo lançamento do autor, compositor e dramaturgo Luciano Garcez

Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

 

Luciano Garcez, nascido em 1972 no ABC paulista, Luciano Garcez  é poeta, dramaturgo, compositor, cancionista e maestro. É Mestre em Composição e Poesia pela UNESP e UNIRIO. Seu trabalho de música erudita e popular está distribuído em diversos CDs pelo Brasil e Europa, gravada por diversos intérpretes.

Em dezembro de 2016, virá a lume seu drama lírico "Vocalises ou Despetalar-se", pelo Epigrama Coletivo Editorial, e no começo de 2017, o livro de poesia micro-dramática "Kleine Faust".

 

“Drama Lírico seria, historicamente falando, um tipo de grande ópera que surge no romantismo, entre a França e a Itália.”

 

Boa Leitura!

 

Escritor e maestro Luciano Garcez. É um prazer contarmos com a sua participação na Revista Divulga Escritor. Conte-nos, em que momento pensou em escrever “Vocalises ou Despetalar-se”? 

Luciano Garcez - Morava no Rio de Janeiro, onde era professor de Contraponto e Estética do Conservatório Brasileiro de Música. Finalizava meu mestrado na Unirio, com uma dissertação transdisciplinar, onde entravam Berlioz, Byron, Heine, Jules Laforgue e Schumann, entre outros. Minha cabeça fervilhava de ideias, lançaria um livro novo em breve (As Cidades Cediças, Ed. Verve), meu CD de canções (“You Are The Trickster”, Selo Cooperativa de Música). Mas deu-se um rompimento amoroso em minha vida, o mais conturbado pelo qual passei. Daí, talvez para sublimar a dor da perda amorosa, escrevi muito rapidamente duas obras, onde literalmente encarnava a dor do Outro (dela, no caso) e punha-me a falar: por gestos, músicas, palavras... Eu era ela, absolutamente, em sua dicção feminina, carioca, shakespeariana, operática, mítica e distímica. Daí que nasceram os dois filhos díspares desse inferno pessoal: o Drama Lírico “Vocalises ou Despetalar-se” (Epigrama Coletivo Editorial), que compus aos jorros dentro de ônibus, entre as idas e vindas de meu psicanalista, e a criação de meu “Heterônimo-em-Vida” Mariana L - ideia de uma heteronímia que deixa a palavra escrita e passa para o papel, corporificada em uma atriz - e que também resultou em um outro livro, “A Mais Atada à Tua Palavra – O Caderno de Mariana L, em Mãos”, Ed. Kazuá. De certa forma, essas duas obras formam um conjunto, sendo que “Vocalises” é o inferno absoluto em sua imutabilidade e impossibilidade de redenção, daí o seu formato teatral/operístico, enquanto Mariana L, meu heterônimo vivo, ainda guarda em si resquícios de uma visão menos turva e pessimista das relações amorosas.

 

Comente sobre a construção do enredo que compõe o livro.

Luciano Garcez - Duas personagens inter-relacionais, chamadas no Drama simplesmente de Ofelia I, aquela que detêm o texto verbal, e Ofélia II, a que canta, dança e gesticula, representam no palco, ou diante do olhar que lê o livro, a dor amorosa fundamental e motriz da personagem Shakespeariana homônima, estando as duas num continuum de dramaticidade em que a fala articulada e poética de uma lentamente vai se desfazendo e mesclando-se ao gestual e canto da outra, até uma síntese desesperada das duas personagens ao final da peça – momento do abraço simbólico e mortal de ambas.

 

O Título é o que descreve de forma resumida o livro em poucas palavras, como foi a escolha do Título para “Vocalises ou Despetalar-se”?

Luciano Garcez - Há algumas razões, mas a principal é que um vocalise é um exercício de preparação vocal antes de cantar. É, portanto, tudo aquilo que se articula, se prepara, mas ainda não se realizou – a realização, no caso, seria o cantar de uma ária, seria o salto para a saída do inferno ao qual aludi. E isso nunca acontece, posto que na obra ouvem-se apenas fragmentos de árias de Verdi e Giuseppe Giordani, e mais haikais musicais que compus, tudo ou roto ou muito pequeno, balbuciante. O “despetalar-se” vem da ideia da peça Hamlet, em que Ofélia se afoga no rio com flores nas mãos. E é isso mesmo o que ocorre durante todo o poema, folha por folha, pétala por pétala, caindo: Ofélia vai se desnudando, em camadas, até o seu branco vazio assimbólico.

 

Para orientar nossos leitores, poderia nos explicar o que é um drama lírico?

Luciano Garcez - Drama Lírico seria, historicamente falando, um tipo de grande ópera que surge no romantismo, entre a França e a Itália. Mas, também, estendendo-se o conceito, são dramas líricos, dentro da literatura, obras como o Fausto, de Goethe, e Manfred, de Byron. Assim, para ser um drama, deve haver personagens e a ação dramática, que inclui o gesto e a música, o que é o caso de “Vocalises”. Mas para ser “lírico”, na acepção de “poesia como expressão pessoal ou de uma intimidade única e epifânica”, o poema tem que ser concentrado, denso, radical, no sentido poundiano mesmo. Ou seja, não pode perder nenhuma sílaba, nenhuma partícula de sentido em sua feitura. Daí o epíteto Drama Lírico da obra: ação e personagens, mas que falam poesia e música, na mira, todo o tempo.

 

Escritor Luciano Garcez, o que mais o encanta nesta obra?

Luciano Garcez - O equilíbrio formal que, sem querer, se deu ao fazê-la. Como a quase psicografei (risos), mas do que “escrevi”, pude sentir seu corpo respirar e ofegar, passo a passo, e andei com ela os caminhos imaginários que ao seu bel prazer ela queria andar. Agradou-me demais apenas ter que aparar as arestas, no depois.

 

O  lançamento será em dezembro, já tens data, local para o lançamento, quem desejar como deve fazer para  reservar um exemplar do livro?

Luciano Garcez - No lançamento, que se dará em dezembro, farei uma leitura dramática de obra, com uma atriz, e duas musicistas, além de uma mesa redonda com o escritor Whisner Fraga. Por enquanto, antes de chegar às livrarias, pode-se adquirir um exemplar pelo site da editora, http://epigramaeditorial.com.br/.

 

Mas pode reservar no local do lançamento, que será na Livraria Da Vila, Alameda Lorena, 1731 - Jardim Paulista, São Paulo - SP -

(11) 3062-1063

 

Soube que já temos livro novo no prelo para inicio de 2017, podes nos contar um pouco sobre o seu novo lançamento literário?

Luciano Garcez - Trata-se do segundo livro escrito por meu já citado Heterônimo-em-Vida, Mariana L, cujo nome todo, que tem perfil e vida no facebook, podem procurar, é Marianne Liuba Löhnhoff. O livro chama-se “Kleine Faust”, “Pequeno Fausto”, sendo um ciclo de poemas sobre a universal lenda do Doutor atormentado e o diabo, remirado contra a luz da contemporaneidade. Será lançado em janeiro de 2017, pela Ed. Multifoco.

 

De forma resumida qual o estilo poético utilizado em seus livros de poesia:

“Salutz a Uma Dama Moura” – Poesia em 77 Cantos e 2 Envoi, que alcunhei de “Balada Reality-Show”, pois os poemas foram compostos em tempo poético real, isto é, acompanhando o compasso dos acontecimentos da vida. É um livro longo de Poesia em Cantares, com poemas escritos em diversas épocas e estilos. Muito me orgulha, pois foi considerado por grandes poetas como um dos maiores livros de minha geração.

 

“As Cidades Cediças” – Poesia. Coletânea de poemas que escrevi entre a década de 90 e 2011, e que se instalavam afativamente nas cidades de São Paulo, Rio, Santos e na região do Grande ABC, onde nasci.

 

"A Mais Atada à Tua Palavra - O Caderno de Mariana L, Em Mãos" – Poesia, um pouco da biografia de Marianne, um conto sobre Eros dentro de um relato quase ao fim do livro e, finalizando, a teoria complexa do Heterônimo-em-Vida, escrita pela própria Marianne.

 

“L´Ascension – O Sia, O Cristal do Milagre Chinês” – Uma mistura de Diálogo Platônico com Ópera Bufa (há partituras, irônicas e icônicas, dentro do livro), onde personagens, representantes de certa cultura artística decadente, debatem sobre Arte, enquanto os cenários vão mudando ao redor delas, até caírem, gloriosas, no Inferno. Um fim bem comum em literatura para palco, aliás. Saiu em e-book pela ed. “e-galáxia”, e é fácil de achar e comprar pela net.

 

Onde podemos comprar os seus livros ?

Luciano Garcez - Muitos estão bem distribuídos pela net. Em livrarias do Brasil, como a Cultura, a Saraiva e a Travessa. Mas, caso desejem um autógrafo do escritor, pelo email lucianogarcez@uol.com.br, ou pela página do facebook, @lucianogarcezoficial. Respondo, também, pela página pessoal do face, que é Luciano (Locoselli) Garcez. E meus livros “Salutz a Uma Dama Moura” e o próximo a ser lançado, o “Kleine Faust”, de Mariana L, encontram-se facilmente no site da editora editoramultifoco.com.br. Finalizando, minha sátira em ebook, “L´Ascension, o sai, O Cristal do Milagre Chinês” acha-se facilmente pela amazon e pela net.

 

Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor o escritor Luciano Garcez. Agradecemos sua participação no projeto Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores?

Luciano Garcez - Fico grato e honrado com a possibilidade de dar essa entrevista, sendo vocês assim tão gentis e atenciosos. Deixo para o leitor a mensagem de que toda Arte, seja ela literatura, música ou teatro, não importa, existe para que a vida de cada um se resignifique em contato com ela, e de maneira não teórica, não médica ou utilitarista, mas através do Belo, que é, como queriam Nietzsche e Flaubert, a força maior da Humanidade. A Arte que não virar arte (em minúscula não por valoração) de cada um, pessoal, isto é, que fale não mais pela página ou pelo palco, mas por dentro de todo ser humano disposto a se abrir ao Estético, é a única arte válida. O maior exultar do artista é saber que, por dentro, alguém possa em algum canto do mundo dividir o “por dentro” extático que o artista teve ao compor a obra.

 

 

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