Mais uma página - por Eliane Reis

Mais uma página - por Eliane Reis

Mais uma página

 

Que raiva! Hoje, vaguei horas a fio por entre as linhas de um velho caderno de rascunhos em busca de uma nova história. Nada! Absolutamente, nada! Nenhuma ideia, nenhum poema, nenhuma canção, nenhum desenho; nada de novos enredos, com personagens insólitos ou comuns, nenhum espaço habitável ou inóspito, nada.

Justo hoje, que eu pretendia divagar por entre várias páginas e linhas até cansá-las com a tinta furiosa e doce que emana de minha caneta, de minhas mãos e letra. Já estou com calos nos dedos, já rasguei mil folhas, já me irritei com essa incapacidade certa contida na incerteza do que não vem, das venturas que não me visitam.

Percorri os olhos ligeiramente pelo jardim da escola, tentei ouvir o som dos pequenos visitantes com asas que se escondiam da braveza do sol em galhos frescos das imensas árvores; tentei enxergar a essência das pequenas flores que riam em cada canteiro; tentei captar a palavra que o vento repetia silencioso; tentei redescobrir em mim o que já não entendo, mas... Nada! Nem uma intenção poética, nem uma elegia, nenhum refrão...

Foi então, que para minha surpresa, surgiu uma pequena e frágil borboleta. Ela estava dançando por entre flores alegres e vermelhas. Dançava ao som do vento e do tempo – única. Trazia consigo uma delicadeza imponente, despertando outros seres igualmente delicados.

Uma obra de arte foi se compondo ao seu redor, e as tintas de um arco-íris -  cores da vida-  foram ganhando formas em fôrmas múltiplas. Outras borboletas vieram lhe fazer companhia.

Ninguém pôde ver aquele milagre, o milagre da simplicidade. Todos estavam ocupados demais com deveres. Apenas eu pude presenciar aquela perfeição sublime embora eu estivesse cheia de deveres também. No entanto, buscava, como se fosse um alimento, a palavra, a história, um motivo; entre uma pausa e outra, tentava encontrar um tema para um conto, uma crônica, ou qualquer outra forma de brincar com as palavras (elas estavam presas em um baú velho) . Buscava por elas, queria-as rebuscadas, entretanto nada surgia. Até minha memória se esquivava do papel.

Foi aí, quando já estava pronta para rasgar mais uma folha, que vi a vida com pequenas asas, pairando sobre a clareza do céu de janeiro, pairando sobre as flores que desenhavam para ela um tapete rubro. Vi a vida abaixo do sol e debaixo de folhas verdes e refrescantes (talvez fossem esperanças vestidas de gala).

Vamos à vida, vamos a mais uma história...

 

 

 

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