Manuel Manços A. Pedro

Manuel Manços A. Pedro

Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Manuel Manços Assunção Pedro, nasceu em Falcoeiras, pequena aldeia do distrito de Évora. Reside no Barreiro, Portugal. Conheceu os trabalhos do campo, no Alentejo. Foi marçano, em Reguengos de Monsaraz, de onde saiu com dezoito anos para o então Serviço Meorológico Nacional, em Lisboa, onde se manteve até à data da sua incorporação no exército português. Esteve vinte meses em Moçambique, em comissão, na Guerra do Ultramar. Finda a comissão regressou ao ex-SMN, depois Instituto de Meteorologia, onde se manteve em funções administrativas, e técnicas. Aposentou-se em 2011, como observador meteorológico. Cultiva o gosto pela escrita (prosa e poesia) lendo e escrevendo, e pelas artes de representar e de cantar. Canta  em locais,  para onde o convidam, onde se incluem Escolas e Lares da 3ª idade.

Escritor Manuel Pedro em entrevista exclusiva para o projeto Divulga Escritor conta-nos sobre sua trajetória literária, nos dar dicas de melhoria para o mercado literário em Portugal.

“Como melhorias penso que deverá ser criada uma rede de bibliotecas itinerantes, campanhas de “consciencialização” literária, afim de angariar leitores para a literatura, especialmente para a boa literatura, excluindo a literatura que os transporta, apenas, à fantasia e à alienação social.”

Boa Leitura!

 

 

SMC - Escritor Manuel  quando começou a escrever? Em que momento decidiu ser escritor?

Manuel Pedro - As histórias e os contos que ouvia ler e contar na minha aldeia, despertaram em mim o interesse de um dia poder ser eu próprio a criar outras histórias e novos contos; mais tarde quando tomei contacto real com  a leitura e com a  escrita e me apaixonei por ambas, mais esse impulso se impôs, mas os meus primeiros escritos,  surgem apenas “à luz do dia”, por volta do ano de 1972, concebidos em forma de poesia, motivados pela Guerra no Ultramar, entre Portugal e as ex-Colónias portuguesas. Creio que foi a saudade por ter de deixar  “o cantinho onde nasci” e  os entes queridos que ficaram na minha Terra, embora  já antes sentisse grande motivação para escrever; como atrás referi. “Filho” da planície alentejana, creio ter sido esta, também, uma das principas impulsionadoras para que eu tomasse real interesse pela escrita, enquanto me oferecia, para além da paisagem, dias de grande “calma” e noites enluaradas de deslumbramento. Havia a taberna do meu avô, onde aprendi e muito me impulsionou para escrever, “através da voz do vinho”, que alguns homens “dotados de simplicidade e grande cultura” me transmitiam.

 

SMC - O que mais lhe inspira a escrever?

Manuel Pedro - Para escrever costumo inspirar-me no quotidiano, em “atos vulgares” que  o dia a dia nos apresenta e oferece. Para mim, são também motivos de inspiração as planícies do meu Alentejo, com os fenômenos adstritos que as rodeiam; o Fado, como tema e canção inspiradora  da alma Lusitana; o amor nas  suas vertentes mais diversas; não me abstraindo de “dissecar” a natureza  da alma humana.

 

SMC - Quais são as suas referências literárias? Que autores influenciaram em sua formação como escritor?

Manuel Pedro - Tinha catorze anos de idade quando me aconselharam a ler o romance, “O Pagem da Duquesa” de António de Campos Junior, fiquei fascinado e a seguir, “Os Capitães de Areia”, de Jorge Amado, leitura que descreve uma, ou várias histórias semelhantes na pobreza e na forma de agir, “daqueles meninos capitães”, às que eu vivi. Mais tarde, entre outros escritores que eu li, “apresentaram-me” Luis  de Camões, Gil Vicente, Bocage, Fernando Pessoa, Miguel Torga, Virgílio Ferreira, José Saramago (de leitura difícil a principio), mas que me obrigou depois a gostar da sua obra literária, principalmente nos romances “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” e “Levantados do chão”, e Florbela Espanca, por quem nutro um carinho muito especial, considero-a uma das “grandes” poetisas, a nivel mundial. A sua poesia cultiva, em simultâneo, a tristeza  e uma invulgar beleza descritiva que me inebriaga.

 

SMC - Como foi a publicação do seu primeiro livro  de poesias “ Pedaços de Tempo”?

Manuel Pedro - A publicação do meu livro de poesias, “Pedaços de Tempo”, ainda que de forma   modesta, transformou-se na concretização dum sonho antigo, para minha satisfação.  Foi  óptimo porque se tranformou no melhor “veículo” para que eu pudesse partilhar o que havia escrito, oferecendo um exemplar a cada um dos meus amigos.

 

SMC- Quais são seus novos projetos literários?

Manuel Pedro - Como projectos literários, penso continuar a escrever. Pretendo editar, ainda durante o ano corrente, um livro de poesia, onde predominam os poemas em forma de soneto, e  outro elaborado em prosa.

O livro de poesia terá como título, “Do Fado ao Alentejo” e o de prosa, “Dias Incertos”, um romance que se baseia em episódios relacionados com a Guerra no Ultramar. Ficam por editar dois livros em prosa, que estou a terminar, com os títulos “Fado Maior” e Terra de Sangue”.

 

SMC - Além de ser escritor você canta, o que veio primeiro o gosto pela escrita ou pelo canto?  conte-nos um pouco sobre seu trabalho como cantor, onde podemos ouvi-lo cantar? em quais grupos se apresenta?

Manuel Pedro - Primeiro veio o gosto pelo canto, creio que “nasci a cantar”. Recordo que, em criança, enquanto brincava, ou até quando resolvia os trabalhos escolares eu cantava sempre, as músicas e as cantigas que aprendia, levando o meu avô a dizer que quando eu chegava à sua residência, chegava a telefonia e minha mãe proferir que eu teria resolvido os trabalhos escolares com muitos erros, mas não era verdade, eu fazia tudo certo. Saí da minha aldeia, para Lisboa, com o intuito de cantar o fado, mas esse meu gosto não se pode realizar porque tive de ganhar a vida de outra forma. Só mais tarde me integrei, como tenor, em Grupos Corais polifónicos onde ainda mantenho presença ativa. Atualmente, canto também num Grupo que interpreta Musica Antiga e Renascentista, denominado de ANIMAE VOX e sempre que posso, ainda que de uma forma modesta, interpreto a minha grande paixão musical que “ganha forma física” no fado e nas cantigas do meu Alentejo.  Faço parte da Universidade da Terceira Idade, no Barreiro, UTIB, na disciplina de Teatro, onde represento e canto. Quem pretender ouvir-me cantar poderá faze-lo nos locais para onde sou convidado, na áea do Barreiro.

                                                                                

SMC - Onde podemos comprar  seu  livro?

Manuel Pedro - Foi editada, em Janeiro, uma colectânea com o título “Poetizar Monsaraz”, onde figuram poemas meus, que poderá ser adquirida através  da Editora/Publishing House: Mindaffair, Ldª.

 

SMC - Que dica você dar para as pessoas que estão iniciando carreira como escritor?

Manuel Pedro - Para as pessoas que estão iniciando  carreira como escritores, creio que deverão munir-se de boa literatura, de “bons” autores, que a estudem até ao ínfimo pormenor; que escrevam consecutivamente até sentirem que adquiriram prática e conhecimentos suficientes para se poder “abalançar”,  em edições de obras literárias que tenham escrito, com qualidade. Não devemos descorar que o talento natural duma pessoa poderá ser notável, no entanto, se ela não tiver capacidade para o moldar, jamais sairá da vulgaridade.

 

SMC - Como você vê o mercado literário em Portugal? Que melhorias você citaria?

Manuel Pedro - De acordo com os conhecimentos que possuo sobre o mercado literário em Portugal, creio que, apesar da crise económica que se abateu sobre o meu País, revela um pequeno saldo positivo, porque quem antes adquiria livros, com paixão, continua a faze-lo, com menor regularidade e algum sacríficio, como é evidente, o preço dos livros nem sempre é compatível com todas as bolsas. Como melhorias penso que deverá ser criada uma rede de bibliotecas itinerantes, campanhas de “consciencialização” literária, afim de angariar leitores para a literatura, especialmente para a boa literatura, excluindo a literatura que os transporta, apenas, à fantasia e à alienação social. Deverá haver acordos entre as  Editoras e as Entidades Competentes, financiando estas, com subsídios, para que o preço  dos livros diminua. Sejam dadas oportunidades iguais a quem escreve  para que não haja atropelos da parte de alguns “que tudo podem”, em detrimento de outros, por vezes com “mais valor” e não chegam a  nenhum lado.

 

SMC - Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista, a Divulga Escritor agradece sua participação, muito bom conhecer melhor o Escritor Manuel Pedro, que mensagem você deixa para nossos leitores?

Manuel Pedro - Quero agradecer a Shirley M. Cavalcante, a oportunidade que me proporcionou, para que eu participe neste projecto,  falando sobre o “Meu Mundo das artes”, e pelo seu real empenho na divulgação da literatura. Quero acrescentar que a Cultura tem a magia de dignificar o ser humano; um Povo culto é um Povo consciente, que dificilmente se deixará manietar por um opressor, seja ele qual for. Há por isso que cultivá-la com muito empenho. Deixo uma mensagem de esperança, confiando que um dia, não sei em que futuro, muitas barreiras serão levantadas, que o Mundo se “humanizará”, tornando-se mais culto.

 

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