Manuela Matos

Manuela Matos

Por Shirley M. Cavalcante (SMC) 

Natural de Vila Real, Manuela Matos cedo saiu da sua terra para demandar outras paragens. Frequentou o curso de Filosofia, de que desistiu para enveredar pelo desempenho de uma profissão. Atualmente reside em Mafamude – Vila Nova de Gaia. Leitora assídua de obras poéticas, tem reforçado esse gosto pela imersão em vários momentos onde a poesia é o mote, participando em tertúlias, sessões de leitura e apresentação de obras, até que um dia optou também por “saltar” para o lado de lá da obra, o de autora, publicando em março de 2010 o livro "PEDAÇOS DE LUA". É um volume com 90 páginas, onde Manuela Matos demonstra os seus inspirados dotes poéticos. Privilegiando a poesia livre, a autora também faz incursões pelo soneto, versificando sobre temática variada. A sua alma sensível e criativa liberta-se nestas páginas, partilhando com os leitores o seu sentir, a sua visão poética, os seus pedaços de lua.

“Nossas palavras são mais poderosas do que imaginamos. Podemos influenciar alguém a seguir seus sonhos ou a desistir deles. Esse é um poder que todos temos sobre aqueles que amamos - O poder de auxiliar ou de magoar - O poder das palavras.”

Boa Leitura!

 

SMC - Escritora Manuela Matos, para nós é um prazer poder contar com sua participação no projeto Divulga Escritor. Conte-nos quem é a escritora Manuela Matos, além de escrever quais são seus hobbies?

MANUELA MATOS - Obrigada Shirley, eu também agradeço pela oportunidade que me deu ao conceder-me esta entrevista.

Trabalho como administrativa numa empresa já à alguns anos. Gosto de tudo o que seja calmo, como caminhar junto ao mar e ouvir os sons da natureza numa noite quente de verão. Gosto também de conviver, mas não sou adepta de confusões. Prefiro receber pessoas amigas em ambientes familiares.

Desde a minha infância sempre apreciei a leitura. Costumava ir à biblioteca requisitar livros e raramente dormia sem ter chegado ao último capítulo. Muitas vezes o meu pai desligava-me a luz, então, para que ele não desse conta, ia para a janela do meu quarto ler à luz da lua. Penso que herdei dele, tanto o gosto de ler como de escrever, mas não me considero propriamente uma escritora, eu diria antes uma sonhadora...

 

SMC - Quando surgiu a ideia de publicar o livro e porquê este título “Pedaços de Lua”?

MANUELA MATOS - Ao longo da minha vida sempre escrevi, dando preferência à poesia, mas a ideia de publicar o livro surgiu quando em setembro de 2009, a convite de uma amiga, também autora, participei no IX Encontro Nacional de Poetas no Gerês. Nesse encontro conheci um escritor e jornalista Dr. Altino Cardoso que após ler alguns textos me incentivou a editar o livro. Conheci também um dos organizadores do evento, o poeta Jorge Vieira, grande dinamizador da poesia na cidade do Porto, que me encaminhou para a editora. Consegui alguns patrocínios e, seis meses depois foi o lançamento na Junta de Freguesia de Mafamude – Vila Nova de Gaia.

            Em relação ao título, foi muito simples... A lua em pedaços que é também título de um dos poemas, pode simbolizar a nossa vida em fragmentos. Cada pedaço pode ser reciclado, encaixado, utilizado, mas para isso é necessário juntar todos os pedacinhos que aparentemente já não servem para nada e dar-lhes uma forma harmoniosa e atrativa!  (Fragmentos, estilhaços/ Espalhados pelo chão,/ Pedaços de lua no meu coração,/ Pedaços de mim... (…) Vou perfumar cada pedaço/ Com aroma de alfazema/ E aspirar o suave néctar/ Antes que o sol acorde/ E estrague o poema!...)

          

SMC - Quais, escritores, são as suas referências literárias? Por que eles se tornaram uma referência para você?

MANUELA MATOS - Rosa Lobato Faria, Manuel Alegre, Sophia de Mello Bryner, Florbela Espanca, Miguel Torga, David Mourão Ferreira, José Régio, Eugénio de Andrade, Paulo Coelho, Fernanda de Castro, entre outros.

Cada autor tem o seu próprio estilo, mas o poeta de certa forma é uma “esponja” que absorve mesmo que inconscientemente o estilo e a forma de escrever de outros poetas. Quanto mais leio mais desejo sinto em escrever.

 

SMC - Qual o público que você pretende atingir com o seu trabalho? Que mensagem você quer transmitir para as pessoas?

MANUELA MATOS - Todo o público em geral. Preocupo-me com os outros, com a injustiça e com o mal que acontece à nossa volta; por isso mesmo, a minha necessidade de fuga de evasão e de refúgio na poesia, onde de certo modo deixo soltar as palavras e as emoções. Quando se escreve o que nos vai na alma, conseguimos transmitir de uma forma mais pura e objetiva todo o sentimento que nos move. Para mim escrever é uma terapia, pois deixo a minha mente vaguear e dessa forma quase que me abstraio de tudo o que me rodeia.

            Nossas palavras são mais poderosas do que imaginamos. Podemos influenciar alguém a seguir seus sonhos ou a desistir deles. Esse é um poder que todos temos sobre aqueles que amamos - O poder de auxiliar ou de magoar - O poder das palavras. Quero usar meu poder para encorajar as pessoas. Um livro depois de editado já não é nosso, é do público, é de toda a gente!

 

SMC - Que temas você aborda em seu livro “Pedaços de Lua”?

MANUELA MATOS - De tudo um pouco: saudade, nostalgia, esperança, poemas de intervenção, Deus e o infinito. Realça em toda a obra uma constante ”fuga” de um mundo em conflito onde proliferam injustiças sociais, (cujas principais vítimas são as crianças e os idosos), para algo melhor, algo que todo o ser humano deseja.

Um dos poemas com o título Do Outro Lado da Rua, fala disso mesmo e foi incluído no livro “Camas de Papelão” de Álvaro Bastos, que lidera um projeto de apoio aos sem-abrigo do qual também faço parte.

DO OUTRO LADO DA RUA

Do outro lado da rua

Há meninos com olhos rasgados

Há mães com olhos molhados

Há gente com sonhos frustrados...

Do outro lado da rua

Há tristeza e solidão

Há famílias sem pão

Há vozes que gritam

E há vozes que calam...

Tanta coisa acontece

Do outro lado da rua!

Há pessoas que cantam chorando

Há outros que choram cantando

Há multidões que adormecem sofrendo...

Do outro lado da rua

Podia ser a minha vida e a tua!

Ali do outro lado

Onde há braços cansados

Planos adiados

E seres humanos à espera

De serem amados...                                

 

SMC - Que meios utiliza para a divulgação dos seus poemas?

MANUELA MATOS - Para divulgação dos meus poemas, costumo participar em vários eventos, nomeadamente no Encontro de Poetas no Gerês que é anual, no Clube de Avós e Poetas, na Casa da Cultura em Vila Nova de Gaia, mais conhecida por Casa Barbot. Estive também na Feira do Livro em Ermesinde e no Porto. Escrevo ainda nos sites Escritartes, Luso-Poemas e Solar de Poetas.

 

SMC - Quais seus próximos projetos literários?                                                                                                                                                          

MANUELA MATOS - Continuar a colaborar nas antologias e “ganhar coragem” para a edição do próximo livro que praticamente já está escrito. Falta acertar os pormenores com a Editora, e talvez saia no início do próximo ano.

 

SMC - Onde podemos comprar o seu livro?

MANUELA MATOS - Esteve à venda na Fnac em Santa Catarina no Porto, de momento só através da www.bertrand.pt, www.wook.pt ou pedindo para o meu email: neliaxp@hotmail.com

 

SMC - Quais as melhorias que você citaria para o mercado literário em Portugal?

MANUELA MATOS - Não fica barato publicar um livro. Atualmente com o auxílio da internet e o apoio de diversos sites e redes sociais está um pouco mais simplificado. Também é possível publicar na Bubok a um preço muito acessível. Em média em Portugal são editados cerca de 40 livros por dia, mesmo assim há sempre algo a melhorar. Eu diria aos editores que invistam em quem realmente tem talento suportando parte dos encargos, implementando desse modo bons autores.

 

SMC - Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista, agradecemos sua participação, muito bom conhecer melhor a Escritora Manuela Matos, que mensagem você deixa para nossos leitores?

MANUELA MATOS - Shirley, quero desejar muitas felicidades para este projeto. É uma forma simpática de divulgar quem realmente gosta de escrever chegando a um público que está fora do nosso alcance. Como mensagem final, gostaria de deixar um apelo: exercitem o gosto pela leitura, pois um país só evolui quando as pessoas se cultivam, e finalmente, nunca desistam dos vossos sonhos. Como diz o poeta António Gedeão na sua “Pedra Filosofal”, o sonho comanda a vida… e sempre que um homem sonha, o mundo pula e avança…

 

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