Marcelo Pereira Rodrigues - Entrevistado

Marcelo Pereira Rodrigues - Entrevistado

Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

 

“Corda sobre o Abismo” marca nome de MPR no cenário nacional

A cidade de São Paulo ganha mais uma homenagem artística: desta feita, coube ao filósofo e escritor Marcelo Pereira Rodrigues (MPR) marcar este feito: o romance “Corda sobre o abismo” (Editora O Lutador, 144 páginas), considerado pela crítica especializada um dos melhores livros do autor.

O romance se passa na capital paulista e traz o personagem Denizard Dias (professor universitário de Filosofia, nenhum alter ego com o autor) criticando a tudo e a todos. Até que, após uma noite de bebedeira, sua vida muda completamente vendo ruir o seu frágil castelo de cartas o qual considerava uma vida sólida. A verve bem humorada de MPR aparece em alta neste livro: várias passagens são entremeadas por passagens divertidíssimas e também oníricas.  “Corda sobre o Abismo” pode ser considerado um romance de filosofia, embora sem ser pedante ou maçante. A boa vendagem desta obra atesta a qualidade literária da mesma.

 

Bibliografia do Autor

“Muito Humano Demais” (crônicas, 2002);

“Nós” (crônicas, 2003);

“23 horas: 59 minutos: Reminiscências do que está por vir” (romance, 2004);

“Um Café com Sartre” (romance, 2006);

“Pimenta, sal & alho” (crônicas, 2007);

“Minhas Mulheres” (romance, 2009);

“O Filósofo Idiota: o livro proibido na UFSJ” (romance, 2011);

“Acústico MPR: os piores sucessos e os melhores fracassos de Marcelo Pereira Rodrigues” (ensaios, artigos e biografia, 2012) e

“Corda sobre o abismo” (romance, 2013).

 

Divulga Escritor - Escritor Marcelo Pereira Rodrigues, é um prazer contarmos com a sua participação no projeto Divulga Escritor, conte-nos o que o motivou a ter gosto pela escrita literária?

MPR – Certamente foi a minha inaptidão para fazer coisas que merecem mais atenção do dito “mercado de trabalho”. Fui sempre um voraz leitor e isso desde cedo. Analisando mais friamente, certamente o incentivo de algumas professoras que tive que disseram que eu levava jeito nas Redações. Foi um processo natural e sem solavancos. E dizer que hoje vivo de literatura num país como o Brasil, o que é um mérito e tanto.

 

Divulga Escritor - Em que momento pensou em escrever o seu livro “Corda Sobre o Abismo”?

MPR – Não sei precisar o momento certo. Mas deve ter sido pelo ano de 2011, 2012. Nesse período, já entendia que as redes sociais teriam preponderância no nosso meio, perderíamos a esfera do público e do privado, e isso remete, a meu ver, à dicotomia entre aparência e essência em Platão. Fiz um mergulho no mundo do personagem Denizard Dias, totalmente fictício, e a narrativa foi ganhando corpo, e hoje, após dois anos de ter sido lançada a primeira edição, no Brasil, sinto como se o livro ainda estivesse sendo escrito, agora pelos leitores, que são muitos. Entre a concepção primeira, a elaboração do romance e publicação, foi um processo de mais ou menos quatro anos.

 

Divulga Escritor - Quais os principais desafios para escrita da obra?

 MPR – Como romancista, gosto de fazer locações, tipo um diretor de cinema que se preocupa com os detalhes de um filme. Fui para São Paulo para tentar viver a loucura que é morar em uma cidade grande, a “cidade que nunca dorme”. Nessa locação, aprendi a andar de metrô, estar no meio do povo na Rua Augusta e Avenida Paulista, enfim, foi um processo bem caótico de escrita. Geralmente, na composição dos meus livros, principalmente romances, afasto-me de tudo e de todos para poder dialogar melhor com as personagens. Neste “Corda Sobre o Abismo”, fiz o inverso. Foi interessante anotar coisas numa caderneta num metrô, numa mesinha de bar da Augusta etc. O desafio foi sair da zona de conforto para ir além. Gostei de todo o processo, os leitores dizem-me que passeiam pelo livro como se fizessem parte do enredo. De certo modo, era essa a ideia original.

 

Divulga Escritor - Como estes desafios foram superados?

MPR – Com persistência e vencendo medos. Costumo afirmar que toda vez que saímos de nossa zona de conforto o novo se interpõe como uma barreira. Coisas simples, como comprar um bilhete de metrô, tentar seguir um mapa numa cidade desconhecida, pesquisar o preço de uma quitinete e essas coisas ordinárias e que são consideradas as nossas boias de sobrevivência. Gosto sempre dessa coisa de sair da zona de conforto. Superação nem chega a ser o caso. Propus experimentar um processo novo de escrita, paguei o preço e fui ver. Gostei de todo este processo.

 

Divulga Escritor - Em sua opinião, por que o livro é considerado um romance de filosofia?

MPR – Sou filósofo de formação. Formei-me em São João del-Rei (UFSJ) e fiz extensão pelo Instituto Packter de Porto Alegre-RS, na área de pesquisa. A crítica especializada considerou este uma novela filosófica pelos temas tratados, como aparência e essência, o ser e o nada (há uma parte interessante em “Corda Sobre o Abismo” que relata a vigília e o sono, os sonhos). Mas tudo isso sem o pedantismo filosófico. Não se trata de um livro de filosofia acadêmica. Fazendo uma analogia, se assemelha mais à trilogia “Os Caminhos da Liberdade” de Jean-Paul Sartre do que ao seu maçudo “O Ser e o Nada”. Mas entendo que essa forma de composição agrade mais aos leitores de forma geral, afinal, escrevo para um grande público, não para o pessoal da cátedra.

 

Divulga Escritor - O que mais o encanta nesta obra?

MPR – O título já é bem sugestivo. É uma homenagem ao grande pensador alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900). Gosto da dinâmica do personagem principal, em algumas passagens confesso ser um alter ego. Fiz uma composição que reverenciou escritores brilhantes e clássicos que devem ser valorizados sempre, tais Émile Zola, Albert Camus, Soren Kierkegaard, Lima Barreto, dentre tantos. Claro que, numa cultura de massa, esses nomes são pouco compreendidos e assim o grosso da população deixa de travar excelentes conversas com esses gênios. Costumo brincar que gosto muito de conversar com os mortos. Mais do que com os vivos. Os “mortos” são autores já falecidos e clássicos que nos fazem muito bem para um bate-papo por meio da leitura de suas obras. É muita generosidade da parte deles...

 

Divulga Escritor - Onde comprar o seu livro?

MPR – O “Corda Sobre o Abismo” possui duas versões. A que saiu no Brasil e a que saiu em Portugal, que teve o acréscimo do subtítulo “O Elogio da Desesperança”. Essa edição pode ser adquirida pelo site da Editora Chiado e lojas conveniadas. Da minha fase anterior, e ao qual esclareço ter publicado mais nove livros, sendo três esgotados, podem ser adquiridos pelo site da Livraria Leitura, de Belo Horizonte, Brasil. Agora, do que mais admiro do meu público é que muitos desejam um contato direto, mais próximo mesmo. São vários os leitores que adquirem o livro comigo mesmo, e pedem autografado, esse tipo de coisa. O canal para esse contato é o e-mail nosmpr@hotmail.com e mesmo através do meu Facebook, Marcelo Pereira Rodrigues. 

 

Quais os seus principais objetivos como escritor?

MPR – Viver de literatura, profissionalmente, o que tenho conseguido há quase 15 anos. Isso me enche de orgulho. Ter o reconhecimento de toda a minha obra, com os sucessos e fracassos, eternizadas, e assim como Nietzsche, sei que “nasci póstumo”. Sei que muitos dos meus escritos perdurarão através dos tempos, daqui há 200 anos haverá a Praça Marcelo Pereira Rodrigues (MPR), com a significativa estátua. Isso é muito importante, afinal, os pombos devem pousar em algum momento para descansar, não é mesmo?

 

Divulga Escritor - Como você vê o mercado literário Nacional?

MPR – Não acompanho muitas coisas dos novos, não sou “novidadeiro” e sinceramente desconfio de todo sucesso efêmero. O Brasil ainda vive de muitos cadáveres insepultos. O sujeito escreveu um livro que foi sucesso há 30 anos e ainda vive disso, observo hoje nas redes sociais que tudo já é um sucesso, referendado por curtidas e comentários imbecis, de pessoas que por vezes não leram nem a contracapa. Existe o culto à figura pública do escritor, mas pouca ou nenhuma compreensão sobre a sua obra. O Brasil gosta de livros de autoajuda (bem aos moldes para enganar trouxa) e outras coisas sem valor. O mercado segue essa trilha, pois trata o seu livro como um mero produto. Naquele esquema: rotula, etiqueta, coloca na prateleira e vende...

 

Divulga Escritor - Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor o escritor Marcelo Rodrigues. Agradecemos sua participação no projeto Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores? 

MPR – Eu é que agradeço a oportunidade e o espaço. Gostei das perguntas, deu para perceber que são talentosos e que vão muito além da superfície. Tipo uma entrevista valorosa que faz o escritor pensar, refletir, sopesar. A mensagem que deixo para os seus leitores e para os meus é um misto de carinho e provocação. Aos meus, agradecimentos por me permitirem viver de literatura em um país como o Brasil, e agora adentrando o mercado de Portugal. Aliás, recentemente estive em Lisboa para a promoção do “Corda Sobre o Abismo”. Aos seus, e espero que também sejam os meus em breve, que reconheçam e saibam diferenciar o joio do trigo e primem por boas companhias, pois a leitura de um livro bom é um companheiro fiel, e importante. Mais uma vez, obrigado pela oportunidade da conversa e Boas Coisas a todos.

 

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