Maré Baixa - por Uiara Melo

Maré Baixa - por Uiara Melo

Foto: Alle Tavares

 

Publicado na coletânea: Contos de quem passa, de quem entra e sai, 2015.

 

Maré Baixa

Uiara Melo

 

O vento assoprava tão fino, que o mais desatento poderia afirmar ouvir um assobio. Naquela manhã o horizonte estava acinzentado, sem muito brilho. Claudia por sua vez esperava ansiosa o seu esposo Marcos voltar de mais uma pescaria. Toda vez que ele se adentrava ao mar, o seu coração que ficava a espera, se contraia ao ponto de doer as costelas. Não era fácil para eles, mesmo juntos os dois compartilhavam de uma solidão ímpar. Claudia nunca fora positiva a essas viagens, mas era o que sustentava a sua família. Mas naquela manhã tudo fora diferente, o pesqueiro não voltara na hora marcada, a cada minuto de espera naquele porto, era uma angustia tamanha, pois a única coisa que te sustentava era o “Te amo” sussurrado pelo seu esposo na madrugada anterior ao pé de seu delicado ouvido.

 Porém certa vez, ela ouvira dizer que o grande mar gostava de levar aquele por quem fosse apaixonado, mas Claudia nunca dera ouvidos a tamanha tolice. Oras veja se isso pudera ser verdade. Entretanto, a pequena vila de pescadores ultimamente colecionava mulheres viúvas, mas que drama presente. Mesmo enrolada em todas aquelas fazendas, o vento assoprava tão fino que “agulhava” a sua frágil pele. Os seus maxilares davam o compasso ao som que era extraído de seus dentes rangendo de frio. Já passara do meio dia quando as gaivotas já não aplainavam aquele lugar, alguns pescadores a fitava de longe sabendo que algo de pior poderia ter acontecido. Começou a chuviscar, molhar cada milímetro daquele píer, se a chuva não apertasse seria um alivio, mas ela apertou fazendo poeira no ar.

- Querida venha, ficará doente se continuar aí. – Disse uma mulher próxima a ela.

- Eu o espero sempre que ele volta do mar, e hoje não será diferente. – respondeu Claudia apesar da longa espera ainda muito otimista.

- Não seja tola menina. O mar está revolto impossível eles atracarem. – justificou a mulher.

 

 Cláudia sem responder continuou lá, a sua fé era tão grande, que por sua certeza poderia desfazer qualquer maldição ou encanto. Agora já era tarde, não poderia fazer mais nada, a única coisa que lhe restava era voltar para casa. Cláudia caminhou em passos lentos, e a cada gritou no píer ela pensara ser o Marcos e o seu coração se enxia de emoção, mas quando checava com o olhar, a sua decepção tomava o lugar.

 Dois dias depois e nada do Marcos voltar, ela então se esforçava a lembrar de cada palavra dita por ele durante esses cinco anos de união. Claudia e Marcos sempre foram muito juntos, juravam e juravam amor eterno, viver sem o outro era algo impossível, mas a Claudia hoje soluça por cada minuto sem ele. A sirene soou Claudia então, correu para o porto, as suas pernas não conseguia correr de acordo com a sua vontade e por isso, vários tombos foram vistos, mas se refazia após cada um. Assim que chegara ao píer, era tudo mentira, não era o pesqueiro do Marcos, e sim um teste de rotina feito pelo técnico.

 

 Claudia então, sentou-se à beira do mar e deixou que as suas águas lavassem os seus arranhões, pois quem sabe, ele não perceberia que a amada do Marcos o esperava e o devolvesse enfim.  Entretanto, não seria tão fácil assim, o mar não se contentava com pouco sempre queria mais daquele que o desafiava, Claudia decidiu então naquele dia entrar mar e ir atrás do seu amado, não sabemos o que de fato acontecera por que ninguém mais soubera do Marcos e da moça Claudia.

 

Fim.

 

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