Milagre - por Mirian M. de Oliveira

Milagre - por Mirian M. de Oliveira

MILAGRE

 

MIRIAN MENEZES DE OLIVEIRA

 

A história não se constitui em testemunho religioso, nem possui o objetivo de ser algo engraçado! É certo que uma risadinha ou outra, sempre é inevitável. Mas tudo isso aconteceu, eu juro!

Esta quem me contou foi uma vizinha: senhora de oitenta anos, forte, dinâmica... responsável por pequenas excursões religiosas.

Há muitos anos, D. Ana faz isso e, nas modestas peregrinações organizadas, o sucesso sempre foi a tônica.

Participei de algumas e gostei muito, entretanto, por força do destino, dessa excursão, em especial, não participei, nem mesmo como personagem  secundária ou figurante.

Que pena! Ou seria, que sorte?!

Que pena, mesmo! A experiência foi transcendental, segundo o que D. Ana me contou.

Avante nesta narrativa:

_ Saímos bem cedinho, no domingo passado. Como não consegui lotar um ônibus, fomos de VAN, mesmo! Ainda bem que nosso amigo motorista arrumou um colega substituto, porque a romaria já estava acertada e, no dia, ele teve uma tremenda dor de barriga. Sentimos falta dele e tudo o que tinha que acontecer, aconteceu naquele dia. Ainda bem que, no fim, tudo deu certo. Posso dizer que aconteceu um milagre, afinal de contas, estamos vivas e saímos sem um arranhão.

_ Como assim, D. Ana?! – já estava curiosa.

_Sabe como é, “né”?! O motorista era novo nesse tipo de viagem e nossa rotina se alterou um pouco.

_Continuo curiosa!

_Arre! Você já participou de minhas excursões! Sabe como funciona: levamos lanchinhos, “batemos papo”, damos risadas, mas nunca deixamos de realizar nossas orações. O outro motorista já está acostumado com isso!

_ Sim, mas o colega dele se incomodou com alguma coisa? E esta história de saírem vivas? Explique melhor D. Ana.

_O rapaz era bonzinho e fez o máximo que pode, para nos agradar. Acredito apenas que ele se sobrecarregou de serviços, nos últimos dias e o problema veio daí.

_ E...

_Acontece que o dia começou complicado. Não foi culpa dele, que, pelo contrário, foi muito gentil. Disse até que, se não nos importarmos, deseja viajar mais conosco.

_(?)

_Acontece que o moço estava atento à estrada, mas com certo sinal de cansaço. Apesar de ter disfarçado muito bem, no início. Se eu soubesse que ele havia trabalhado a noite toda, jamais teria aceitado que nos conduzisse naquele dia.

_Por favor, D. Ana... Adoro contar e ouvir histórias, mas esta, particularmente, está instigando meu desejo de chegar logo ao desfecho.

_Pois bem! Conforme disse, não alteramos nossa rotina e, no momento da oração, pegamos o terço e iniciamos as contemplações. Todas estávamos concentradas nas ave-marias e lá pela metade do terço, tudo ficou verde, como se estivéssemos numa parte do paraíso. As belas folhagens tinham entre um metro e meio e dois metros. Não ouvimos qualquer barulho diferente, ou sentimos movimentos bruscos. Como o veículo parou, tratamos de descer entre as folhagens e entender o ocorrido. Não vimos S. Pedro, com a chave do Paraíso! Onde estávamos?

_(...)

_Foi, exatamente, esta cara que você está fazendo agora, que fiz no momento. Olhei para nosso amigo motorista, assustada, e ele estava branco como uma cera. Perguntei o que havia ocorrido e ele disse que não sabia explicar.

_Oh, meu Deus! Dormiu no volante?!

_Não sei se dormiu, ou se “repousou no Espírito”... Só sei que após nossas repetidas orações, ele entrou na moita, no meio da rodovia, que estava deserta e, por sorte, o carro estava em baixa velocidade! Tudo em questão de “segundos”.

_Nossa! Que sorte!

_Sorte?! Isso é o que chamo de milagre!

_E depois?

_Depois, ele nos confessou que não dormiu à noite e emendou o trabalho na estrada!

_Pôxa! Milagre, mesmo! E a senhora parou com as viagens?

_Parei, nada! Continuo com força total, entretanto nunca me esqueço de dar um café sempre bem reforçado a qualquer motorista que nos acompanhe e de realizar uma entrevista prévia: (dormiu à noite?). Sabe como é, não?! Deus faz o milagre, mas cada um deve fazer sua parte.

_Com certeza, D. Ana!

_Afinal de contas, todo mundo quer o paraíso, mas ninguém quer morrer!

Grande e sábia D. Ana!

O que foi? Não acreditam na história?

Posso deixar as reticências para finalizar (...), ou o benefício da dúvida...

Mas que foi milagre, foi!

Observação: Qualquer semelhança com fatos verídicos é mera coincidência, ou não!

 

 

 

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