Nas páginas de um livro... - por Daniela Gebelucha

Nas páginas de um livro... -  por Daniela Gebelucha

Nas páginas de um livro...

 

Numa tarde chuvosa de inverno, aquecido pelo fogo da lareira, Júlio estava sentado em sua cadeira de balanço saboreando o vinho que há muito tempo estava guardado na despensa.    Estava acostumado com a solidão, viajava em seus pensamentos, relembrando os tempos de outrora, da juventude que passara tão depressa, dos bons amigos que se perderam com o tempo.

Suspirou intensamente, a fumaça do charuto, lhe dava a sensação de alegria e de paz. Sentia que o peso da idade, já se acusava através de algumas dores musculares, por ora pensou no final de sua vida, ficou meio embaraçado, pois aquele dia, diferente dos outros, não sentira vontade de ler! Mas ao olhar para aquela estante de madeira, corroída pelo tempo, sentiu vontade de examinar as obras que ali estavam guardadas.

Levantou-se e foi até ela, vira que tinha um dentre tantos livros que não lera em nenhuma ocasião. Tomou-o! Ao folhar as páginas, já amareladas, tentava lembrar-se de onde comprara tal livro. Sua mente traiçoeira não lhe permitia recordar!

Com o livro em mãos, voltou a sentar-se! E, folhando as páginas, encontrara uma carta! Estava velha, e nunca abrira! Cuidadosamente, fora abrindo! Já tenso em saber o que tal carta continha, começou a lê-la:

“Querido Júlio,

Não sabes a tristeza que sinto em escrever-te,

Sei que talvez não entenda, mas leia a página 79 deste livro!

Esperarei!

Ana!”

Ansiosamente, Júlio folhou as páginas, até que, página 79, começara a ler. Nela falava de uma moça que, por amar um homem não digno de seu amor, fora obrigada pelos pais a deixar sua casa e ir para um mosteiro.    A moça apaixonada, fora conduzida para tal lugar permanecendo a espera do amado, ao qual deixara o livro.

Só naquele momento, Júlio conseguira entender porque Ana o deixara, sem nenhuma explicação, recordara que quem lhe dera aquele livro foi o irmão de Ana, dias após sua partida, e tomado pela raiva, largou aquele livro na estante, sem coragem de lê-lo.

A fumaça do charuto parecia estar triste, e a tristeza tomava conta de seu ser, sua vida poderia ser diferente, se fosse mais corajoso. A luta consigo mesmo foi difícil, pois não conseguia se perdoar.

Resolveu então, procurar Ana. Encontrou o mosteiro, a ansiedade e o medo tomavam conta do seu ser. Mas, não desistiu. Ao entrar, soubera que Ana havia falecido há poucos dias e que ela passara toda a sua vida esperando pelo amor, que um dia viria buscá-la!

 

Daniela Gebelucha

 

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