Neide Brasileiro - Entrevistada

Neide Brasileiro - Entrevistada

Nascida em 1964, filha de comerciantes, a quinta entre sete irmãos, morou na Freguesia do Ó, Zona Norte da cidade de São Paulo, e ainda criança mudou-se para Cajamar, na Grande São Paulo. Uma cidade ideal para desenvolver a sua imaginação.

Estudou Publicidade e Propaganda na FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado) e, depois de formada, seguiu em direção ao seu sonho: atuar na área de moda. Durante doze anos foi empresária no ramo, até que, com a chegada do terceiro filho, o instinto materno foi maior e decidiu abandonar tudo para se dedicar apenas aos filhos.

Muitas histórias surgiam no momento em que os filhos iam dormir, sempre com lições e aprendizados. Para a autora, o poder dessas histórias reforçava-se todos os dias, quando via que seus filhos guardavam cada uma dessas lembranças e lições. Assim, decidiu colocar tais narrativas no papel, afinal histórias e livros são capazes de tudo, principalmente de formar uma corrente para o bem, com crianças, adultos e pais felizes, integrando assim toda a sociedade. Em 2010, escreveu seu livro de estreia, A Fazenda Girassol. Hoje já são 14 histórias infantis (sete publicadas e outras sete a publicar), um romance e uma coletânea de contos (ainda em andamento).

“Construí a história de uma mulher, Ângela, que, após descobrir que corre o risco de perder a memória e com medo de que isso realmente aconteça, começa a escrever sua vida em cadernos. Os cadernos despertam a curiosidade de Mário, seu motorista, o único que sabe que eles existem e onde ficam guardados.”

 

Boa Leitura!

 

SMC - Escritora Neide, é um prazer contarmos com a sua participação no projeto Divulga Escritor. Conte-nos: o que a motivou a ter gosto por textos infantojuvenis?

Neide Brasileiro - Eu desde pequena desenho naturalmente, porém nunca achei que isso poderia se tornar uma profissão. Em abril de 2010, resolvi estudar as formas e a anatomia do desenho e, quando tracei um corpo completo de uma menina, pensei em dar vida a ela. Foi aí que escrevi a minha primeira história, A Fazenda Girassol.

 

SMC - Que temas você aborda em seus textos literários?

Neide Brasileiro - Vários. Já escrevi sobre família, amizade, natureza, aprendizado, diversão. Eu imagino um personagem, depois o crio, trago-o para a realidade e a partir daí os temas aparecem. Por exemplo, se eu imaginar uma menina, construo o seu perfil, depois o tema em que ela será inserida, ou seja, ela sai do imaginário para o concreto. Além disso, ao criar tento fazer personagens que tenham alguma utilidade para essa época contemporânea de efervescência.

 

SMC - De forma resumida, qual a mensagem que você quer transmitir ao leitor através de seus livros infantojuvenis?

Neide Brasileiro - Para responder a essa pergunta, trago algumas de minhas narrativas, acho que elas ilustram bem essas mensagens:

 

Cadê o Joãozinho?, por exemplo, fala de amor, educação e cumplicidade entre mãe e filho.

 

Carmelo, o Dino (Volume I) é o primeiro livro de uma série em que serão lançados 12 livros. Um cientista acha em uma caverna um ovo de dinossauro e o traz para seu laboratório, porém um dia sem querer este vai parar em um quintal de uma família. Lá o dino Carmelo viverá aventuras como um bicho de estimação.

 

 A Fazenda Girassol é uma história de amizade entre pai e filha. Através da plantação de girassóis, vemos o ciclo da vida.

 

A Ovelha e a Coruja conta a história de uma ovelhinha curiosa que, com a ajuda de uma coruja, descobre que nunca estamos sozinhos ao desbravarmos novos caminhos.

 

A Borboleta Azul é uma história de esperança familiar, para que as famílias, na hora da necessidade, não se desesperem e que cada membro sinta que o amor familiar é o maior bem que existe. É uma hitória baseada em algo real. Após ver uma reportagem sobre os órfãos sobreviventes do terremoto que aconteceu no Japão em 2011, eu abri o computador e a escrevi.

 

O Touro Valente é a história de um tourinho que desvia do caminho que a mãe lhe ensinou. Porém, após o amadurecimento do filho, a mãe percebe que seus ensinamentos e sua dedicação não foram em vão.

 

SMC - Em que momento você pensou em escrever um romance?

Neide Brasileiro - Eu, em abril de 2010, como já disse, tinha escrito minha primeira história infantil e a achei linda! Nunca havia escrito nada. Eu estava “me achando” rsrs. Pura prepotência minha, mal sabia eu onde estava enfiando as minhas mãos e a minha cabeça. Então naqueles dias a empolgação foi tanta que já me achei escritora e pensei em escrever um romance daqueles lindos, em que dá tudo certo. Mas não achava a veia. Em dois meses, sempre que eu tentava criar o par romântico só vinha o veio, que sempre me arranhava. Falo assim porque já fiz um curso de marcenaria e, quando na madeira tem o veio, ou seja, a lasca, a gente tem que lixar até que a madeira fique uniformemente lisa, a ponto de a pele deslizar sem freio. Eu fiquei lixando as ideias. Imaginava uma história, em seguida cortava o pensamento e desistia. Porém, um dia, quase à noite, fui à banca de jornal comprar uma revista de História. Eu sempre quis estudar História, saber como as coisas surgiram: civilizações, guerras, invenções, etc. Quando eu estava em frente à banca apareceu uma mulher pegando duas ou três revistas. Ela parecia entender do assunto. Então perguntei a ela se poderia me indicar uma revista, e ela disse “pega essa que é muito boa”. E continuou a falar: “sou professora, sofri recentemente um acidente de carro e as minhas memórias antigas foram afetadas, tenho que voltar a estudar tudo de novo”. Peguei a revista, paguei, entrei no carro, vim dirigindo e pensei: “já sei, vou fazer um romance em que coisas ruins aconteçam e a pessoa saia ilesa”. Hoje dou risada ao lembrar a minha pretensão. Cheguei em casa, encostei a revista num canto e peguei o computador. Ângela acabou saindo TDI: Tenra, Densa e Intensa, com muito sofrimento. Eu  escrevi 900 páginas e dividi a obra em três volumes. E ainda não estudei História. Sei que a hora certa um dia chegará...

 

SMC - Conte-nos um pouco sobre a construção do enredo de Ângela

Neide Brasileiro - Construí a história de uma mulher, Ângela, que, após descobrir que corre o risco de perder a memória e com medo de que isso realmente aconteça, começa a escrever sua vida em cadernos. Os cadernos despertam a curiosidade de Mário, seu motorista, o único que sabe que eles existem e onde ficam guardados. Lendo amadurecimentos passados, fases de vida, angústias e felicidades, Mário descobre o amor em diversas formas e que, apesar de todos os nossos sonhos, somente o amor nos realiza por completo. Com o tempo a história alongou-se tanto que acabei a transformando em um projeto que chamei de Projeto AME – iniciais de Ângela, Mário (motorista) e Eduardo (marido de Ângela).

 

SMC - Onde podemos comprar os seus livros?

Neide Brasileiro - Nesse momento a Editora está abrindo novos canais de venda que em breve serão anunciados no site e no Facebook. Para a compra de livros impressos hoje temos o site da Editora Contemporanium e o Mercado Livre, e para os E-books temos Livraria Saraiva, iTunes, Livraria Cultura e Iba.

 

SMC - Quais os seus próximos projetos literários?

Neide Brasileiro - Tenho algumas histórias infantis prontas para serem lançadas, como O Chapéu Mágico, Carmelo, o Dino – volume II e Carmelo, o Dino – volume III. Atualmente estou escrevendo dois livros, um romance e uma coletânea com 10 contos em que os personagens acabam tendo finais felizes. Dois desses contos já estão finalizados. Acho que nesse livro estou conseguindo fazer o que não consegui no Ângela, passar algo mais leve. Quanto aos desenhos, algo que me acompanha, estou criando personagens para histórias em quadrinhos.

 

SMC - Como você vê o mercado literário brasileiro?

Neide Brasileiro - Poxa, nem me pergunte isso, essa vou passar. Mas digo que estou fazendo a minha parte.

 

SMC - Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Agradecemos sua participação no projeto Divulga Escritor, muito bom conhecer melhor a Escritora Neide Brasileiro. Que mensagem você deixa para nossos leitores?

Neide Brasileiro - Vivam, leiam. Vivam de novo e leiam para compreender a si, os outros e principalmente a vida. Só assim poderemos ser realmente felizes.

 

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