Nem sempre estamos no lugar certo - por Adriana Versus

Nem sempre estamos no lugar certo - por Adriana Versus

NEM SEMPRE ESTAMOS NO LUGAR CERTO

 

Quase que me afoguei, seu mundo de mentiras me fez discutir um assunto que nunca imaginei. Tive experiências incríveis, acompanhada de pessoas  totalmente diferentes, concorda? Quando meu mundo era cheio de impactos, dificuldades, pensava que era a única.
Fui conhecendo pessoas que jamais imaginava que existisse...  Uma vez, uma senhora me falou:
             - Cuidado, menina! Jesus tem morador que nem ele mesmo sabe.
Fiquei pensando naquelas palavras. Será!
As ruas eram largas, bairro novo, muita conversa. Pessoas de todos os lugares. E quando você chega para morar em um bairro novo, casa nova, tudo é novidade...  Meu plano era crescer na vida profissional, só que ainda estava conquistando. Era muito nova, sozinha, batalhando o pão do dia a dia. Tudo inspira cuidados conversas, amizades. São detalhes perigosos que você tem que enfrentar no decorrer da sua vida.
Ainda bem que pertinho tinha um mercadinho, muito bom para comprar alguma besteiras que faltassem. Um dia me deparei com uma cena horrível. Um  rapaz de seus trinta anos discutia com a esposa. Ele reclamava que ela estava gastando muito. Ela bem agressiva, mandando ele se calar e até mesmo usando palavrões. Em determinado segundo, não sei bem o que houve. Ele disse:
             - Cala a boca ou eu vou te quebrar todos os dentes...
Estarrecida com aquilo, fingi que estava esperando alguém. Na realidade, fiquei esperando o desenrolar daquela  besteira...  Ela tira um produto da sacola e joga nele. Bateu numa criança que ia passando com uma senhora. Então a coisa ficou preta. A senhora ficou braba, deu um escândalo e o esposo dela, que vinha atrás, quando viu a criança sangrando, ficou sem entender nada. Ele não viu o ocorrido e perguntou à esposa. Ela apontava em minha direção e ele sem entender.
             - Cala a boca, para de gritar e me explica o que aconteceu...
             - Jogaram uma lata ai, não sei de onde veio e bateu nela.
Ele olhou para o casal e perguntou:
             - Vocês viram de onde veio a lata que jogaram? Cortou o braço da minha filha.
             - Não vimos.-respondeu o esposo da moça que jogou a lata.
             - Foi ela... -respondeu a esposa dele, apontando para mim.
             - Eu?!!!
Lá vem o homem em minha direção. Me vi em uma saia justa e pensei; como vou sair desta? Ele parecia um siri dentro de uma lata. Fiquei desesperada mas, por sorte, uma senhora que estava lá dentro do mercadinho observava e veio em direção ao homem, gritando:
             - Senhor...  Não foi a moça, foi a esposa dele.
De repente, fiquei aliviada e disse:
             - Ao invés do senhor está procurando mais problemas, leve logo sua filha ao médico.
Ele não quis conversa, partiu para a mulher e o esposo dela não deixou. Foi um bate boca e acabamos todos na delegacia. Eu, os dois casais e a senhora que estava no mercadinho.
             - Eu sou inimiga de injustiça. Não iria deixar a moça ser agredida. Se ela não jogou a lata, quem jogou foi esta aí no esposo dela, estavam brigando...
             - E você, porque não disse logo, moça ?
             - Não senhor, eu não ia lhe dizer. Seria diferente, era provocar briga de dois homens, que nenhum tinha culpa. E poderia acabar em coisas piores.
             - Se não fosse a senhora, você tinha levado a culpa ou até mesmo apanhado. -disse o delegado para mim.
             - Eu não assumi nem omiti. Só queria evitar a violência que poderia se gerar entre os dois...  E a mentira inflama, retarda a mente de quem a produz. Eu iria convencer que não tinha sido eu, mas, graças a Deus, a senhora viu e falou a verdade. Aproveitando a deixa, eu mesma me dei uma lição. Se tivesse entrado para fazer minhas compras, nada disso teria acontecido. Quem se preocupa com a vida alheia, acaba se prejudicando...  E o esposo da mulher que jogou a lata mostrou que é igual a ela. Ficou calado, deixando o barco correr, não falou nada. Se não fosse aquela senhora, algo de ruim poderia ter acontecido.
Isso que esta senhora fez foi senso de justiça. A verdade deve, sempre, ser dita, independente das circunstâncias.
Depois da devastação feita, eu fui para casa, na tentativa de me refazer. Lentamente, fiquei martelando que viver é uma arte mesmo. Tudo pode mudar num passo de mágica - aquele tsunami - de repente poderia ter se voltado contra a mim.

 

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