Noite de Natal - por Fernanda Comenda

Noite de Natal - por Fernanda Comenda

NOITE DE NATAL

 

Era uma noite muito fria. A chuva caía intensamente. Não se via ninguém na rua.

No entanto, começou-se a ouvir um choro. Era um som de grande tristeza. Era um som que parecia de uma criança demasiado magoada pela vida…

As janelas das casas do bairro estavam fechadas, apenas se viam numa ou noutra janela uma nesga de luz. Aquele som parecia vir de alguém que estava na rua. Cristiana que tinha aberto um pouco da sua janela para se certificar do mau tempo, teve a nítida sensação de ouvir aquele som, aquele choro que parecia de uma criança. Ficou curiosa e preocupada. Decidida, calçou as suas botas, vestiu uma gabardine, agarrou num chapéu de chuva e lá foi para a rua.

Cristiana percorreu as pracetas do seu bairro, seguindo o som e encontrou uma menina sozinha debaixo das arcadas de um prédio.Esta estava completamente encharcada . Cristiana perguntou-lhe o que lhe tinha acontecido e a resposta foi que não havia comida em casa para ela e para os seus dois irmãos e ela não aguentou o sofrimento dos seus manos saindo assim para procurar alimentos, mas onde e como poderia encontrar comidinha, se não via ninguém e com tanta chuva, o que poderia fazer? Cristiana disse para a menina ir com ela a sua casa, pois dar-lhe-ia de comida para ela e para os seus irmãos. A menina acompanhou-a e feliz levou comida para casa.Cristiana soube que os pais da menina passavam muitas horas a trabalhar.

    O tempo foi correndo e Cristiana nada mais soube da menina.

    Um dia, nas vésperas de Natal, quando Cristiana fazia as suas compras,viu numa esquina a menina daquela noite de tempestade, a pedir esmola. Dirigiu-lhe palavra e perguntou-lhe como ela estava. A menina com as lágrimas a correrem pelo rosto disse-lhe a soluçar que os seus pais tinham ficado desempregados e que o pai estava muito doente. A mãe trabalhava a dias como empregada doméstica, no entanto, o dinheiro não chegava para sustentar as suas três irmãs, ela e os pais. A menina, Sílvia, como se chamava , disse ainda que via o esforço que a sua mãe fazia para dar de comer, vestir e educar as suas manas e a ela própria e ainda pagar os medicamentos do seu pai, por isso, sem ela saber resolveu pedir esmola pois estavam todos a passar por muitas dificuldades, mesmo fome!

    Cristiana ficou atónita, as lágrimas saltaram-lhe dos olhos. Tirou da sua carteira 50 € e pediu a Sílvia que fosse para casa.Confirmou a morada da menina.

    Nessa tarde, Cristiana contactou a associação da paróquia, a assistente social, e com a ajuda de todos os elementos da associação organizaram um grande cabaz de Natal com muitos e bons alimentos, e um saco com brinquedos e livros de histórias.

    Por volta das 19h, Cristiana vestida de Pai Natal, dirigiu-se para a casa de Sílvia com o cabaz e saco. Tocou à campainha. A mãe de Sílvia abriu a porta e admirada nada disse, apenas olhava.

- Oh, oh, sou o Pai Natal e venho entregar as prendas!...

    Toda a família veio à porta. Cristiana entregou as prendas. Sílvia reconheceu Cristiana pelos olhos. Pediu à mãe que ela entrasse. Abraçou-a e disse:

- Não és um verdadeiro Pai Natal mas és um verdadeiro Anjo! Obrigada, minha amiga!

- Cristiana respondeu, eu posso ser um anjo mas tu minha amiga és o melhor dos anjos que conheço!

     Cristiana entregou também uma carta aos pais de Sílvia com indicações de como obterem ajuda.

     Cristiana, após os agradecimentos disse-lhes que esperava ansiosamente  que a sociedade melhorasse porque todos os cidadãos têm direito a trabalho e pão!

                                                                                     

 

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