Noites sem fim - por Elisa Pacheco

Noites sem fim - por Elisa Pacheco

Noites sem fim

Noite quente, calor intenso, não há sinal da brisa do vento. Ouço o tilintar das ondas do mar. A praia está deserta, minha insônia é incerta. Pisco os olhos incessantemente, debruço-me sobre as grandes janelas brancas, sonho acordada, ainda há esperança.

Avisto uma sombra, um estranho vulto se aproxima, minhas mãos ficam trêmulas, suadas, sinto um arrepio, será meu capitão do mar que partiu? Ascendo as velas, permaneço na espera... Escuto passos, pessoas rindo, um casal de namorados caminhando entrelaçados. Coço os olhos, pensei que fosse meu bem amado.

Sua fotografia exposta na estante, faz me recordar seus tempos de militante. Sempre foi um grande aventureiro, um sonhador, um viajante! Sozinha na madrugada, por muitas noites esperei por sua chegada. Fixava o olhar no horizonte, mas não via nada. Por certa vez, avistei um navio passar... Fiquei corada, sentindo o coração palpitar, crente, ajoelhada, em silêncio para não gritar. Mas ele foi embora, juntamente com as ondas do mar.

Caminho de lá pra cá, não sinto o tempo passar. Pálpebras pesadas e meu marinheiro distante de sua amada. Preferia que fosse um mero pescador, assim não haveria mais tédio nem dor. Ao entardecer sempre estaria na companhia do meu amor.

Na penumbra, a meia luz, o sono vem e me seduz. Mas o corpo estremece, deito, viro, rolo, nada me apetece. Tento adormecer, pois somente em meus sonhos, meu bravo amante aparece. O calor aumenta, o suor me aquece. Tomo água, molho o rosto, amarro os cabelos e até chupo gelo. Nada adianta, é a ausência dele que me desencanta. Mais uma noite sem fim, até meu marujo voltar pra mim. E todos os dias é a mesma história, sua doce lembrança não sai da minha memória. 

 

 

 

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