Nossos Velhos - por Antônio Eustáquio Marciano

Nossos Velhos - por Antônio Eustáquio Marciano

NOSSOS VELHOS

 

Para alimentos comprar

Ou roupas adquirir,

Pra ir à farmácia, a um bar,

De casa eu tenho que sair.

 

Se vou comprar pão ou leite,

Bolo, manteiga ou café,

Se preciso buscar azeite

Na padaria do Zé.

 

Pois tenho osteoporose,

Gota serena, reumatismo,

Hipertensão e artrose,

Bico de papagaio e botulismo.

 

Se preciso ir à feira,

Alguma verdura comprar,

Só existe uma maneira:

Na rua tenho que andar.

 

Pois a saúde pede chá

De alfavaca, de alecrim,

Ou mesmo de jatobá,

De flor-do-campo ou jasmim.

 

Velho tem que comer melão,

Maçã, pera e abacaxi.

Também faz falta o mamão,

O abacate, o morango e o caqui.

 

Roupa nova é coisa rara,

Nem motivos pra isto tenho.

E também ela está cara.

Mas vez ou outra a obtenho.

 

Isto tudo é pra falar

Que idoso sai às ruas,

Atravessa devagar,

Sem forças nas pernas suas.

 

Ora, o automóvel é potente,

Com um insensato ao volante,

Que dono da rua se sente

E vira perigo constante.

 

Tem faixa branca pintada

Pro pedestre atravessar,

Mas pessoa debilitada

Não consegue confiar.

 

Quando dono do mundo eu for,

Quero uma lei sancionar:

Os velhos, senhora e senhor,

Serão seres a se respeitar.

 

Se um carro encosta em um ancião,

Seu dono já estará condenado

A perder, sem apelação,

Sua licença de malvado.

 

Terá que andar a pé

E por todos ser notado,

Por ter um dia, sem fé,

Um velhinho atropelado!

 

 

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