O 11 de setembro e a grandiosidade de nossa insignificância - por Téia Camargo

O 11 de setembro e a grandiosidade de nossa insignificância - por Téia Camargo

O 11 de setembro e a grandiosidade de nossa insignificância

 

            Passados quinze anos do ataque terrorista às icônicas torres gêmeas que dominavam a paisagem de Manhattan, ainda é possível nos impactarmos com o tamanho da destruição física, psicológica e moral que o incidente provocou.

            Por trás de cada uma das janelas daqueles imponentes prédios envidraçados discutiam-se grandes negócios, traçavam-se geniais estratégias competitivas e lutas ferrenhas eram travadas em busca da conquista das melhores práticas administrativas que levassem os cinquenta mil empregados das quatrocentos empresas representantes de vinte e cinco países distintos ao perseguido e almejado sucesso.

            Possuir um endereço comercial no complexo dos sete prédios do World Trade Center significava status, poder e visibilidade para qualquer empresa internacional. Cumprir expediente nas torres gêmeas era o sonho da maioria dos executivos do mercado financeiro, não importava a nacionalidade.

             Quantas noites de insônia, humilhações, ódio, orgulho, intrigas e ressentimentos caminhavam de mãos dadas com comemorações e sorrisos de felicidade pelos corredores dos cento e dez andares de cada uma das duas torres.

            O que passava nas mentes e corações de cada um daqueles que lá estavam nos instantes que antecederam à transformação do cartão-postal de Nova York num palco de horror inimaginável? Jamais saberemos, mas o retrato de nossa insignificância como ser humano permanece estampado nas imagens, nos relatos dos documentários e nas histórias indignas.

            Num instante havia gente ocupada e preocupada com seus afazeres sem imaginar que ao seu encontro se dirigia o destino em forma de terror. No instante seguinte havia gente intoxicada, traumatizada ou imortalizada numa estatística sinistra de quem sequer chegou a ter sua identidade identificada em meio à fumaça, ao fogo e ao monte de escombros de concreto e ferro retorcido.

            E como a banalidade de sermos humanos não tem limite, policiais, bombeiros e operários envolvidos na demolição do complexo foram acusados de furto dos objetos e pertences das vítimas dos prédios que restaram de pé, interditados e trancados com tudo o que havia dentro. As lojas da vizinhança foram saqueadas e tornou-se um escândalo sem precedentes o carro de bombeiros soterrado, encontrado durante a operação de limpeza, sem ninguém dentro, mas repleto por dúzias de calças jeans que haviam sido furtadas das lojas do shopping center do subsolo do WTC antes que as torres desabassem.

            Num instante havia a mais absoluta certeza de que heróis arriscaram a própria vida salvando a vida alheia. No instante seguinte havia o estrago irreversível da imagem dos bombeiros e a pavorosa constatação de que episódios como esse ocorreram em maior número do que o mundo desejava conhecer.

            Questionamentos e formulações de teorias da conspiração ecoam o tempo todo, por toda a parte. Especulam-se motivos e razões, conjecturam-se consequências e prejuízos e elaboram-se toda sorte de investigações que possam levar às respostas que permeiam o imaginário coletivo.

            Em verdade, a queda das torres gêmeas expõe a face cruel, vulnerável e ignóbil da raça humana e nos reduz ao estado de pequenez do qual não deveríamos nos afastar.

            Tanto faz se rico, chique, poderoso e invejado ou o contrário de tudo isso, jamais saberemos o momento exato em que nossa trajetória será interrompida.

            Resta-nos tentar pavimentar o caminho com revestimento sólido para que nossas pegadas possam ser observadas com admiração e respeito por quem vier depois de nós, após termos dado nosso último passo.

           

            Téia Camargo

 

           

             

 

 

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