O Advogado de Cristo - por Tito Laraya

O Advogado de Cristo - por Tito Laraya

 

O ADVOGADO DE CRISTO

 

         Um advogado, examinando os textos evangélicos sobre o julgamento de Jesus Cristo, resolveu nas horas vagas, no tempo ocioso, um estudo sobre o julgamento do salvador.

         A primeira coisa que fez foi separar os Evangelhos que tratavam sobre o assunto e compara-los. Notou então, que havia divergências no que se refere à descrição de fatos: o que um falava era ligeiramente diferente do outro, apesar de, em síntese, dizerem a mesma coisa.

         Interessava o estudioso especialmente em detalhes, visto que em tais poderia compreender, e quiçá elucidar, esse que foi sem dúvida, o mais importante julgamento da história. Mas viu também que nos detalhes havia contradições factuais, pois o julgamento dividia-se em duas partes: um julgamento religioso, perante o Caifás, no Sinédrio, e um julgamento político, perante Pôncio Pilatos, o governador romano.

         Lembrou-se. Então, que Israel estava sob o domínio de Roma e. assim sob a égide do Direito Romano. Portanto fazia sentido o julgamento perante Pôncio Pilatos. Mas, em Roma existiam advogados, onde estava o advogado de Cristo? Será que ninguém, nem mesmo um dos apóstolos, se levantou para defendê-lo?

         Levou a sua pesquisa e conclusões a um padre, pois não queria correr o risco de heresia, não era hora para isto. O padre, tomado de sobressalto, pede-lhe uma semana para estudar o assunto. Decorrido o prazo, declara que o Evangelho de São João, o mais complicado e complexo, era o Evangelho da Igreja.

         Bom, o problema dos evangelhos estava resolvido, mas e o advogado de Cristo? Não houve, segundo a Igreja, grave falha processual, e decidiu: Vou escrever uma monografia sobre o assunto!

         Procurou mais livros na Biblioteca e iniciou a árdua tarefa de escrever a monografia, pensando consigo: “Se Jesus Cristo não teve advogado até hoje, nunca é tarde para conseguir um. Serei o advogado de Cristo.”.

         Durante todo tempo que dedicou à monografia foi criticado, ridicularizado, mas manteve-se tranqüilo. Elegera-se advogado de Cristo.

         Ao terminar o opúsculo, tomou os cuidados de praxe: levando-a para análise crítica de professores de direito Romano das duas melhores faculdades de Direito. Para sua felicidade, o professor da Faculdade Católica elogiou o trabalho e falou até na publicação pela Santa Sé.

         Bem, esse seria um segundo passo. Levou o livro à editora da Cúria, a qual passando o prazo declarou-se não interessada na publicação.

         O seu castelo de cartas ruiu. O que teria ocorrido?

         Estava a degustar a derrota, quando lhe chegou às mãos um compêndio sobre os Evangelhos Apócrifos.

         A Igreja possuía uma enormidade de textos bíblicos. Em Nicéia, no ano 325, dera-se a separação dos Evangelhos Canônicos e Apócrifos. Numa obra intitulada “Libelus Syndddictis” um autor anônimo apresenta uma versão como se deu o milagre da sua eleição: estando os bispos em oração, os Evangelhos Inspirados foram por si só colocarem-se em um altar...

         Outra versão diz-nos que todos os Evangelhos foram colocados no altar e os apócrifos caíram; outra mais afirma que o Espírito Santo entrou em forma de pomba no recinto do Concílio, através de uma vidraça. Sem a partir, e foi pousando no ombro direito de cada bispo, cochichando aos seus ouvidos os evangelhos que havia inspirado...

         Sabendo que não adiantava ater-se à forma com que foram inspirados, leram-os todos. O cômico da situação é que nestes textos encontrou o Evangelho de Nicodemus, onde encontrou apóstolos testemunhando a favor de Cristo e o próprio Nicodemus como seu advogado.

         Na descrição do texto apócrifo aparece um Tribunal e um julgamento com todas formalidades e detalhes tão peculiares na Justiça. Nos Evangelhos inspirados aparece o próprio Nicodemus como doutor da lei.

         A partir daquele dia aprendeu a carregar a dúvida entre o ser, o que parece ser e o que deve ser.

                   E a verdade?

 

 

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