O Beijo - por Adriana Freitas

O Beijo -  por Adriana Freitas

O BEIJO

 

Dizem que o beijo é o maior momento de intimidade. Não concordo. O beijo é o primeiro passo. É a porta de entrada. É o primeiro teste. É a verificação do que pode vir depois. Tudo começa em um beijo. Ele tem que casar. Tem que ser perfeito. Um beijo mal dado fecha portas. Encerra uma história que nem começou. Antes do beijo existe o olhar. O paquerar. Você se agrada daquela pessoa. Conversam. E se rolar uma sintonia, aí o beijo surge, depois daquele silêncio proposital. Quando as palavras se encerram. Quando elas atrapalham e são desnecessárias. Aí o beijo vem. A princípio tímido; vagaroso. Olhares são trocados, sorrisos são dados. Então o beijo ganha força, intensidade. Ocupando todos os espaços. O tempo muda. O cenário se transforma. As pessoas ao redor são esquecidas. O beijo protagoniza todo o enredo. Abrindo as portas para o que possa vir depois. Incitando a imaginação. Enchendo a cabeça de ideias. Preparando o corpo para o próximo passo.

E quando o beijo não casa. O que fazer? Quando o beijo é apenas apreciado por um? Quando tudo se dessincroniza. Os lábios não se entendem. As línguas não se comunicam. Não existirá segundo passo. A imaginação perde as forças. Tudo o que se pensa é em sair daquele beijo. Separar os corpos. E ir embora. Às vezes nem dá tempo de se inventar uma desculpa convincente. O que se quer mesmo é fechar todas as portas. Não continuar com aquele beijo. Lavar a boca. Seguir em frente. Não olhar pra trás e se esquecer daquela língua que discordou da sua.

O beijo é uma via de mão dupla. Uma faca de dois gumes. Ele é a prova de fogo. É o abrir e fechar portas. É ele quem vai dar o pontapé inicial ou final. O beijo nunca deve ser subestimado, negligenciado, desacreditado. Se não for para ser curtido em toda a sua intensidade. Se não for com aquela vontade de entrega, o desejo intenso de se pegar fogo, é melhor nem começar. A decepção será certeira. Não haverá segunda chance. Beijo bom é aquele que não dá vontade de parar e quando acaba se quer mais. Fica aquele gostinho bom na boca. A pessoa ri só em lembrar. E quando isso acontece. O resto flui naturalmente. Um se torna dois. Ou dois se torna um. Não importa. O que importa é a vontade de ser continuar.

 

 

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