O ciclo da vida - por Glauce Leite

O ciclo da vida - por Glauce Leite
O ciclo da vida
 
 
 
Não deveria ser assim, mas o é. Aquela que desde a juventude não reluz de uma sensualidade natural talvez por não a possuir, ou não descobri-la em si ou simplesmente por julgá-la mais um exemplo de machismo aprofundam-se dedicadamente aos estudos e claro, tornam-se líderes, intelectuais, exemplos e até presidentes, ops...
 
Silvia não era feia nos moldes de hoje, teve vários namorados, chegou aos 25 anos a ser desputada por alguns deles provocando abalos..., mas também não era uma mulher exuberante e por um acidente de percurso de sua profissão achou-se fazendo parte de um grupo mulheril daqueles, o das mulheres “insensuais”.
 
Coitada! Silvia que sempre recebia elogios a respeito de sua rasa cultura, porém um pouco mais gorda que a dos outros que convivia, até mesmo porque estes não faziam parte de seu ramo profissional o das ciências humanas que exigia um esforço intelectual digamos mais global e menos pragmático, viu-se burra, sim burra, incapaz, desprovida de idéias convincentes, inovadoras e principalmente de uma boa oratória, pois até então nenhuma situação havia lhe exigido tal habilidade. As colegas exibiam semblantes de juventude sem paixões carnais com intensa pratica da leitura e estudo. Estas recebiam Silvia com educação, apenas.
 
O grupo tinha a prática de compartilhar seus últimos feitos, suas práticas. Era um festival de vaidade intelectual, já que a física elas haviam esquecido. Não havia, talvez, a intenção de aparecer como dizia meu pai, mas para Silvia aquilo soava como uma verdadeira afronta, provação.
 
A bela não teve saída, matriculou-se numa especialização MBA, não por total necessidade, mas para garantir-lhe um pouco mais de segurança e elevar sua auto-estima intelectual.
 
Dois anos depois, já bem quista e respeitada, admirada e até invejada por alguns, digo, por algumas “inveja é coisa de mulher” na empresa, Silvia estava com exatos dez quilos a mais, com a taxa de colesterol proporcional ao salário que deu saltos inesperados naquele último ano. O casamento ia bem, obrigada! Mas o marido já não elogiava mais os pijaminhas novos que passaram de shortinhos para moletonzinhos.
 
Ela nem percebia que tornara-se outra mulher. Sorria menos, porém sentia uma segurança que jamais imaginava. Estava feliz, família, dinheiro na poupança, saúde suficiente e sucesso profissional. Já estava até entrando num regiminho que a nutricionista indicara.
 
Numa tarde de reunião com aquelas, agora elas, a porta se abriu e uma moça esbaforida um pouco sem graça desfilou em sua frente com um jeans tamanho 36 como se estivesse em câmera lenta, no “slow motion”. Silvia sorriu e não conseguiu mais se concentrar em nada naquela tarde, mergulhou no passado desejando recuperá-lo, revivê-lo ou simplesmente relembrá-lo. O fez a reunião toda. Saiu de lá refletido sobre o ciclo da vida.
 
 
 

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