O complexo processo da Pesquisa Acadêmica - por Tânia Dantas

O complexo processo da Pesquisa Acadêmica - por Tânia Dantas

O complexo processo da Pesquisa Acadêmica

 

No campo das Ciências Humanas e Sociais, somos constantemente solicitados a pensar sobre o fazer pesquisa, pois como nos alerta Bakhtin que, diferentemente das Ciências Exatas, a coisa muda não é nosso objeto de pesquisa, mas sim o sujeito expressivo e falante. O Homem, enquanto ser falante é inesgotável em sentido e significado, é um ser que nunca coincide em si mesmo, portanto, não é possível estudá-lo independentemente dos textos signos que cria ou que poderá criar. O objeto de estudo é tomado também como aporte metodológico, pois o pesquisador, ao encontrar-se com o pesquisado, também sujeito falante, vivencia uma situação cuja interação se dá entre sujeitos, sendo a partir desta interação que se dá a participação ativa do acontecimento da pesquisa.

Assim, enquanto pesquisadores da Educação, precisamos pensar: como desenvolver pesquisas que, de fato, possam promover nas relações humanas contextos e sentidos que catalisem processo de cidadania? Quais perguntas e formulações nas nossas pesquisas instigam a busca de informação e reflexão? Como elucidar processos de pesquisa que promovam o diálogo e, por meio dele, saberes compartilhados?

Trazer o fenômeno como espaço específico de reflexão e ação, bem como objeto possível de sistematização de natureza educativa de ensino e aprendizagem é uma postura política, social, histórica, econômica, ideológica e cultural, visto que na própria Educação, o diálogo tem sido negligenciado.

            A pesquisa como conhecimento de si, como revisitar-se e reconhecer-se, leva-nos a compreender os processos de produção científica atravessados pela vida. Defendemos que o ato de criar deve ser entendido a partir de um viés valorativo, pois enquanto autor-criador, assumimos uma posição refratada e refratante, visto que o olhar que lançamos na escrita de um tema representa nossa posição axiológica, um recorte; e, a partir dessa posição, reordenamos esteticamente os eventos da pesquisa e da vida.

Diante do exposto, concebemos que problematizar permanentemente a atividade do pesquisador é um eixo das pesquisas-intervenções, pois é preciso trazer para o processo de pesquisa questionamentos da ordem das relações entre o que se pesquisa e como se pesquisa. Aí se situa o fato da pesquisa-intervenção ser defendida como uma opção política diante das formas de dominação em que há participação de práticas acadêmicas. Dessa maneira, é preciso o pesquisador estar aberto às peculiaridades dos contextos, em seus textos e em suas dimensões culturais e históricas, locais e globais; também às singularidades das trajetórias das instituições e das organizações, das pessoas e coletivos presentes direta ou indiretamente na pesquisa.

 

 

 

 

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