O dia antes do Natal... - por Luiza do Oh

O dia antes do Natal... - por Luiza do Oh

O dia antes do Natal...



Vinha há dias de uma gala solidária onde a essência do Natal - porque Deus amou... deu! - esteve presente, numa Lisboa vestida de luz... Na despedida, votos de Feliz Natal e Boas Festas eram expressos alegremente e cada um seguia o seu caminho. O meu passou pelos duros corredores da estação do Oriente...

Os residentes da noite dormiam o sono do cansaço e da inquietação em camas improvisadas... eram tantos... de tantas idades... até um casal... e a voz de Paulo de Carvalho ecoou-me aos ouvidos nas palavras sentidas de Ary dos Santos: “Tu que dormes à noite na calçada de relento/.../Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento/És meu irmão amigo/És meu irmão”.

A fantasia e a magia do Natal que traziam alegria e aconchego não são mais; e nem toda a decoração e tradições conseguem recuperar esses sentimentos vividos. Recuperamos as decorações, as luzes mas as pessoas vitais que eram parte das festas e de toda essa magia estão longe, levadas pela morte ou pela vida... Porque a única constante no universo é a mudança!... Não admira a nossa busca das tradições de Natal! No fundo de nós está a criança que procura consistência, continuidade, segurança e história. Só que hoje os sonhos sabem a sal... é o dia antes do Natal!

O Natal nunca me pareceu tanto um tempo de solidão e de sofrimento... um tempo de desilusão e de transição... De transição económica, numa recessão entre uma abastança económica que nos debilitou e uma recuperação ansiada e distante... Na minha cabeça o Fernando Tordo ainda não deixou de cantar...”Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei...”.
De transição emocional, entre ser criança e nascer adolescente, entre ser adolescente e nascer adulto, entre ser adulto e nascer maduro. E nenhum de nós escapa a estas transições sem sofrimento e quebrantamento. Essa é a fonte dos nossos medos, da nossa raiva, da nossa ansiedade.

Sentindo a nossa pobreza, física e emocional, disparamos contra tudo e todos que nos recordam a nossa dor e acabamos por afastar até aqueles que no fundo amamos. Porque o amor que nos leva à intimidade é também instrumental na separação. “ Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei”.

Apesar do que temos ou não, apesar de todos os nossos sucessos  ou insucessos, há um recanto em nós, na nossa alma que, especialmente hoje, precisa de um abraço, no meio das orações mágicas que se erguem: “Que não mais se ouçam mísseis e haja paz no mundo!”, “Que não mais se diga ‘gosto de ti mas já não te amo’!”

Apesar de tudo isso, como que por magia, o espírito de calor e generosidade que nos cruza na transversal, que independe das nossas crenças e tradições, toca-nos ao ver a dor no rosto irmão porque espelhado nele está o nosso coração quebra(nta)do. Mas hoje é o dia antes do Natal...

“Natal é em Dezembro/Mas em Maio pode ser/Natal é em Setembro” – huuummm! Adiar o Natal é prolongar o sofrimento!

“É quando um homem quiser” continua o poeta... É aí que está a magia!... A essência do Natal está aí, em cada gesto de solidariedade, em cada conta arredondada, em cada sorriso de boas festas, em cada abraço envolvente... Porque Natal é o amor que transcende o egoísmo, o amor que leva a dar... o amor que faz nascer!
É Natal no dia antes do Natal!...

 

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