O galo Jacó - por Antônio Eustáquio Marciano

O galo Jacó - por Antônio Eustáquio Marciano

O galo Jacó

 

Isto aconteceu no tempo

que as aves tinham gogó.

Vou contar fato verídico,

preste atenção, escute só:

 

No quintal de uma fazenda,

antes de se ouvir a mó,

bem cedinho, junto à moenda,

cantava o galo carijó.

 

De manhã, a galinhada,

numa barulheira só,

conversava ajuntada,

perante o galo Jacó.

 

Esta foi uma noite fria,

dizia o frango Xicó,

só penugem lhe nascia,

mais parecia um filó.

 

Os ovos que estou chocando

nunca podem ficar só,

senão os vai devorando

o insano gato Bechó.

 

Protejo os meus pintinhos,

dizia a galinha Caicó,

não posso deixar o ninho,

senão os pintos morrem só.

 

Na conversa, veio dar pitaco,

a galinha d’angola, sem dó,

gritando: “fraco, tô fraco”

feito o nhambu chororó.

 

Neste instante, uma estalo,

o grupo espalha em redor. 

Um torrão acerta o galo,

vindo lá do cafundó.

 

E a galinha mais achegada

ao querido galo Jacó,

vai dizendo apiedada:

veja isto, veja só!

 

E Jacó, co’a asa ferida,

vai dizendo ao seu xodó:

se afasta disto querida,

se afasta, me deixa só.

 

Foi esta bela cena caipira

presenciada por minha avó,

que nunca falou mentira,

acompanhada, nem só.

 

 

 

 

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