O Mistério da Caixa - por Daniela Gebelucha

O Mistério da Caixa - por Daniela Gebelucha

Por muitos anos, eu e minha mãe morávamos naquela casa amarela. Todas as tardes, ela sentava na sombra da laranjeira para fazer artesanato, e eu, ficava ali no pátio, jogando bola.

Até que chegou o dia da mudança. Arrumei em sacolas as poucas coisas que tinha, encaixotei os brinquedos e as roupas. Quando abri a gaveta do armário, vi uma caixa que ganhei do meu pai meses antes de sua morte.  Peguei-a, olhei-a por um momento, era feita de madeira rústica, bem trabalhada, tinha um botão de encaixe para abri-la.

Ouvi a voz de minha mãe:

- Vamos Joãozinho, a carretinha do tio Zé chegou.

Coloquei a caixinha numa antiga mala, e saí em direção da estrada. Carregamos nossas bagagens no veículo, via que os olhos de minha mãe estavam cheios de lágrimas por deixar nossa casa.

Minha mãe sentou no banco da frente com o tio Zé e eu pulei na carroceria. Ao nos distanciarmos, vi que o oficial de justiça colocava uma placa na porta da casa, então entendi que fomos despejados. Queria o abraço do meu pai, naquele momento.

Viajamos por horas, até que tio Zé freou, algumas bagagens se mexeram. Era uma paca, que cortava a estrada.

Dois quilômetros após, tio Zé parou o veículo. Então disse:

- Desçam, vocês ficarão aqui em casa, até conseguirem um lugar para morar.

Quando começamos a descarregar a mudança, senti falta da antiga mala. O que aconteceu? A caixa! Sim, a caixinha estava dentro da mala! Logo, lembrei-me que meu pai pedira para guardar aquela pequena caixa de madeira escura por tempo indeterminado e me fez jurar que jamais a abriria sem o seu consentimento, ou sem que fosse estar em uma extrema necessidade.

Recordei-me da freada. Claro! A mala deve ter caído! Saí correndo pela estrada, o que tinha naquela misteriosa caixa? Deveria ser algo muito importante! Senti-me culpado

Já cansado e, sinceramente, muito preocupado, procurava pelo caminho, até que, em uma das curvas da estrada vi a mala caída e já empoeirada. E a caixa? Estava ali! Peguei-a, respirei aliviado, abracei-a com profunda alegria!

Meu coração pulsava forte, olhei-a, apertei o botão da caixa, que foi se abrindo. Tinha um papel, já amarelado pelo tempo, era a escritura de uma casa e uma chave, que deveria ser da casa. Ajoelhei-me no meio daquela estrada, e agradeci ao meu pai, por não deixar minha mãe e eu sem lar.

 

publicado em 05/04/2014

 

 

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