O pardalito bate-me no peito - por Luiza do Oh

O pardalito bate-me no peito - por Luiza do Oh

O pardalito bate-me no peito 

Eheheheh... uma satisfação encheu-me os pulmões, o coração a cabeça e os pés... estou leve e feliz!
As minhas aventuras campestres estão sempre a acontecer...
Mais uma vez a Fifty, nas suas incursões felinas no jardim, tinha um “volume” abocanhado!
Gritei “não” e corri para lhe tirar da boca um inerte pardalito. Peguei nele... não estava furado pelos dentes agudos, mas tinha a postura de quem se abandonou e abandonou a vida... ah... mas o coraçãozinho batia e o corpo pulsava com regularidade.
Traumatizada por experiências anteriores que me causaram sofrimento - embora não saiba explicar como posso sofrer por um pardalito... – deitei-o para trás do muro, para o terreno da vizinha. Não queria vê-lo debater-se pela vida enquanto me sentia impotente para o ajudar... Cobarde à dor, não é?!.. Ou acautelada por outros sofreres!...
Só que o pardalito batia-me no peito!...Depois do pequeno-almoço, peguei duma cadeira e pulei o muro. Lá estava ele.. não tinha aquela postura deitada, nem aquele ar abandonado; tinha-se composto e estava aninhado entre as palhas e ervas, firmado nas suas patitas... e o coração sentia-se pulsar com regularidade pelo movimento sincopado das asitas sobre o dorso... Pensei voltar para lhe dar uma papinha e alguma água...
Só que a vida nos chama a outras responsabilidades... telefonemas, emails, uma vida outra que corre e da qual dependem os nossos dias. Mas o pardalito batia-me no peito!... E lá vou eu do escritório. Pego na cadeira, pulo o muro e levo na mão uma tacinha com uma papa bem líquida para lhe fortalecer as forças e matar a sede... Isso eu já aprendi: pardalito machucado tem uma sede danada de viver!... Primeiro foi a surpresa!... E depois vasculhei tudo ao redor, com olhos de águia e mãos perspicazes afastei ervas, levantei palhas e... nada! Olhei ao redor para ver onde se poderia ter escondido... nada! Procurei de novo, com uma alegria frenética! Nada! A resiliência venceu. 
A vida triunfou! 
E eu que já morri e sofri noutros, vivi neste pardalito! Tenho uma sede danada...

 

Luiza do Oh

 

 

 

 

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