O Plágio é necessário - por Regina Alonso

O Plágio é necessário - por Regina Alonso

                                                              

O Plágio é Necessário

 

Nascemos e vivemos, desenvolvendo-nos em meio à família, amigos e grupos sociais – escolas, clubes... Lendo jornais, livros, revistas... vendo noticiários, programas na tevê... assistindo aos filmes... fazemos contato com tudo que a sociedade já produziu através do tempo: conhecimento formal, arte (pintura, música, produções literárias, teatro...), conhecimento também que acontece de maneira informal, através das trocas de experiências no próprio convívio diário nos grupos a que pertencemos.

   Vivenciamos, observamos, pensamos. De tudo nos apropriamos, transformamos e às vezes, até inconscientemente, usamos informações (ideias, imagens, sons...) já produzidos por outros, mas que passaram a fazer parte de nossa bagagem. Tudo isso, assim deglutido por nós também é transformado e surge um novo produto. Evidentemente não temos uma cópia ou um plágio no sentido de que não estamos devolvendo exatamente o que foi sendo assimilado.

   Surge, sim, uma nova idéia, um novo produto, uma criação que, na verdade, seria uma recriação – o de antes transformado por todas as interferências externas e condições internas daquele envolvido nesse ato criador. Dessa forma, podemos afirmar que “o plágio é necessário como matéria a ser absorvida e retrabalhada para originar a transformação”.

   Talvez a poesia Meu celeiro, escrita em 10/03/2004, quando subia a serra até São Paulo,          colabore para o entendimento desse ponto de vista:

 

Meu celeiro

 

no meu celeiro tanta semente

nenhum jiló quiabo chuchu

tanta semente

nenhuma couve salsa alface

tanta semente

tanta palavra

tão diferente

 

no meu celeiro, na minha mente

armazenada tanta palavra

tanta semente

tão burilada

no alvorecer, na tarde quente

 

amalgamada minha semente

na escuridão da madrugada

 

minha palavra tão resistente

quer se entregar

voa no vento

cai no chão fértil

 

aguarda a chuva

e o calor do sol

sempre calada e paciente

tão diferente, quando

no abrigo, emocional

 

quase imóvel no leito terra

fica a esperar

 

no tempo certo se manifesta

haste apontando

e devagar, lá vem a árvore

 

              folhas de livros

              colheita farta

              palavra  escrita

              palavra lida

              e digerida

 

              nova semente

              volta ao celeiro

              à outra vida

 

 

 

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