O Professor, a Blogueira e o Jornalista juntos para nos apresentar ‘O Amor nos tempos do AI-5’

O Professor, a Blogueira e o Jornalista juntos para nos apresentar ‘O Amor nos tempos do AI-5’

O Professor, a Blogueira e o Jornalista juntos para nos apresentar ‘O Amor nos tempos do AI-5’

 

 

O Professor

Antônio de Paiva Moura

 

Ricardo de Moura Faria, o autor de “O amor nos tempos do AI-5”, nasceu em Dores do Indaiá, cidade do Centro-Oeste de Minas Gerais. Sua formação acadêmica foi na área de história, na UFMG. Sua experiência profissional tem continuidade no campo da história, no ensino superior. O tempo de estudante e o tempo de magistério superior ocorreram, em grande parte, na vigência do período ditatorial no Brasil (1964-1984). Do relacionamento amistoso e profissional nesse período, Ricardo extraiu os elementos básicos para tipificar os personagens e tecer a trama do romance.

A historiografia formal ainda não havia avaliado as consequências da mudança do sistema de cátedra acadêmica para o sistema departamental nas universidades brasileira. Ricardo percorre os meandros burocráticos da universidade através dos diálogos e debates dos personagens, mostrando como os detentores do poder manipulam dados e alteram resultados, salvando seus interesses. Paralelamente à anatomia das instituições de ensino, o autor desenvolve a questão do erotismo entre alunos e professores. Ao contrário de telenovelas e outros programas que exibem a libido máxima dos personagens e participantes reais, “O amor nos tempos do AI-5” trata a sexualidade como uma forma de crescimento mental e progresso cultural. De um lado, os mentores e atores do regime ditatorial se caracterizavam pelo falso moralismo e do outro, intelectuais, artistas, poetas e prosadores procurando tornarem-se extrovertidos em suas relações sexuais.

Os personagens de “O amor nos tempos do AI-5” não ambicionam riquezas financeiras, como os personagens dos romances de Honoré de Balzac, mas buscam o enriquecimento intelectual. Foi a fome de saber que atraiu Afonso e Haydée para encontros na biblioteca. Em seguida os encontros para estudos tornam-se simples pretextos para encontros amorosos. Mas há uma identidade com Balzac: o detalhismo de situações e de objetos no entorno dos personagens.

A literatura é documento, pois corre em sintonia com os momentos históricos. Ficher esclarece a ligação entre a história e a literatura, dizendo que o escritor revela o mundo em que ele vive. O que é histórico e o que é social não podem estar ausentes da obra de arte. Nesse sentido, vale lembrar “Cem anos de solidão” de Gabriel Garcia Marques, que com narrativa ficcional, redunda em excelente documentário histórico.

Kant achava que tanto os sentidos quanto a razão eram muito importantes para a nossa experiência de mundo. Os racionalistas atribuíam uma importância exagerada à razão. Nunca seremos capazes de saber com toda a certeza, como as coisas são em si. Só podemos saber como elas se mostram a nós e como são percebidas pela razão. Os tratados teóricos e pesquisas nas ciências sociais tendem à redução do social ao objetivo. O conhecimento produzido pela literatura parte da subjetividade para entender o mundo pela sensibilidade.

Se um historiador, um sociólogo ou antropólogo tentassem abordar cientificamente o erotismo no âmbito das universidades, não sairia da quantificação, apontando percentuais de professores que se envolvem com alunas; de professores com professoras e de funcionários com suas colegas. Falariam da frequência de professores e professoras que se desfazem de seus casamentos para viver uma nova aventura amorosa nos intramuros da universidade. Provavelmente, não geraria interesse de estudiosos, além de depreciar o comportamento sexual da comunidade acadêmica.

“O amor nos tempos do AI-5” traz à vista o que é comum e normal na vida de um casal, mas que na boca de moralistas é perversão sexual. Se quiser saber, na verdade, o que é perversão leia o livro “Os 120 dias de Sodoma” de Marques de Sade. O que Ricardo de Moura Faria diz, através das palavras e ações dos quatro personagens principais, é que o conhecimento e a consciência proporcionam a liberdade e o respeito, sem os quais os atos sexuais são indignos.

 

Belo Horizonte, 26 de janeiro de 2016.

 

A Blogueira

 Nathalie Louzada

 

Como eram as relações no tempo da ditadura militar? Se você acha que este livro vai contar a história de um casalzinho sem graça inibido pelas proibições da época você está completamente enganado! O livro fala sobre: amor. E não aquele amor que prende, mas o amor que deixa livre.

Afonso e Celina são casados há quinze anos, tem dois filhos e se amam muito. São um belíssimo casal. Ambos são professores: Celina de crianças e Afonso leciona história para universitários. Levam uma vida razoavelmente boa para a época: têm carro (um fusca, que era luxo!), casa, empregada e viajam todas as férias para a praia. Eles moram em Minas Gerais, então a viagem é longa.. Hahaha

Em uma das turmas para as quais leciona, Afonso conhece Haydée. Linda, olhos azuis e de personalidade forte, ela logo se apaixona por ele, mesmo sabendo que é um amor proibido. Encantado por ela, Afonso se aproxima cada vez mais da moça e oferece a ela uma oportunidade única: ler uns livros proibidos pelo governo! Como ela não pode levar os livros para casa, pois se for pega cai na chibata e sabe-se lá mais o quê poderia acontecer, ela tem de lê-los na biblioteca de Afonso, em sua casa.

O resultado, acho que vocês já imaginam. Sim, eles se rendem à paixão avassaladora que os consome.

O interessante, principalmente para aquela época, é que Celina descobre, mas só pede uma coisa ao marido: não destrua nosso casamento!

Só que Celina é uma mulher tão maravilhosa e Haydée uma jovem tão espirituosa que elas acabam se tornando amigas!

Enquanto isso, um colega de trabalho de Celina se vê completamente atraído por ela que, mesmo depois de dois filhos, tem um corpo escultural. Ela também se sente atraída por ele e conta tudo para Afonso, que dá o maior apoio para que ela viva esse romance, pedindo apenas o mesmo que ela: não destrua nosso casamento!

Eu confesso que eu não teria a mesma cabeça que eles, mesmo sendo jovem e vivendo no século XXI. É uma coisa que eu não sei se aceitaria; não vou dizer que não aceitaria porque nunca passei na pele. A própria Celina não acreditava que reagiria dessa forma até passar por isso.

Afonso é um cara muito bacana, extremamente respeitador e nem um pouco machista! Adorei ele.

Já a Haydée representa a juventude feminina de hoje também: jovem, determinada, que sabe o que quer e luta pelos seus ideais.

Não vemos muito da personalidade do Toninho, namorado da Celina. Mas pelo pouco que vi, dá para perceber que ele é um cara de caráter também, pois sempre respeitou as vontades de Celina e faz tudo por ela!

O livro tem uma leitura muito fluida porque a escrita do autor é maravilhosa. Clara, sem enrolação e deliciosa de ler. Eu confesso que quando li que ele (o autor) é professor universitário pensei que tivesse diante de mim um livro com escrita acadêmica, tipo monografia. Ainda bem que não! Hahaha

Sobre o final: eu gostei e não gostei. Não posso falar porquê senão revelaria o que acontece. Mas posso dizer que, como o livro se passa na ditadura militar, tem algo a ver com isso.. Nós temos uma jovem batalhadora e um sistema opressor. Dessa parte eu gostei - muito! -, afinal foram as muitas Haydée's do passado que nos proporcionaram o mundo de hoje.

Sobre o livro em geral: é um bom livro! É bom saber como eram as coisas antigamente. Eu ri muito com as gírias, ainda não me acostumei com "bicho". E agradeço por ter nascido em tempos melhores, com mais liberdade (mesmo não conseguindo aceitar muito essa questão dos relacionamentos abertos e das relações extra-conjugais). É um livro que eu considero inapropriado para menores de 18 anos, pois contém muitas cenas de sexo e palavras de baixo calão.

No mais, agradeço ao autor por me proporcionar esta viagem bacana para a década de 70! Foi demais, bicho!

 

Carpe diem!

 

O Jornalista

 

O AROMA PURO DA LIBERDADE

Luciano Ornelas

 

O Amor nos Tempos do AI-5 é intenso, sem preconceitos, isento de qualquer forma de ciúme. Uma entrega total de quatro personagens – um casal, cada um com seu amante. Eles entrelaçam seus costumes e seus desejos, sem meias palavras, insinuações ou mentiras, pois o que se busca é o prazer total – e quanto mais, melhor.

A cama é figura obrigatória em quase todas as 544 páginas do livro; ao longo da narrativa o erotismo praticamente encobre a barbárie daqueles anos de chumbo no Brasil, as bombas e as jogadas diplomáticas da Guerra Fria entre o Ocidente e o Oriente. E humilhações históricas, como a derrota norte-americana no Vietnã.

O leitor vai se libertar de todo o preconceito imposto ao comportamento conjugal pelos padrões comuns da sociedade - a mulher cuida da casa e dos filhos e os homens vão além, exibindo amantes aos amigos como se fora um troféu, embora se apresentem ao mundo como cidadãos acima de qualquer suspeita em matéria de ética e de moral.

Essa mesma sociedade sabe bem da vileza que se passa por baixo do pano e mantém a hipocrisia como disfarce de suas profundas cicatrizes – afinal, é mais importante manter a aparência do que expor sua face horrível. São assim os seres humanos, da inocência da infância às deformações provocadas pelo tempo.

O casal central da história rompe com esses preconceitos e goza a vida, literalmente, embora os dois continuem apaixonados, amando os filhos e sua vida familiar de classe média na Belo Horizonte dos anos 60 e 70. Usufruem a inteira liberdade, sem que esta macule a liberdade dos outros, como é de direito.

Ricardo de Moura Faria, professor como os seus personagens, exibe uma técnica só encontrada nos bons escritores: de repente, surgem fatos e personagens até então desconhecidos. E ele os desvenda aos poucos, com suspense, mantendo o interesse pela leitura.

Enfim, o escritor propõe uma profunda reflexão em sua obra: a pureza do amor em confronto com a estupidez da extrema violência - não importa se de esquerda ou de direita naqueles tempos do AI-5 da ditadura militar no Brasil. Pois assim é nosso mundo, vasto mundo, como diria Drummond.

 

* Luciano Ornelas é jornalista, ex-Editor-Chefe de O Estado de S. Paulo.

 

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O Autor

 

Ricardo de Moura Faria, natural de Dores do Indaiá, MG, reside atualmente em Belo Horizonte. Graduado em História, com pós-graduação em História Moderna e Contemporânea, foi professor por 35 anos, lecionando para ensino fundamental, médio e superior. Foi consultor para assuntos de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa de MG.

Tem vasta publicação de livros didáticos, cerca de 70 volumes, todos de História.

Publicou, ainda, "As revoluções do século XX", e "Da Guerra Fria à Nova Ordem Mundial", ambos pela editora Contexto. Organizou o "Dicionário Ilustrado da Inconfidência Mineira"; publicou "História de Minas Gerais".

Aposentou-se em 2004 e dedicou-se, então, à produção de um romance, publicado em dezembro pela editora Novo Século: "O amor nos tempos do AI-5".

Gosta de História, Arte, Música, Fotografia.

 

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