O Santo e o Tinhoso - por Antônio Eustáquio Marciano

O Santo e o Tinhoso - por Antônio Eustáquio Marciano

O SANTO E O TINHOSO

 

Andando pelas campinas,

A buscar destino além,

Certo homem, em seu cavalo,

Ia só sem mais ninguém.

 

Ia num trote prazeroso,

Naquele caminho batido.

Sacudia suas entranhas

E tudo mais ali contido.

 

A fome se lhe apertou,

Ele abriu seu embornal

E a farinha temperou

Com açúcar e com sal.

 

Ia comer sua merenda,

Mas sentiu que precisava,

Antes de botar o novo,

Tirar o que lá estava.

 

Além disso, o velho santo

Nunca, jamais, se esquecia

De rezar agradecendo

O alimento que recebia.

 

Mas o que fazer primeiro,

Se as três coisas tinham urgência?

Preferiu, de uma só vez

Resolver toda a pendência.

 

Mas não tinha desconfiado,

Nosso homem de alma pura,

Que estava sendo vigiado

Por uma sinistra figura.

 

O “Encardido” ao ver o santo

Comendo, “descomendo” e orando,

Com tanta inveja do puro,

Ficou a ele perturbando:

 

“Em minha vida encardida,

Nunca vi bobeira maior,

Fazer esta três coisas juntas,

Nem sei qual é a pior!

 

Certamente você caipira,

Nunca saberá explicar,

Nem aqui e nem na China

E nem em outro lugar”.

 

E o santo, calmamente,

Respondeu a Satanás:

“Eu explico tudo agora

E você me deixe em paz.

 

Desde cedo eu aprendi

Ser grato e a Deus rezar.

Se você tem inteligência,

Passe agora a escutar:

 

Eu como para o meu corpo

E rezo pra minha alma

E a terceira coisa que faço,

Vou te dizer com calma:

 

É um presente que deixo

Pra quem muito isto merece.

É pra ti mesmo, ó capeta,

Aprecia e desaparece”. 

 

 

 

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