O Tempo... esse mestre das belezas e dos horrores - por Maria de Fátima Soares

O Tempo... esse mestre das belezas e dos horrores - por Maria de Fátima Soares

O TEMPO… ESSE MESTRE DAS BELEZAS E DOS HORRORES

 

O tempo faz de nós muralhas inexpugnáveis... tijolo a tijolo, posto no lugar certo, a cada dia que passa. O que não me destrói, torna-me mais forte. O tempo... tornou-me, à prova de tudo. Admiravelmente... até à prova de tempo. Quem eu era antes, desfez-se nas neblinas do tempo, quando o tempo fez ressurgir um novo eu indesmentivelmente mais cínico e frio. Resistente a todas as pragas e intempéries. Cortes, bofetadas e desilusões. O tempo faz de nós colossos de feridas e contusões, gravando na nossa memória, a sua localização, data e intensidade da dor.

Todas as mazelas que ostentamos conhecemos-lhe os nomes, como se de filhos queridos se tratassem. Mais uma... duas... três... mil, sobrepostas por já não existir espaço num corpo esquartejado e acoitado pela dor e pela mágoa, já não causa impacto.

O tempo faz de nós muralhas inexpugnáveis... Quem eu era antes, desfez-se nas neblinas do tempo. Hoje? Eu sou a própria escuridão. O fundo do abismo. A concubina preferida do caos. Hoje a minha sede é de sangue. O meu pão é carne. E sem alma... já nada me atinge, por não existirem dedos para agarrar-me. Vozes que me distraiam. Armadilhas... à minha medida. O tempo faz de nós muralhas inexpugnáveis. 

Ou transformamo-nos em monstros cínicos e frios. Resistentes a todas as pragas e intempéries. Cortes, bofetadas e desilusões. O tempo faz de nós colossos de feridas e contusões, gravando na nossa memória, a sua localização, data e intensidade da dor... E como devolver afrontas, em dobro, a cada um que as provocou sem nos beliscar a tranquilidade, reputação, ou trazer um simples empalidecer, rubor, ou estremecimento... nem que demore muito tempo! Até aos fim de todos os tempos, em comum!

E depois... se simplesmente desistíssemos! Verificássemos a inutilidade e o desgaste desta empresa. Ninguém no mundo, em qualquer tempo, merece um fio de pensamento nosso, que destabilize toda uma postura adquirida. Quem eu era antes, desfez-se nas neblinas do tempo... Hoje? Quem eu sou... nada, nem ninguém alcança!

Jamais abate!

 

 

 

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