O testemunho de um extraterrestre - por Delanie Velázquez

O testemunho de um extraterrestre - por Delanie Velázquez

O testemunho de um extraterrestre

 

Não sou  cidadão do Planeta Terra. Entrei em sua órbita casualmente, quando minha espaçonave apresentou problemas em seu sistema de refrigeração e tive de fazer um pouso de emergência na superfície terrestre.

O lugar onde pousei era uma bela e vasta campina verde parte de uma propriedade sob a administração de um terráqueo humano chamado Geraldo. Ele e sua esposa, Francisca, foram muito atenciosos para comigo, me receberam muito bem e trataram logo de providenciar todo o necessário para que minha estadia na Terra fosse a mais confortável possível e que eu resolvesse logo meu problema e pudesse continuar viagem.

Levou alguns dias até que conseguíssemos consertar a aeronave. Eu dependia exclusivamente das ferramentas e recursos dos terráqueos humanos para fazer os reparos, pois meus equipamentos e sistema de comunicação intergalático foram todos desestabilizados ao entrarem em contato com o campo magnético terrestre, por isso não era possível comunicar-me com minha torre de controle em meu planeta e pedir que eles operassem algo para conserto da aeronave.

Se, por um lado eu estava ansioso para seguir viagem e ficava impaciente com a vagarosidade dos humanos em fazer um reparo que não levaria menos de uns segundos em meu planeta, por outro, tive a oportunidade de conhecer melhor a vida na Terra e aprender muito com os costumes de seus habitantes, principalmente os humanos.

O Planeta Terra possui regiões de rara e sublime beleza natural, com uma enorme diversidade de seres vivos, recursos orgânicos e minerais. Contudo, notei algo diferente no que diz respeito às relações entre os organismos vivos.  Parasitas e predadores são exclusivos desse lugar. Nunca os vi em meu planeta ou em nenhum outro por onde andei. Tudo me leva a crer que aconteceu algo muito estranho no Planeta Terra.

Vi também árvores e mais árvores sendo derrubadas para dar lugar a edificações gigantescas. Nessas derrubadas vi muitos animais perderem a vida, muitos ninhos de pássaros serem destruídos e muitos outros seres vivos obrigados a mudar de residência, ou seja, encontrar outras árvores, outros solos para viver. Fiquei surpreso que ninguém dissesse nada, todos encaravam isso com muita naturalidade, inclusive o Sr. Geraldo e sua esposa Francisca.

Se é tão necessário, assim, derrubar árvores para construir prédios, por que, então, os responsáveis pela obra não fazem primeiro um plano de deslocamento para os moradores do terreno, como as aves, saguis, macacos, insetos, répteis, etc., para que essa intervenção humana seja a menos traumática possível para eles? questionei. Afinal de contas, os animais estavam morando naquele terreno antes daquelas pessoas que se dizem proprietárias, por que não pensaram neles?

Minhas ponderações a respeito desse assunto provocaram várias gargalhadas no Sr. Geraldo e nos outros que nos acompanhavam e eu fiquei muito mais confuso, entendendo menos ainda esses terráqueos humanos.

Outra coisa muito estranha que só encontrei aqui na Terra é uma invenção humana chamada Lixo. Os terráqueos humanos têm depósitos por toda parte para o tal do Lixo e até caminhões para transportá-lo. Perguntei do que se tratava e o Sr. Geraldo me explicou que Lixo é algo imprestável, que não serve mais para nada e, portanto, deve ser jogado fora, ou seja, as pessoas se livram dele. Mas por que vocês fabricam coisas que com o passar do tempo ficam imprestáveis? indaguei.  O Sr. Geraldo sorriu, tentou explicar os motivos, mas eu continuei sem entender a necessidade de se produzir algo que depois se torna imprestável. Em meu planeta, e nos outros que eu conheço, tudo que fabricamos e utilizamos é reaproveitado, nada se estraga, é desperdiçado e muito menos fica estocado em depósitos, contaminando o meio ambiente.

Devo relatar, porém, que uma de minhas maiores surpresas aconteceu na hora da refeição em casa do Sr. Geraldo. Sua esposa era uma boa cozinheira, cuja fama corria por toda a região e eu estava ansioso para experimentar o alimento preparado por ela.

A Sra. Francisca era muito simpática e gentil. Eu podia perceber claramente que ela estava se esforçando para fazer o melhor, em sua condição de terráquea humana. Então chegou a hora do almoço e a família do Sr. Geraldo estava toda reunida na ampla cozinha, ao redor de uma mesa espaçosa e bem decorada. Sob o fogão havia uma enorme panela com um material de cor vermelho amarronzada que a Sra. Francisca revolvia com satisfação. Os filhos e netos chegavam perto do fogão e aspiravam o aroma que se desprendia daquele material, o que lhes parecia muito agradável.

Qual não foi minha surpresa ao descobrir que aquela panela estava cheia de pedaços de cadáver, acrescidos de molhos e temperos que a dona Francisca continuava revolvendo com satisfação. Mas o que ela pretendia com aquele conteúdo? Por que trazer partes de corpos de animais mortos para a cozinha na hora da refeição? Seria esse um costume de todos os humanos terráqueos? Qual a utilidade dessa prática?

Mas a maior surpresa ainda estava por vir, quando constatei que todos ali, até as crianças, colocaram aqueles pedaços de cadáveres em seus pratos, levaram-nos à boca com um instrumento que eles chamam de garfo e começaram a degustá-los, sorrindo e se deleitando com seu sabor.

Outra coisa quem me chamou muito a atenção foram as ferramentas e equipamentos que os humanos utilizam, bem como seus meios de transportes. São tão excêntricos e esquisitos, que não sei nem a que posso compará-los, pois nunca vi nada igual. Tudo o que sei é que eles são muito ineficientes e rudimentares.

Os humanos gastam demais, poluem demais e produzem cada vez menos benefícios e mais depredação. As formas de energia que eles utilizam me deixam perplexo. Como é que eles têm um astro tão maravilhoso como o Sol, que produz uma quantidade de energia imensa e que está disponível a todos gratuitamente, mas que é minimamente aproveitada? Eles desprezam a energia do Sol e em seu lugar optam por derivados do petróleo, algo que representa a morte, a tragédia, a degradação, ou buscam produzir energia por seus próprios méritos e esforços, construindo hidrelétricas, termelétricas, produzindo álcool, baterias eletrônicas...

Por que os terráqueos humanos são assim? Por que eles se comportam de modo tão diferente de todos os outros gestores planetários que eu já conheci? Afinal, o que aconteceu com o Planeta Terra?

Bem, vou finalizando esse relato por aqui. Teria muito mais a dizer e muitas outras páginas poderiam ser escritas, mas penso que já relatei o necessário.

 

 

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