Olegário Mariano Carneiro da Cunha - por Eduardo Garcia

Olegário Mariano Carneiro da Cunha - por Eduardo Garcia

Olegário Mariano Carneiro da Cunha nasceu na cidade de Recife, Pernambuco, a 24 de março de 1889. Faleceu no Rio de Janeiro a 28 de novembro de 1958. Membro da Academia Brasileira de Letras. Publicou: gelus, edição do autor, 1911; Sonetos, edição do autor, 1912; Evangelho da sombra e do silêncio, edição do autor, 1912; Água corrente, Pimenta de Melo & Cia., 1918; Últimas cigarras, ed. Pimenta de Melo & Cia., 1920; Castelos na areia, Pimenta de Melo & Cia., 1922; Cidade maravilhosa, Pimenta de Melo & Cia., 1923; Ba-ta-clan, Benjamin Costellat & Micolis editores, 1924; Canto da minha terra, Pimenta de Melo & Cia., 1930; Destino, Editora Americana, 1931; Teatro, Cia. Editora Nacional, 1932; Vida, caixa de brinquedos, Editora Guanabara; O enamorado da vida, Editora Guanabara, 1937; Da cadeira 21, Editora A Noite, 1938; Quando vem baixando o crepúsculo, Livraria José Olympio, 1945; A vida que já vivi, Portugália, Lisboa, 1945; Cantigas de encurtar caminho, Livraria José Olympio Editora, 1949; Tangará conta histórias, Editora Melhoramentos, 1953; Correio sentimental, Livros de Portugal; Toda uma vida de poesia, 2 volumes, Livraria José Olympio Editora, 1957.
 

 

Fonte: http://www.jornaldepoesia.jor.br/om.html

   

Trecho de Kremme


Foi um dia de kremesse.
Depois de rezá três prece
Pra que os santo me ajudasse,
Deus quis que nós se encontrasse
Pra que nós dois se queresse,
Pra que nós dois se gostasse.


Inté os sinos dizia
Na matriz da freguezia
Que embora o tempo corresse,
Que embora o tempo passasse,
Que nós sempre se queresse,
Que nós sempre se gostasse.


Um dia, na feira, eu disse
Com a voz cheia de meiguice
Nos teus ouvido, bem doce:
Rosinha si eu te falasse...
Si eu te beijasse na face...
Tu me dás-se um beijo? — Dou-se.


E toda a vez que nos vemo,
A um só tempo perguntemo
Tu a mim, eu a vancê:
Quando é que nós se casemo,
Nós que tanto se queremo,
Pro que esperamos pro quê?


Vancê não falou comigo
E eu com vancê, pro castigo,
Deixei de falá também,
Mas, no decorrê dos dia,
Vancê mais bem me queria
E eu mais te queria bem.

 

O enamorado das rosas


Toda manhã, ao sol, cabelo ao vento,
Ouvindo a água da fonte que murmura,
Rego as minhas roseiras com ternura,
Que água lhes dando, dou-lhes força e alento.


Cada um tem um suave movimento
Quando a chamar minha atenção procura
E mal desabrochada na espessura,
Manda-me um gesto de agradecimento.


Se cultivei amores às mancheias,
Culpa não cabe às minhas mãos piedosas
Que eles passassem para mãos alheias.


Hoje, esquecendo ingratidões mesquinhas,
Alimento a ilusão de que essas rosas,
Ao menos essas rosas, sejam minhas.

 

 OLEGÁRIO MARIANO

(1889-1958)

 

 

Olegário Mariano Carneiro da Cunha, poeta, diplomata, deputado federal e constituinte, nasceu em Recife, Pernambuco, Estreou na vida literária aos 22 anos com o volume Angelus, em 1911. Sua poesia lírica é simples, de fundo romântico, modernista. Ficou conhecido como o "poeta das cigarras", por causa de um de seus temas prediletos, “Últimas Cigarras”, 1920.

Foi inspetor do ensino secundário e censor de teatro. Em 1918 foi secretário de embaixada na Bolívia. Foi deputado à Assembleia Constituinte de 1934. Em 1937 ocupou uma cadeira na Câmara dos Deputados, depois foi ministro em Portugal, em 1940; delegado da Academia Brasileira de Letras em Lisboa para o Acordo Ortográfico de 1945; embaixador do Brasil em Portugal entre 1953 e 1954. Foi tabelião de notas no Rio de Janeiro

Em 1938, em concurso promovido pela revista Fon-Fon, foi eleito Príncipe dos Poetas Brasileiros. Nas revistas Careta e Para Todos, escrevia sob o pseudônimo de João da Avenida, uma seção de crônicas com versos humorísticos.

É antologiado por Manuel Bandeira

 

 

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Oleg%C3%A1rio_Mariano

 

 

Pesquisa e Comentários

Luis Eduardo Garcia Aguiar

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