Órfãos - Delanie Velázquez

Órfãos - Delanie Velázquez

Órfãos

 

Eles estão em toda parte.

Eu os vejo brincando nos parques, na areia da praia, indo à escola, à igreja...

Ouço suas risadas, suas vozes animadas, percebo seus passos indo e vindo ao brincar, estudar, desempenhar suas inúmeras atividades: aula de música, informática, idiomas, dança, esporte...

Sua alegria é contagiante, seu vigor e disposição, impressionantes!

São alegres, dispostos, animados, mas eles são ou serão... órfãos.

Tony é um amigo de longas datas. Reencontrá-lo, depois de tanto tempo, foi uma alegria e ele logo começou a me contar de seu trabalho, sua família... Contava-me como estava indo bem em seus negócios, falava com orgulho de seu filho e como estava feliz por poder prover-lhe uma vida confortável e a possibilidade de um futuro promissor. Então a conversa entrou na questão da saúde e Tony me falou de como seus níveis de pressão arterial estavam bem elevados. Ao que me pareceu, ele estava convivendo “normalmente” com essa realidade e não fizera nenhuma mudança em seu estilo de vida.

Vinicius sente muito orgulho de seu filhinho que está experimentando a fase de começar a descobrir o mundo que o cerca. Pressão elevada e diabetes já acompanham Vinicius há algum tempo. E como ele tem reagido diante de tudo isso? Bem, tudo continua como antes, exceto que ele agora está tomando os remédios que o médico passou.

Outro dia visitei Marina. Em determinando momento ela precisou sair e fiquei a sós com Andreia, sua filha de oito anos. Conversamos, aprontamos algo para comer, assistimos a TV e, em certo momento, a menina olhou para mim e disse em um tom muito sério: “Eu não quero ficar adulta”! Perguntei-lhe o porquê e, em seguida, sem esperar pela resposta, descrevi um rosário de vantagens da vida adulta, procurando enfatizar que o melhor mesmo é aproveitar bem cada fase que estamos vivendo. Depois, dando-me conta de que havia exagerado em minhas explanações, que o momento era de escutar e não de falar, dirigi novamente a pergunta àquela menina: Por que você não quer ficar adulta, Andreia? “Eu não quero ficar igual a minha mãe”, foi o que ela respondeu. Entendi tudo, mas tentei ainda me fazer de que ainda estava por fora e perguntei: O que há de errado com sua mãe, por que você não desejar ser como ela? “Você sabe, disse a menina com um ar de tristeza, ela não para!”

Luiz foi outro menino com quem conversei um dia desses. No momento estava acompanhado da avó paterna. Aproveitei para dizer ao garoto que eu era amiga dos pais dele há muito tempo, antes deles se casarem. Luiz falou que seus pais estavam trabalhando e, sem rodeios, foi logo me dizendo: “Quando eu crescer, nunca vou querer ser médico, nunca vou querer ser como meu pai”. E, para justificar, disse: “Ele não para em casa. Quase não vejo o meu pai”.

Que mundo é esse? Que legado estamos deixando para nossas crianças? Será que uma mudança nesse universo agitado dos adultos ainda é possível?

Observação: os personagens e os fatos aqui descritos são reais, apenas os nomes foram mudados, e alguns fatos modificados, para preservar a privacidade das pessoas.

 

 

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