Os Diamantes Azuis - Volume I - Planeta Luz - A Travessia - por Juvenil Tomas

Os Diamantes Azuis - Volume I - Planeta Luz - A Travessia - por Juvenil Tomas

OS DIAMANTES AZUIS – VOLUME I – PLANETA LUZ

 

A TRAVESSIA

 

     Era um lindo vale, cortado ao meio por um rio de água muito limpa, que nascia em uma montanha e descia formando poços e cascatas; ladeado por duas grandes montanhas. Mais abaixo as montanhas se aproximavam, afunilando o vale e apertando o rio que se precipitava em uma grande cachoeira.

      O vale era muito bonito e extenso, abrigando belas porções de planícies entre as margens do rio e as montanhas, ricamente aquinhoado de vegetação: plantas e flores. Entre as plantas muitas e variadas espécies frutíferas. O único fator de desconforto era que, uma observação mais atenta não revelava nenhuma saída dele, parecia bastante isolado em relação à parte externa.

     Eram ao todo doze mulheres que viviam ali, haviam erguido algumas cabanas para se abrigarem, alimentavam-se de frutas. Eram quase todas idosas e viviam em harmonia, exceto três delas que pareciam um tanto inquietas com a vida no vale e de vez em quando brigavam.

      Clotildes era uma senhora de aproximadamente setenta anos, não sabia há quanto tempo estava ali, nem como chegara. Quando ela chegou já encontrou algumas; outras chegaram depois. Agora fazia bastante tempo não chegava mais ninguém, ela sentia que não mais chegariam e, seja lá o que fosse aquele grupo, ele estava completo.

     Ela conhecia bem as plantas, conhecia muito bem e utilizava as ervas medicinais, para si mesma e para as outras, fazendo vários tipos de chás e caldos, muito reconfortantes e restauradores. Ultimamente estava mais atenta e andava bastante, observando o vale, primeiramente sozinha, depois convidava outras mulheres para andar e observar.

     O vale era bastante grande e não faltava nada para elas, aparentemente poderiam ficar ali por muito tempo tranquilamente, mas algumas se inquietavam e reclamavam querendo sair, mas não sabiam como.

     Clotildes chamou sua amiga Aurora para conversar:

     — Aurora! Nós estamos aqui há bastante tempo, mas de algum tempo para cá, estou sentindo algo diferente, as mulheres estão inquietas, mais agressivas.

     — Eu também tenho observado isso - respondeu Aurora - Tenho conversado com elas, tentando acalmá-las e ao mesmo tempo saber o que as incomoda, mas não tive muitas respostas.

     — Vamos fazer o seguinte: vamos convidar todas para conversarmos juntas.

     Marcaram para aquela tarde à margem do rio em uma pequena praia tranquila, entrecortada de pedras. Todas se fizeram presentes e começou a reunião.

     Clotildes explicou ao grupo o motivo da reunião, conforme já havia exposto a Aurora e outras concordaram, dizendo compartilhar o mesmo sentimento.

     — Temos que sair daqui - exclamou Guida, um pouco exaltada. Houve um momento de silêncio, como se todas avaliassem sinceramente aquela afirmação.

     Vera ponderou: — Sair por quê? Temos tudo aqui, o vale é grande, nada nos ameaça.

     — Está faltando alguma coisa - completou Ada. Aurora argumentou:

     — Creio que estamos um pouco confusas, mas o importante é que tenhamos calma e, se vamos fazer alguma coisa, temos que ter união e fazermos juntas.

     Depois de conversarem por muito tempo, concluíram que precisavam conhecer melhor o vale e identificar possíveis saídas.

     Formaram quatro grupos de três mulheres cada. O primeiro seguiu o curso do rio rumo a nascente, o segundo seguiu rumo à foz, o terceiro para a montanha da esquerda, o quarto para a montanha da direita. Os grupos tinham a incumbência de observar detalhadamente todos os aspectos, assinalar, se encontrassem algum caminho e retornar em no máximo seis dias, para nova reunião.

     Passados seis dias todos os grupos estavam de volta, relatando suas observações. Os dois grupos que seguiram o rio tiveram mais ou menos as mesmas conclusões, era impossível segui-lo, pois a montante nascia em uma montanha íngreme, sem condições de ser escalada. O grupo que seguiu a jusante concluiu também pela impossibilidade de descê-lo, devido a grande cachoeira que se formava.  

     Os grupos que exploraram as montanhas laterais, porém viram indícios de poderem vencer as montanhas. O grupo que explorou a montanha da esquerda, a qual vamos chamar de montanha A, concluiu que era possível escalá-la, embora fosse muito difícil, pois a montanha era íngreme, mas havia pontos com vegetação que poderiam servir de amparo.

     O grupo que explorou a montanha B encontrou uma grande gruta, que aparentemente atravessaria a montanha, porem não foi possível comprovar isto devido ao pouco tempo que dispunham para retornar.

     O grupo deparou-se então com a primeira grande questão a resolver. Qual seria o melhor caminho? E o mais intrigante ainda, onde eles levariam? Aonde elas chegariam após cruzar uma das montanhas?

     Discutiram a questão por várias horas, sob vários aspectos, sejam os pragmáticos, da conveniência do caminho A ou B e ainda os sentimentais, com defesas de um ou outro lado, baseados nos sentimentos e pressentimentos sem, no entanto chegar a um consenso. Cansadas, decidiram adiar a decisão para o dia seguinte.

     Nos dias seguintes conversaram muito, mas não conseguiam chegar a um consenso e o pior é que as posições começaram a radicalizar-se na defesa da opção A ou B.

     Nas conversas pelo menos uma coisa era consenso, em quaisquer das escolhas, precisariam de cordas. Uma das componentes do grupo então propôs que começassem a fazer cordas de cascas de árvores e de cipós, enquanto continuavam a explorar as possibilidades. Foi proposto também que iniciassem uma novena e que rezassem muito, pedindo a Deus que iluminasse a decisão certa.

     Vários dias depois, marcaram uma reunião onde deveria ser definido o rumo a seguir. Após muita discussão, não houve consenso e decidiram colocar as propostas em votação. O Grupo partidário da montanha B, pela gruta foi vencedor por sete a cinco.

     Embora pertencesse ao grupo vencedor, Clotildes argumentou que aquele resultado não deveria ser considerado, pois a travessia certamente seria difícil e precisariam estar todas unidas. Guida sugeriu a formação de dois grupos que seguiriam destinos diferentes. A proposta também não foi acolhida, pois sentiam que deveriam seguir juntas.

      Considerando que duas opções já haviam sido eliminadas, tornava-se um pouco mais fácil agora explorar as duas opções restantes. Elas formaram dois grupos com seis componentes cada e desta vez teriam até um mês para explorar as montanhas A e B. O compromisso era voltar em no máximo um mês, mesmo que encontrassem condições favoráveis não deveriam seguir, deveriam voltar avaliar as opções e seguirem em definitivo juntas.

      Passados trinta dias, o grupo que explorou a montanha A, com a opção de escalada, voltou desanimado, não conseguiu muito progresso, depois de várias tentativas por caminhos diferentes, não conseguiu prosseguir até o alto da montanha, embora algumas componentes ainda defendessem que seria possível se fizessem outras tentativas por outros caminhos.

      As mulheres do grupo que explorou a montanha B pela gruta, também não conseguiram informações conclusivas. A gruta era escura e encontraram bastante água como se fosse um lago subterrâneo, que dificultaria a passagem, mas até onde conseguiram avançar não encontraram obstáculos intransponíveis, nadaram pelo lago sempre tendo o cuidado de manter uma corda atada ao ponto de partida para poderem voltar. Para atravessá-lo seriam necessárias tochas para iluminar o caminho e procurar saídas do outro lado.

     Discutiram bastante, analisaram as opções e colocaram novamente em votação, desta vez a montanha B ganhou por nove a três.

     Não havia mais como protelar a decisão, consideraram o processo decisório concluído, com o acatamento da decisão da maioria e no dia seguinte começaram a preparar a partida. Precisariam de muitas cordas e tochas, além das já prontas, fizeram muitas outras.

    Outra decisão importante que deveriam tomar era a respeito da alimentação e água que teriam que levar. Notavam que umas comiam bem mais que outras e, no entanto, não notavam grande diferença entre os resultados. Decidiram então fazer uma experiência. Durante um mês, duas das mulheres se alimentariam e beberiam normalmente, duas comeriam apenas uma fruta e beberiam um copo de água, duas comeriam uma fruta e nada beberiam duas comeriam meia fruta e meio copo de água, duas tomariam apenas um copo de água e duas nada comeriam nem beberiam.

     Cumprido o prazo e as condições, as mulheres relataram suas experiências: As que haviam comido e bebido, embora uma ração mínima, relatavam que estavam bem e não sentiam nenhuma diferença em relação a alimentação normal, várias frutas  e vários copos de água por dia. As que deixaram de comer ou beber, no entanto, relataram que não se sentiam bem e que embora não sentissem fome ou sede, sentiam falta da alimentação e água e estavam bastante fracas. Decidiram então que a ração durante a viagem seria aquela porção mínima, porém necessária, meia fruta e uma pequena quantidade de água por dia. Portanto teriam uma carga bastante pesada para levar: frutas, água, cordas e tochas.

 

Continua...

 

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