Os Diamantes Azuis (IV) - Volume I - Planeta Luz - por Juvenil Tomas

Os Diamantes Azuis (IV) - Volume I - Planeta Luz - por Juvenil Tomas

OS DIAMANTES AZUIS – VOLUME I – PLANETA LUZ

A PRIMEIRA MISSÃO - Continuação

  

    A noite foi longa, Tobias não conseguiu dormir, pensou muito e tomou uma decisão, que poria em prática logo que amanhecesse.

     O dia amanheceu nublado, mas as nuvens não eram muito espessas, havia algumas fendas por onde entranhavam reluzentes raios de sol que se estendiam longamente pelo horizonte, como se fossem os dedos de Deus abraçando e aquecendo a terra.

     Tobias aproximou-se de Carlos e disse:

     — Carlos! Quero fazer algumas coisas e preciso da sua ajuda.

     — Minha ajuda? Nunca vi isto por aqui, porém, desde que não me complique com os guardas, tudo bem.

     — Não vai lhe complicar, você continuará fazendo a mesma coisa, só que cavará os buracos nos lugares que eu indicar e os deixará abertos.

     — Tudo bem.

    Tobias pegou uma vara de madeira mediu dez palmos, o que dava aproximadamente dois metros, escolheu o primeiro ponto e traçou uma linha imaginária perpendicular ao rio passando ligeiramente acima do local da fogueira. Pediu a Carlos:

     — Marque o primeiro ponto aqui. - Depois caminhou pela linha imaginária medindo 20 metros e pediu que marcasse o segundo ponto. Voltando pela linha marcou um ponto a cada 2 metros perfeitamente alinhados entre o dois pontos extremos, então disse a Carlos:

     — Para cada sinal que marcamos, preciso que você cave um buraco de aproximadamente um metro de profundidade por quarenta centímetros de largura.

    Carlos procurou com os olhos identificar os guardas que permaneciam a certa distância sem interferir e respondeu:

     — Se aqueles lá não me perturbarem, tudo bem.

     — Também não tenho certeza, comece e vamos ver o que acontece. Monte uma pequena equipe e faça dez linhas de buracos iguais a essa.

 Desceu ao rio e procurou João:

     — João! Notei que você gosta de trabalhar com madeira e está há muito tempo transportando este tronco. Preciso de sua ajuda para fazer um trabalho um pouco diferente.

     — Que trabalho é este?

     — É o seguinte: você deverá convidar mais dez pessoas, subirem um pouco mais pela margem do rio até a floresta, selecionar árvores de porte médio, com troncos de aproximadamente quarenta centímetros de diâmetro, cortá-los com altura de quatro metros, descer pelo rio e arrastá-los até próximo ao local da fogueira.

    — De quantos troncos você precisa?

   Tobias fez algumas contas mentais: - São cem só para os esteios, depois o piso e as paredes - e respondeu:

     — Aproximadamente mil troncos.

     — É muita madeira! Para que tudo isso?

     — Precisamos construir algo.

     — Apenas dez pessoas para fazer tudo isso, levaremos um bom tempo.

     — Você tem algum outro compromisso agendado? — Perguntou Tobias sorrindo.

     — Nenhum! — Respondeu João, já se afastando em direção a um pequeno grupo de pessoas que se aproximava do rio.

     Ao retornar do rio, absorto em seus pensamentos, pensando no próximo grupo que deveria convidar, Tobias encontrou os dois guardas plantados bem a sua frente. Ergueu os olhos, os dois o olhavam com cara de poucos amigos. Um deles disse:

     — Você precisa trabalhar.

     — Mas é exatamente o que estou fazendo.

     — Não brinque comigo, não vejo você cavando ou cortando nada.

     — Não estou brincando meu caro, estou organizando algumas coisas, isto se chama administração e é um trabalho.

     O guarda meneou a cabeça em sinal de discordância e ia dizer algo, mas o outro o interrompeu:

     — Espere talvez ele tenha razão. As ordens são para que eles estejam em atividade e ele está em atividade.

     — Mas acho que isto não é um trabalho — insistiu o primeiro.

     Tobias respondeu:

     — Cuidado, posso processá-lo junto ao Conselho de Administração.

   Os dois ficaram confusos, o segundo decidiu:

    — Vamos conversar com o Arcanjo — E afastaram-se rapidamente.

     — Arcanjo? — Tobias sentiu novamente um tremor e ficou por alguns segundos meio desnorteado. Depois respirou fundo e disse para si mesmo:

     — Bem! Vamos em frente.

     Tentando superar o turbilhão mental que quase o paralisa, Tobias começou a correr ladeira acima. Mais uma surpresa! A cada passo mais forte que dava, seu corpo subia quase volitando no ar e demorando bem mais que o normal para voltar novamente ao chão. Tobias se lembrou do andar dos astronautas na lua, com pouca gravidade eles brincavam andando em grandes passos ou mesmo em saltos. Tobias suspirou e pensou: - Novidades, novidades e mais novidades.

     Subiu, correndo, a pequena ladeira até próximo à fogueira e procurou Manoel, aquele homem que gostava de cortar madeira e ainda arfante, mais pela emoção que pelo cansaço, falou:

     — Manoel! Gostaria de ajudar-me a fazer um trabalho?

     — Que trabalho é esse?

     — Ao invés de ficar cortando madeira desorganizadamente, quero que você faça algo organizado. A equipe do João trará os troncos, reúna você também uma equipe, separe 100 troncos que ficarão inteiros e servirão como esteios, os demais vocês abrirão ao meio, alisando-os o melhor possível, para que pareçam tábuas. Pode fazer isto?

     — Claro que sim, mas por quê?

     — Precisamos fazer algo, você entenderá depois.

     — Tudo bem. — Respondeu Manoel.

     Por vários dias seguidos Tobias organizou várias equipes, encarregadas de diversas tarefas. Àquelas três já formadas, juntaram-se várias outras e o projeto começou a tomar forma.

     A princípio os trabalhadores não entendiam muito bem o que estava acontecendo e não davam muita importância àquelas atividades, trabalhando ainda apáticos como antes. Mas à medida que as equipes foram se entrosando e criando padrões de trabalho organizado e cooperativo, muitos foram se animando e trabalhavam mais felizes e até alguns sorrisos e risos, bem raros anteriormente, começaram a ser vistos e ouvidos naquele vale.

     Além do trabalho em si, Tobias organizou algumas outras atividades, tais como o momento próximo ao meio dia, quando todos se reuniam para uma pequena confraternização, alimentavam-se com frutas, conversavam e Tobias explicava o que estavam fazendo. Outra atividade que trouxe bastante aproximação e conforto entre eles foi o momento de oração e meditação, à noite. Todos eram convidados, mas logicamente não era obrigatória a participação, alguns não tinham o hábito de rezar e, a princípio não se sentiam muito confortáveis, mas aos poucos foram adaptando-se e integrando-se mais ao grupo.

    Alguns meses depois.

    Os dois guardas saíram da cabana, logo pela manhã e caminhavam descontraídos em direção ao local que iam diariamente e ficavam observando os trabalhadores, de repente levaram um grande susto. Enfileirados à sua frente estavam todos os trabalhadores parados.

     — O que está acontecendo? Por que estão parados? Vão trabalhar!

     Tobias se adiantou um pouco dos demais e disse:

     — Não vamos mais.

     Os dois se assustaram mais ainda. Um deles disse afobadamente:

     — Serão chicoteados.

     — Todos nós? — Perguntou Tobias apontando as centenas de trabalhadores.

     Percebendo a perplexidade dos guardas, Tobias os tranquilizou:

     — Não se preocupem, está pronto.

     — Pronto? O que é que está pronto?

    

Continua...

 

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