Outdoors intocáveis - por Patrícia Dantas

Outdoors intocáveis - por Patrícia Dantas

IMAGEM: DISPONIVEL EM HANNA BRESCIA IN PICTURES

Outdoors! A essa altura é o que mais parecemos, estamos cada vez mais expostos e gostamos de brincar com as ideias como se fôssemos intocáveis, mas temos sempre medo que o real aconteça. O mundo deseja que nos mostremos, de corpo e alma, então, vá lá, é assim que tem que ser! Mas, se vamos nos mostrar para quem quer que seja, que tenha pelo menos alguma dose de distinção e arrebatamento pessoal.

Que podemos fazer, já que somos uma parte absurda desse mundo que vemos e desejamos ardentemente fazer parte? aliás, fazemos parte! O negócio que chama atenção é que somos também intermináveis na corrida do dia a dia, somos embalados como em caixinhas de presentes e aí estamos prontos para nos lançar em qualquer ponto, é só esticarmos um pouco nossas pernas.

Sofremos por antecipação e por tais divagações, isto é fato na maioria das vezes, falo por mim, que sou uma viajante que costuma antecipar até a combinação das roupas, das leituras, das músicas e dos roteiros. De que vale a pena, se costumo mudar tudo ou quase tudo um pouco antes da hora? Gosto mesmo do improviso, da loucura da hora, da antecipação desmedida do que já está para acontecer, de súbito, num soslaio, como uma iluminação, um dervixe perdido no meio do espaço, buscando o tempo, mas de quê? Exatamente, como aquele que busca a iluminação em qualquer lugar, com a espera da musa no coração, da oração, da redenção, do grito alto no peito. Já insinuou Isabel Allende, no seu clássico De amor e de sombra, é assim que se permanece, vamos fugir do que é banal e vulgar, vamos em busca do que é verdadeiro.

E o que se faz da imagem implantada, como um estranho no corpo, sugando até o resto da alma, com um sabor leve e um estremecimento de horror na língua (temos um sabor, todos têm!)? Ele se avoluma, é voluptuoso e tem gosto de gente, adquire mil temperos, todos de tonalidades também diferentes porque a gastronomia pode ser fantástica quando descobre a pele de quem mexe com ela; é uma intrusa que não permite abandono, é a inquilina desejada, e é ela que permite a degustação de nós, o gosto real; é ela que nos fornece a receita perfeita.

Só escapemos do tédio, vamos fugir logo, antes que seja tarde demais – ele se arma como um cretino à espera no final da rua, sem sinais aparentes, mas está lá, a qualquer momento pode aparecer com um largo sorriso e nos levar para um lugar inventado.

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Publicado em 25/02/2014

 

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