Para que festa eu vou - por Mirian M. de Oliveira

Para que festa eu vou - por Mirian M. de Oliveira

PARA QUE FESTA EU VOU?

Mirian Menezes de Oliveira

 

Era véspera do Dia das Mães e eu só precisava comprar “meia dúzia” de produtos, no supermercado.

Antes de entrar na filial da grande Rede, vi uma fila imensa de carros, “buzinaço”, bexigas de todas as cores e, na calçada, uma quantidade imensa de pessoas, acompanhadas de crianças, extasiadas com as peripécias dos artistas (palhaços), que animavam a festa.

Estava com um pouco de pressa; entrei no supermercado, com o pescoço virado para a esquerda, tentando adivinhar do que se tratava tanta agitação.

Quando criança, só via fila daquele tamanho, nas festas de “Cosme e Damião”, quando muitas pessoas se aglomeravam, em torno dos doces e mimos.

Sim! Será que era Dia de “Cosme e Damião”?!

Fiquei na dúvida se entrava no estabelecimento, pegava os produtos e encarava a fila do Caixa, ou entrava direto na fila da suposta “diversão”, juntando-me aos palhaços.

Quem lê este preâmbulo, pode julgá-lo como exagero, mas a quantidade de pessoas era, realmente, enorme e, como autêntica brasileira, senti desejo de entrar, naquela agitação, ‘para ver no que dava”.

Sabe aquela história de seguir o arco-íris, para encontrar o baú do tesouro no final?! Pois era, mais ou menos, isso!

A comparação é estranha, mas lembrei-me da superstição, atendo-me à extensão da fila.

O que haveria no final?

Entrei no supermercado e fiz o que deveria ter feito.

Ao sair vi mais balões e palhaços!

“Não é possível!” “Cosme e Damião” coincidiu com a véspera do Dia das Mães! Deixe-me olhar no calendário!”

Antes mesmo de concluir a ação, fixei meus olhos no horizonte e a faixa pulou-me aos olhos: EMPRESA FULANA DE TAL – EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS.

“Como é que é?!” Fila de endividados, com direito a palhaços, bexigas e músicas infantis?!” Isso é o que chamo de desvio de funções. Coitados dos palhaços! Não seria mais adequado contratar o rabecão?!

Caminhei sem olhar para trás. É o que sempre digo: “Onde estivermos, sempre haverá “aliviadores” de desgraças!”

Peguei minha sacolinha e prossegui, pois minha próxima parada seria o mercado municipal da cidade, onde me encontrava.

Na pequenina fila, para comprar queijo e ricota, ouvi uma voz maravilhosa de tenor: “BESAME... BESAME MUCHO”!

Que lindo! Todos, naquele local, balançavam alguma “partezinha” do corpo: ou os dedos, ou os pés, ou a cintura...

Após realizar a compra, não resisti e fui ao encontro daquela maravilhosa voz.

Um jovem senhor, com um modesto microfone e uma caixinha de som, de dentro de sua barraca, fazia ecoar aquele som maravilhoso, num local, cuja plateia se escondia sob os montinhos de verduras e legumes.

Parei por alguns minutos, em frente ao cantor. Aplaudi-o, solitariamente, e pensei que esta festa estava mais interessante, do que a dos endividados, cercados de bexigas e juros embutidos. Esta seria uma homenagem do comerciante às Mães, ou o estoque de batata estava encalhado?!

Isso não importa! Foi lindo, seja lá qual tenha sido o objetivo, entretanto tive que seguir meu caminho.

Passei pela praça central. No coreto, cerca de 30 músicos, com uniformes impecáveis, preparavam-se para tocar. Banquinhos foram disponibilizados à plateia. Descartada a hipótese de ser parte da Festa de Cosme e Damião, pensei que aquela poderia ser uma possível homenagem ao Dia das Mães.

Dez ou doze passinhos, antes de me sentar, para assistir ao espetáculo, e a voz do responsável pelo cerimonial “retumbou” pela praça:

_ FACULDADE X, Y, Z... 15 ANOS DE EXISTÊNCIA! Para comemorar este grande dia, trouxemos algumas composições, para alegrar a todos... A FACULDADE X, Y, Z POSSUI OS MELHORES PROFESSORES, CURRÍCULO APRIMORADO...BLÁ... BLÁ... BLÁ...

Mudança de rota...

Caminhei com a “meia dúzia” de produtos do supermercado e, chegando à grande casa, após o almoço, resolvi fazer a sesta.

Repousei a cabeça e adormeci por alguns minutos, embalada pela pergunta: Para que festa eu vou?

Foi então que vi o arco-íris... Não consegui atravessá-lo, mas tinha a certeza, de que ao final das sete cores, iria me deparar com um grande tesouro... não com um baú, repleto de joias, porque isso é bobagem, mas com tenores, palhaços, bexigas, bandas, famílias, brincando com suas crianças, sem a preocupação de dívidas... PAZ!

Se acordei do sonho?! Graças a Deus, pois senão esta crônica seria póstuma!

Se gostei?! Lógico que sim! Isso não é o princípio da felicidade verdadeira:! Sei lá!

PARA QUE FESTA EU VOU?

 

 

 

 

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