Paralelos - por Adriana Freitas

Paralelos - por Adriana Freitas

PARALELOS

 

            De repente eu virei ou tentei me tornar aquele tipo de pessoa que não se importa. Não fazia nenhum esforço, simplesmente tentei aplicar o desapego a minha filosofia de vida. E por um tempo, acho que deu certo. Pelo menos acreditava que dava certo.

            Não é que eu quisesse ser essa pessoa desapegada e desinteressada. Acontece que as dores e as feridas às vezes nos levam por caminhos que jamais pensamos em percorrer e que, no momento, serve de proteção e aprendizado.

            Afinal, com exceção dos masoquistas, ninguém gosta de sofrer, eu pelo menos não sinto prazer nenhum na dor. Tento aprender a conviver com ela. Mas por um tempo tentei apagá-la, tentei fugir da dor vestindo a fantasia do desinteresse, do desapego.

            E por causa desse medo e da fuga da dor quase perdi momentos felizes, experiências novas. Eu agia no modo do tanto faz ou em vários momentos do “não estou a fim, corra daqui”. Meu interesse desaparecia compulsivamente e constantemente, como num piscar de olhos.

            Percebi que correr dos problemas não o farão desaparecer e muito menos fingir que ele não existe irá funcionar. Antidepressivos até ajudam a dormir, mas não elimina a dor como num passe de mágica. E a melhor forma de se perder o medo e encará-lo de frente. É vencer as barreiras, pacientemente, um passo por vez.

            E em meio a essas confusões sentimentais, atitudes indelicadas e imprecisas. Um não quis fugir, um insistiu em ficar. E aquele coração que parecia pedra, foi baixando a guarda e amolecendo aos poucos. E aos poucos o medo de amar foi embora e o que era receio, precaução, proteção ou medo mesmo, virou festa, prazer, momentos felizes.

            E de repente todos os meus poemas de amor ganharam rosto, corpo e endereço certo. Finalmente fiquei feliz por descobrir que estava errada. Há pessoas que realmente valem a pena conhecer, dividir histórias, compartilhar momentos e quiçá a vida. E de repente as coisas começaram a fazer sentido.

E pela primeira vez me senti conquistada, cuidada e amada. Ainda não sou apegada, pois acredito na liberdade de escolha. Defendo as vontades. Abro os braços, a casa e o coração. O espaço é seu. Fique à vontade. Quero que fiques, mas te deixo ir a hora que quiseres. Finalmente encontrei alguém que somasse. Ele não me completa, eu não preciso dele. Assim como eu sou pra ele. Eu não sou a sua metade, nem a tampa da sua panela. Apenas somos felizes juntos. E que continuemos até o dia que findar nossas vontades.

 

 

 

 

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