Parei para ver - por Carmen Jacques Larroza

Parei para ver - por Carmen Jacques Larroza
Parei para ver
 
     Andava pelo centro de minha cidade. Cansei e sentei em um banco da praça frente à igreja matriz. Comecei a observar o vai-e-vem das pessoas. Melhor dizendo, das "companheiras" mulheres.
   A maioria, que entrava no calçadão, quase corria. Não podia perder a hora ou a promoção, ou, ainda pior, a consulta. E sendo pelo SUS então... Bem, deixa prá lá. Quem sabe corria para comprar um medicamento para um filho? 
   Quem estava saindo, vinha com sacolas, também quase correndo. Essas, talvez, a pressa se devesse ao medo de perder o ônibus. Talvez tivessem um jantar para fazer, roupas no varal... Ou quem sabe medo da bronca do marido, que ao chegar do trabalho, não encontrasse sua rainha fora do trono, correndo prá lá e prá cá. É, tem maridos assim, ainda nos dias de hoje. Mulher Maravilha é aquela que o recebe descabelada, amarrotada, unhas espigando, olhos fundos de tanto trabalhar e com um largo sorriso forçado. "Ai, que felicidade! Que felicidade! Há dois passos do paraiso!"
- Ah, minha nêga, nosso ninho de amor está "nos trinques". Tudo limpinho, cheroso como o teu "neguinho" gosta! Mas... Seria ninho de amor? O que vocês acham?
    Como de costume já fugi do assunto. Porém voltando...
     Algo me chamou a atenção. Mesmo as que estavam acompanhadas, estavam caladas. As que falavam, era bem alto. Riso? Escasso. Podia-se ouvir o assunto tratado. Senhores maridos, senhoras sogras, me perdoem, mas as suas orelhas deviam estar ardendo.     Interessante é que todos, mulheres e homens, pareciam sós. Mesmo os acompanhados, tinham o olhar distante, perdido em busca de algo, que lhes faltava. Dentro de si mesmos, havia um vazio. A alma estava oca.
     Solidão em companhia de alguém? É um contrasenso. Entretanto, a maioria, vive só com pessoas ao redor. Apenas cercada de gente.
    Quantas vezes, carentes de um abraço, de um "estou aqui", de um sorriso, de um olho no olho e não temos ninguém que nos olhe nos olhos. Não temos ninguém que nos veja. É duro, porém é real.
    A solidão mata. Leva ao suicídio. Não é a toa, que estes têm aumentado tanto. E, pior ainda, entre os jovens. O que e quem nos falta para nos completar? Para preencher esse vazio?  
    Tenta-se, inutilmente, preenchê-lo comprando, comprando. Comendo, comendo... Contudo ele continua ali, indelével na alma.
    Muitas casas estão cheias de pessoas. A família é numerosa. No entanto, quantos estão acompanhados de verdade? 
    Cada um com sua TV, com seu Pc,  com sua guitarra ou violão, olhando o nada, cantando prá ninguém. Refeição à mesa? Pedra valiosa perdida no meio de uma jaziga. Cada um, quando tiver fome pega seu lanche - há tantos enlatados - ou sua refeição, aquece no micro ...
    É, meus amigos, parei para ver e não gostei do que vi: a solidão, o vazio cuja origem é a falta de amor.
    E pensar que temos Alguém que nos ama incondicionalmente e nos chama de "filho amado"...
Ah! Se déssemos ouvidos a esse chamamento...
   
 
 
 
 

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