Paula Timóteo - Entrevistada

Paula Timóteo - Entrevistada

por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Nasci a 25 de Setembro em Lisboa e com a minha mãe habituei-me a partilhar os sonhos que a noite nos tinha trazido. Mais tarde, quando andava já na escola, era delicioso ver o seu olhar atento e orgulhoso enquanto eu lia as minhas redacções que na aula haviam sido lidas para a turma pela professora.

Cresci numa casa com um quintal cheio de árvores e onde havia sempre muitos gatos que me entretinha a domesticar. Foi uma infância de liberdade e ar puro, de jogos e muitos amigos imaginários e histórias inventadas. Estudei piano quando consegui pagar as minhas aulas, conclui na Universidade Nova de Lisboa a licenciatura em História e sou professora de História e sobretudo sou educadora. Colaborei redactorialmente durante 10 anos com uma revista de arte e moda, tive contos publicados no jornal Diário de Notícias e participei na colectânea de poesia Palavras de Cristal. Sou sobretudo a soma do tempo, meu e dos outros. Um tempo feito de gente, de palavras, de vento e sol e chuva e sonho.

“E o que somos é a soma das memórias que o tempo constrói. São ainda contos onde o fantástico e o surprendente surgem de forma mais evidente em algumas histórias como “O Poço” a “ A Parede” ou a “Rosa Maria” e uma paixão pelos animais se torna evidente.”

 

Boa Leitura!

 

SMC - Escritora Paula Timóteo é um prazer contarmos com a sua participação no projeto Divulga Escritor, conte-nos em que momento pensou em escrever o seu livro “Um dia... o dia não se repete”?

Paula Timóteo - O prazer é certamente meu e agradeço o interesse manifestado bem como a oportunidade de conversar convosco. Respondendo à pergunta, devo dizer que, tal como a maioria dos que gostam de escrever, a publicação de um livro é sempre um sonho a cumprir. Confesso que tenho alguma dificuldade em entender quando ouço alguém dizer que escreve só para si. O que se passa é que muitas vezes não temos a confiança suficiente que nos permita publicar. Por isso, este livro surgiu como resultado de dois factores essenciais: o facto de ter uma série de contos escritos e porque me consegui libertar de uma postura de autocrítica feroz que acabava por ser inibidora. O dar a ler um conto e a seguir outro e outro, a alguém que não fosse eu própria, foi uma conquista e uma etapa fundamental. Rapidamente a Modocromia insistiu na publicação, os amigos que leram encorajaram a ideia e quase se zangaram diante a minha hesitação. Depois veio a fase da selecção dos contos e da prórpia definição da estrutura e conceito do livro. Surgiu então o convite a uma ilustradora excepcional, a Susana Matos, que se encantou, no verdadeiro sentido da palavra, pelas histórias e que criou ilustrações surpreendentes. Ds melhores que eu alguma vez vi.

Hoje o livro é verdadeiramente um motivo de orgulho para todos.

 

SMC - Que temas você aborda nesta obra?

Paula Timóteo - Diria que cada conto é uma história de vida observada com minúcia e atenção . A dada altura da minha vida apercebi-me que retemos muito pouco de tudo o que vivemos. Existem pormenores, pessoas que se cruzaram connosco, acontecimentos, conversas, olhares que se perderam definitivamente pelas esquinas da memória. Outras vezes passamos pela vida sem a olharmos. Nessa altura ela torna-se transparente e  o tanto que nos rodeia passa a ser“inexistente”. Por isso diria que estes contos conciliam uma escrita sobre a atenção ou até a contemplação do que somos. E o que somos é a soma das memórias que o tempo constrói. São ainda contos onde o fantástico e o surprendente surgem de forma mais evidente em algumas histórias como “O Poço” a “ A Parede” ou a “Rosa Maria” e uma paixão pelos animais se torna evidente.

Este é um livro aonde, espero, apetece regressar porque, tal como diz João Lima no seu prefácio “...com elas (as personagens) nos apetece continuar a conversar. Porque elas sentam-se ao nosso lado e fazem parte da nossa vida. Um dia, algures, nos cruzámos com uma delas. São pessoas que conseguimos ver. Tudo isso torna este livro num objecto de memórias. Como se fosse um baú. Uma caixa atada com cordel do tempo das mercearias e do papel canelado para levar para casa quase como sendo o mais precioso dos embrulhos”

 

SMC - Qual a mensagem que você quer transmitir ao leitor através de seus textos literários?

Paula Timóteo - Julgo que em parte já terei respondido, no entanto gostaria de dizer que entendo que quando produzimos alguma coisa, seja ela mais ou menos criativa, ela deixa de nos pertencer a partir do momento que a libertamos no mundo. Sei o que senti quando escrevi as minhas histórias, mas cada leitura é uma leitura singular. As ilustrações da Susana são extraordinárias porque são a sua visualização dos contos e em simultãneo podem ser elas mesmas histórias que se contam autonomamente. Cada leitor pode assim encontrar em cada conto e cada ilustração uma possibilidade de leitura que o transportará, se assim o entender a um desenvolvimento da história ou até a recriar uma outra. É este apelo e incentivo à criatividade de cada um que julgo estar presente no livro. Tal como diz João Lima acerca do livro

 

SMC - A quem você indica a leitura do seu livro?

Paula Timóteo - Por vezes perguntam-me para que idade ele está pensado e confesso que tenho alguma dificuldade em “arrumá-lo” de alguma forma. Julgo que este é um livro que pode ser lido dos 9 aos 109 anos ( eu costumava dizer dos 9 aos 99 mas depois a Susana lembrou-me, e bem, que o nosso realizador Manuel de Oliveira está ao activo ao 105 anos...). Cada história terá leituras diversas em conformidade não apenas com a idade mas igualmente com as experiências de vida. Bom, afinal penso que isso acaba por acontecer com todos. De qualquer forma devo confessar que quando escrevo as histórias não o faço com um objectivo definido relativamente a quem vai ler. Assim talvez possa adiantar que, exceptuando a questão do escalão etário, o livro terá interesse a quem se identificar com o que eu disse anteriormente. Penso que será sobretudo um livro para o qual “:::é preciso um tempo de descanso. De repouso. De sossego. De ler em pausa. Para ser lido em modo lento. Como se fosse uma conversa que vamos começar”como o João Lima escreveu no prefácio.

 

SMC - Onde podemos comprar o seu livro?

Paula Timóteo - O livro pode ser pedido directamente a mim através do endereço:

anapaulatimoteo@sapo.pt ou através da editora Modocromia

 

SMC - Quais os seus principais objetivos como escritora? Pensas em publicar um novo livro?

Paula Timóteo - Irei participar na próxima colectânea de poesia “Palavras de Cristal”. É a segunda vez que sou lisongeada com o convite que aceito com imenso prazer porque a poesia faz parte da maior parte do trajecto da minha vida. Para além desse livro eu e a ilustradora estamos a trabalhar num projecto de reescrita das lendas das constelações. O desafio desta vez partiu da ilustradora e por isso o trabalho dela está mais adiantado. Para além desse projecto há mais contos a aguardar o momento e a maturação suficientes para se emanciparem.

 

SMC - Quais os principais hobbies da escritora Paula Timóteo?

Paula Timóteo - Não sobra muito tempo para hobbies, mas em todo o caso este ano estou a descobrir com o apoio e incentivo do Alfredo, o meu marido, a magia dos trails e estou a adorar. Este fim de semana ele irá cumprir 100kms em Portalegre e eu 42km. Haverá certamente muito estímulo visual inspirador para muitos contos. E é evidente que a leitura é sempre a sobremesa do dia.  E neste campo é para mim impossível falar em escritores preferidos porque cada um é único e muito especial nos universos que cria, na linguagem que constrói. E alguns são uma surpresa como foi para mim o Chico Buarque de quem já era admiradora no campo musical. O “Leite derramado” é intensamente lindo.

 

SMC - Como você vê o mercado literário em Portugal?

Paula Timóteo - Bom a produção literária em Portugal sofre dos mesmos males que a produção em outras áreas da cultura. Portugal está a viver um dos piores períodos da sua história já que o primado está colocado no mundo financeiro, nos jogos de especulação, nas redes de corrupção a que tudo se subalterniza. A questão é complexa, mas vivo num país onde o poder executivo desrespeita a educação e a cultura e penso que está tudo dito.

 

SMC - Quais as melhorias que você citaria para o mercado Português?

Paula Timóteo - Eu desejaria melhorias na política cultural e educativa. Com um país melhor formado e mais dignificado e exigente, o mercado corresponderia com outra postura.

 

SMC - Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista, agradecemos sua participação no projeto Divulga Escritor, muito bom conhecer melhor a Escritora Paula Timóteo, que mensagem você deixa para nossos leitores?

Paula Timóteo - Começo por desejar todo o sucesso que o projecto “Divulga Escritor” tão bem merece e espero que cada leitor continue a descobrir nos livros o portal que nos transporta para a dimensão da felicidade e do sonho. Que cada momento possa ser vivido com a intensidade e a loucura que as coisas únicas nos fazem sentir.

 

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