Pedro - por Daniela Gebelucha

Pedro - por Daniela Gebelucha

PEDRO!

 

Naquela penumbra noturna Pedro imaginava estar nos braços da amada, mas aquela distância lhe impedia. Da varanda, fixava o olhar no horizonte, o vento gelado lhe corroía o coração, seu lamento estendia-se naquele abandono, seus olhos cheios de lágrimas desejavam a amada que estava distante em pensamento.

Entrou na biriva, lá estava ela sentada num banco qualquer. Puxou outro banco, estendeu as mãos frias sobre o fogo que queimava no fogão de lenha, a fumaça do cigarro que fumava difundia-se no ar, uma triste nostalgia lhe invadia a alma. Percebia que ela não queria estar ali. Agonia que restava-lhe naquele triste inverno.

Os olhos cheios de lágrimas invadiam aquela barba desleixada, cabisbaixo, roupa amarrotada e um copo de cachaça que estava sendo esvaziado. Uma rosa murchando em seu coração. A amada estava tão perto naquela pequena lonjura, mas com o pensamento distante a léguas, olhar frio, amargurada pelos desamores.

Pedro queria que ela olhasse e entendesse que os sonhos dele era com ela, e que não eram passageiros. Ele queria que ela soubesse que seus lábios são os mais doces que já saboreou, que seu abraço aquecia-o naquelas noites amedrontadoras.  Ele imaginava que ela pensava em outro, que o dono de seus abraços já não era mais ele, mas mesmo assim insistia em tê-la por perto.

Ela continuava em silêncio. Aquelas mãos finas e delicadas tocavam-se uma a outra, suas unhas vermelhas o tentavam. De vez, em quando uma que outra palavra era proferida.

Um sorriso malicioso era traçado naqueles lábios cor de pecado, ele escutava um leve suspiro dela. Um suspiro por outro homem. Ela levantou-se e foi para o quarto. Vestiu um sobretudo vermelho, retocou os lábios da mesma cor, colocou bota e esporras, montou no alazão e saiu cavalgando pela estrada a fora.

Pedro montado em outro cavalo a seguiu, ela parou em frente ao cemitério. Desceu do cavalo e entrou. Naquele instante Pedro descobriu que ela era fruto de um desejo, a dama de vermelho das lendas que seu pai lhe contara na infância, em que ela aparecia nas noites de lua cheia assustando tropas e enfeitiçando domadores.

Pedro voltou para casa e passou a viver a realidade.

 

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