Perdidos no Ninho - por Maria Estela Ximenes

Perdidos no Ninho - por Maria Estela Ximenes

PERDIDOS NO NINHO

 

            Tarde de sol, céu límpido no parque arborizado. Passarada   festejando  de  galho em galho, visitantes fazendo caminhada,   esportistas exercitando o corpo. Sorvete e água gelada, grama e sombra fresca. Sorrisos e sussurros de quem se alegra ao desfrutar uma tarde de sol. No parque,  pedras e galhos de árvores  aconchegam  alguns insetos. Abraços se combinam, lambidas de cachorro também. Óculos de sol,  protetores solares e  até   um livro ao som  dos pássaros combinam .

Uma tarde no parque é um presente para quem  sabe apreciar  a natureza,   ninho generoso de acolhimento.

Perdidos no ninho são todos aqueles que,  de tão entretidos com parelhos  celulares, ignoram a diversidade do parque e  suas belezas naturais. Não  ouvem  o canto dos pássaros  por causa dos fones no ouvido, não retribuem  cumprimentos por falta  de atenção,  sorriso não é correspondido diante de  quem sorri para a câmera. Já não existem olhos nos olhos quando os mesmos estão atentos na próxima mensagem. Aperto de mão foi substituído por mãos que digitam, cérebros se movimentam ao compasso da internet. Ondas engolem o tempo.

Cheiro de mato  não orna   com  aparelhos eletrônicos pois estes  desviam a sensibilidade do ser.

Tarde de sol no parque, momento tão puro e tão singelo. Perdidos no ninho, condição  tão triste e tão alienada.  

 

Do livro “Selfie da macaca”    

 

 

 

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