Poemas do Conto Pedaços de Felicidade do livro Em que esquina se esconde essa tal felicidade?

Poemas do Conto Pedaços de Felicidade do livro Em que esquina se esconde essa tal felicidade?

Poemas do Conto Pedaços de Felicidade do livro Em que esquina se esconde essa tal felicidade?

por Giovane da Silva Santos

 

Quando a vi pela primeira vez,

O mundo todo entrou pelos meus olhos,

A lua, o sol, as estrelas.

Todas as cores em sua profusão de matizes.

Por favor, não me desliguem da tomada!

Eu sinto, eu amo, eu perco a vergonha

De mergulhar nesse mundo desconhecido, ilha voraz,

Que me atrai como o náufrago

Sedento de um porto seguro.

Você entrou pelos meus olhos

E agora habita em cada célula de meu corpo,

Como uma gripe que não passa

Mas que não me dá dor de cabeça.

Somente tonturas, delírios de Amor.

Vontade de me eternizar na sua pele,

 Como uma tatuagem de traços de nanquim

Que não sai nem com cirurgia,

Nem com esponja de aço, água ou sabão

E que transformam dois perdidos

Em parceiros de uma mesma empreitada.

Não fuja do meu universo,

Pois eu acabei de me perder na órbita

De seu novo sistema solar.

***

 

Não aponte o dedo na minha cara, brother!

Tu já fez pior!

Não sou o maior canalha do mundo.

Nem você!

Quem não erra nessa ciranda de loucos apaixonados,

presos a ilusórias aparências, desejos efêmeros.

Se confessarmos cada besteira, que aprontamos

desde que paramos de engatinhar

e ganhamos o mundo, encheremos um Maracanã.

Um não... dois. Três Engenhões.

Mas se aproveitarmos o momento, para o abraço redentor, meu amigo.

Aquilo vira um cogumelo radioativo de amor

É alivio total. Tenta. Se solta, cara!

Vai ver você adora ser o centro das atenções, né!

Um clown do mundo!

Mas que monta uma carranca feia

diante de quem precisa só de um movimento dos seus lábios.

Um sorriso. Respira fundo!

Solta esse peito, meu filho!

Sinta o ritmo da vida! Remexa as cadeiras

 e deixe sair aquele sentimento de bem-querer,

que represa dentro de você  e fica com medo de libertar,

olhando pros lados, como se uma vizinha fofoqueira

 fosse espalhar pra meio mundo

que alguém fez as pazes.

Não aponte o indicador na minha, cara, brother!

A não ser que seja pra respingar,

com o anelar, fura-bolo, mindinho e o polegar,

o orvalho inesperado da sua declaração de amor.

Amanhã pode ser tarde demais.

O amor pede urgência! Seu coração pede paz!

Olha pra mim, brother! Eu ainda não apaguei a luz!

***

 

Para que guardar tanto entulho

Que não lhe serve mais, Manuela!

Seu guarda-roupa oculta um armazém,

que nos leva à Terra do Nunca.

Vestidos de caipira do maternal,

cadernos de caligrafia do CA.

Botas que não usa há um ano.

Aparelho dentário dos doze anos.

A camisa fedorenta do zagueiro do Corinthians,

 que agarrou à unha ao ser arremessada

pelo astro da bola, na final de um campeonato,

 e nunca lavou pra preservar a aura do momento.

Nunca um bom ar fez tanta falta num armário, meu Deus do Céu!

Um verdadeiro museu sublocava espaço em seu guarda-roupa!

Pesados casacos de frio,

 que só usaria quando nevasse no Rio,

o que por si só me deixaria assustado 

com a chegada de um aclamado apocalipse.

Para que serve sermos um armazém de inutilidades,

se ostentamos um vazio de experiências sensoriais.

Se somos ocos como um agogô defeituoso,

que nunca produziu um som.

Se as pessoas não fossem tão pudicas,

no verão, eu viraria um naturista no centro urbano.

A pele seria minha mais perfeita roupa.

Comeria o que a terra me ofertasse

E devolveria a ela suas sementes de renovação.

O necessário está em mim. E o que é necessário

senhoras e senhores do júri?

Carro do ano? Tevê de 1000 polegadas?

Tablet que só falta lhe dar orgasmos?

Dispenso o amor entre humanos e máquinas.

A robótica não é tão atraente ou charmosa.

Prefiro curvas a porcas e parafusos, bytes e namoros virtuais.

E a reposta é tão simples. Está em você.

Se olha no espelho!

Se as rugas não apareceram, elas vão pintar.

Por mais possantes que sejam os cremes faciais,

as marcas da maturidade lhe dão a certeza de que

é fundamental amar, proteger, cativar.

E esse tipo de coisa a gente não guarda numa gaveta,

Nem compra numa loja de conveniências de um posto de gasolina,

Nem num quiosque da praia.

Nem se acha no saquinho de pipoca do homem da pracinha,

Entre o bacon e o excesso de sal. O resto é reciclável!

Pode preencher os espaços de outros que nem tanto tem.

Não será a hora de ficarmos com o essencial?

E limparmos as gavetas entulhadas de ressentimentos e mágoas.

Eu acabei de esvaziar a minha. E juro!

Eu e ela estamos muito mais leves.

 

 

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