Quantos Monstros suportamos?! - por Maria de Fátima Soares

Quantos Monstros suportamos?! - por Maria de Fátima Soares

QUANTOS MONSTROS SUPORTAMOS?!

 

Que fazemos aos monstros que criamos? Aos que sempre habitaram connosco, "alheios" a nós. Que fazemos aos monstros que vemos passear por aí? Aos que trazíamos cá dentro e por cada chapada no ego, desilusão ou abandono, acordaram e fortaleceram-se? Nada! 

Por vezes, por mais que se tente "endireitar" alguém não é possível. Ele(a) entorta-se mais. Fomos todos filhos e chegados aqui (a viver com os nossos monstros e os dos outros) muitos "salvam-se" a cada dia, outros perdem-se, no mesmo espaço por esses caminhos fora! Filhos somos, pais seremos... Mas, não está na nossa mão ser milagreiro. Ou se tem sorte com os filhos e cabeça para nós mesmos, ou... É o que tem de ser. Estes, são os monstros que criamos. Os filhos que são nossos, ou nós mesmos, sendo filhos de outros!

E os que sempre habitaram connosco e pareciam dóceis. Nunca ascenderiam a monstro? Depois, matam-nos a mãe ou violam-nos. Maltratam o pai (também há violência no inverso.) Fazem-nos cúmplices da sua monstruosidade, com ameaças, para nos manter quietos e calados? O que provoca isso na cabeça de alguém que está a ser criado, um dia irá criar e cuidar? Esses monstros (pais, tios, avós) que também habitam connosco e nos são "alheios" porque são em si, uma entidade, mas tão próximos... Próximos demais como exemplo, desejável. Quando o deveriam dar e não dão e melhor coisa e melhor sorte, nos fosse dada. Mais uma vez a malvada sorte, tanto para os filhos como para os familiares que nos cuidam e ensinam.

E aos que entretanto eclodiram. Brotaram, em nós, quando estavam dormentes. Jamais nos pensávamos capazes de... Mas, fomos! Por culpa de quem? Nossa, deles? Porque já nascemos monstros e não havia volta a dar, ou porque trazemos os nossos monstros bem amestrados e circunscritos? Salta-se tão depressa daqui, para todos os monstros que andam por aí e que somos todos, num conjunto de pessoas que vive no limite, uns contendo-se... Outros extravasando e deitando tudo a perder.

Quando não somos capazes de "conter" alguém, ou conter-nos e nos aprisionam em prisões, em hospícios, casas de correcção. Quando toda a vida se viveu num orfanato, com esperança de ser adoptado e não se é. Pior! Quando se é "devolvido," porque quem nos levou, já não quer... Que vida a nossa! 

Somos! "Somos humanos mas temos de viver como se fossemos de ferro (Freud)" Somos obrigados a ser delatores de monstros que também transportamos dentro, por que nos exige a consciência. Somos! Passamos a vida a tentar ser e nunca somos nada. Na maior parte das vezes, é por nos sentimos nada e por nada sermos, mesmo, que nos transformamos em monstros. Porque nos dói e queremos fazer... Pagar! 

Quão complexa é a mente humana? Quão débil é o equilíbrio entre, o chegar ao fim da vida sem ter deixado eclodir o nosso monstro, ou abreviá-la, num cárcere ou morte precoce, porque o soltámos, para gerar o caos?! Que prémio nos dão, por conseguir ser um cidadão exemplar até ao fim? Como e por que num dado momento "fundimos" sem volta de conserto?

 

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