Raízes aquáticas - por Regina Alonso

Raízes aquáticas - por Regina Alonso

Raízes aquáticas
Regina Alonso

                                    

Vivo numa ilha, mas não sou náufrago. Desde que nasci, vejo o horizonte – cordão umbilical jamais cortado, unindo-me à terra de Brás Cubas! Esta linha vai costurando uma ponte invisível entre os morros, separando azuis – céu e mar...

Manhãs desiguais... Nítidas, à luz do sol, ondas tranquilas beijando a areia, gaivotas na sincronia do voo... Outras vezes, encobertas pelas brumas, véu branco estendido sobre a paisagem. Meus olhos viciados adivinham contornos da serra, o movimento do mar, a posição dos navios agora sem rumo...

Nas tardes quentes, jardins quase vazios... chapéus de sol e as folhas que vão se avermelhando, até cair, ao sabor das estações... Frutos esborrachados pelo chão... Nas barracas, o sorver prazeroso da água de coco refrescam os caminhantes. O tapete verde do gramado contrasta com tantas espécies de flores coloridas. Majestoso, o lírio do campo, amarelo ouro, reluz ao sol!

Acompanhando as calçadas da praia, a areia branca, o barulho do mar... Sempre o mar. Doce canto que embala a todos, ancorados nesta ilha há tanto tempo! Canto transformado em grito, quando o vento forte agita as águas. Ondas quebrando amuradas, arrancando pedras do calçamento, balas ricocheteando no ar! Tempo de ressaca, beleza e medo. Transformação profunda quando a água avança, cobre a faixa de areia, atravessa a rua...

Algumas horas depois, tudo volta à calma. O pescador retorna ao mar, as canoas deslizam nas águas serenas... Os barcos camaroneiros retornam à noitinha. No lusco-fusco, o balançar das embarcações cheias de peixe, alimento abençoado! Andorinhas recortam o céu.  Pôr do sol em tons violáceos refletido na superfície do mar... O pescador agradece o sustento e tanta beleza!

No céu negro estrelado, a lua branca prateia as águas... E pela noite, a brisa marinha traz o cheiro forte da maresia... Ai, nossa pele santista recoberta de escamas e salitre do mar!

Poderia falar do Porto e sua luta para se adequar às exigências atuais; do Centro – preservação valorizando nossa história; do Museu de Pesca e do esqueleto da baleia atraindo tantos turistas; do Aquário remodelado para receber outras espécies marinhas e acomodar melhor tantas que já são velhas conhecidas – nosso leão-marinho, por exemplo... Poderia ainda falar do Orquidário e suas árvores centenárias quase tocando o céu!... Cinemas, comércio, tantas praças...

Ser santista... Eu sou! Marinheiro da terra. Minhas raízes fincadas neste mar que circunda a cidade e me envolve como o útero materno!

 

Conheça outros parceiros da rede de divulgação "Divulga Escritor"!

 

       

 

 

Serviços Divulga Escritor:

Divulgar Livros:

 

Editoras parceiras Divulga Escritor