Recife dos meus Olhos - por Lígia Beltrão

Recife dos meus Olhos  - por Lígia Beltrão

Recife dos meus Olhos

 

Estou com uma saudade doída.

Daquela que amassa o peito da gente

E deixa a criatura assim, meio boba,

Sem saber o que pensar. O que dizer.

Ai que saudade sofrida!

 

Estou me vendo na Rua do Bom Jesus

Arruando por meu Recife,

Sem paradas,

Sem rumo certo...

Tropeçando naquele “monte” de gente

Andando com pressa pra não perder a hora

Acenando para o ônibus lotado

Naquele trânsito que nunca é deserto

Num “ruge ruge” endiabrado.

 

Só quero receber as carícias do seu vento morno

Que canta sibilando fazendo coro com o rio

Que corre serpenteando dividindo o coração da cidade

E caindo molengo dentro daquele mar morno, único.

 

Quero as pernas bambas dos bêbados das madrugadas

Que cantam pelas ruas tortas tropeçando na história

Das violas enluaradas de outrora.

 

Quero atravessar as pontes revestidas de ferro e cores

E sentir o cheiro dos manguezais e ver os caranguejos

Se contorcendo nas cordas dos pescadores.

 

Quero o frevo rasgado que faz tremer o chão

Debaixo das sombrinhas coloridas

Levadas para equilibrar os passos, erguidas na mão.

 

Ai que saudade dos frevos de bloco

Dos maracatus, do samba meio torto que vem atrevido.

Do forró, das feiras e dos mercados, do xaxado e baião.

Dos coqueiros requebrando nas praias que choram no meu coração.

 

Ai que saudade, Recife... De tu... E de mim... Do meu tempo. Do teu chão!

 

                                      Lígia Beltrão

 

 

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