Reencontro - por Rubens Silva

Reencontro - por Rubens Silva

Por Rubens Silva

 

Era quase oito horas da manhã do dia vinte de setembro, dia do Gaúcho, data de aniversário de nascimento do meu pai. Nesse dia tinha que viajar até a localidade de Jacarandá, uma agrovila na zona rural de Santana, cidade onde resido atualmente. Um automóvel da prefeitura apanhou-me em casa. Eu sabia e sentia que seria um dia cheio. Primeiro, pela distância que teríamos que percorrer até chegar ao nosso destino, depois pelo intenso calor, sol quente e falta de umidade relativa do ar nesta região do país, o que torna a viagem muito cansativa, por mais curta que seja.

Durante a viagem, até comentei com alguns colegas que neste dia se comemora o dia do Gaúcho, término da Revolução Farroupilha, no Rio Grande do Sul, um dia festivo e por coincidência o dia do aniversário do meu velho pai. Depois desse comentário, olhando a paisagem seca que passava pela janela do carro, me absorvi em pensamentos e fiz uma prece em homenagem a ele, pedindo que Deus o acolhesse, se ainda não o tivesse feito. Agradeci a ele tudo que me ensinou, pedi-lhe mil perdões pelos erros que cometi ao me afastar de casa, vindo a morar tão distante, me furtando de acompanhar os seus últimos dias de vida. No fundo, eu sempre senti que Deus o perdoou e que, com certeza, o tem em bom lugar. Foi uma prece legal e me senti aliviado e agradecido a tudo que ele desejou a mim, como seu filho e que tantas oportunidades tive de ler em suas cartas.

Enfim, a viagem foi longa e cansativa. Chegamos ao local indicado e começamos nosso trabalho, que consistia na cobertura fotográfica e jornalística de um evento promovido pela prefeitura. Ficamos no local das dez horas da manhã até quatro horas da tarde, quando finalmente retornamos. Muito cansado, chequei em casa, tomei um bom banho e, logo após o Jornal Nacional, resolvemos nos recolher. Depois de uma viagem dessas, não há como ainda achar jeito de fazer qualquer outra coisa a não ser deitar e dormir.

Sou espírita convicto, tenho uma predileção pela literatura espírita, acredito que há com certeza outra vida onde consolidamos os nossos conhecimentos, sofrimentos, erros e atitudes, boas ou más. Que Deus, na sua infinita misericórdia, nos permite contatos com nossos entes queridos de diversas formas. E, na certa, o que sonhei nesta noite realmente aconteceu.

Sonhei que estava andando em uma rua de Santa Maria, talvez a avenida Rio Branco, onde tantas vezes passamos e andamos de mãos dadas para atravessá-la, quando eu era menino ainda. Eu o vi subindo a avenida no sentido bairro centro, quando o chamei:

- Pai! Pai! - Ele demorou um pouquinho a me ouvir, até que parou e ficou me olhando do outro lado da rua. Eu atravessei a rua, me aproximei e disse-lhe:

- Ho! Meu querido pai! Que saudade!

Ele me abraçou com tanto carinho, afagou meus cabelos, me perguntou como eu estava. Não contive minha emoção.

- Como está meu pai? Parabéns pelo seu aniversário. Não esqueci não!

Choramos muito. Ele como eu nunca medimos esforço nenhum para chorar. Quantas vezes encontrei meu pai chorando. Principalmente nos seus últimos dias de vida. Rezamos juntos, enfim. Mantivemos um diálogo bom, trocamos recordações. Levou-me num local onde havia muitas pessoas sentadas em cadeiras de guardas longas numa sala um pouco apertada. Parecia um restaurante. A maioria das pessoas parecia militar, usavam uma espécie de uniforme. Não lembro bem qual a cor dessas roupas. Entramos nessa sala continuamos nossa conversa.

Trocamos muitos afagos. Falamos de muitas coisas, perguntou como estava minha mãe e meus irmãos. Depois saímos dali e continuamos nossa caminhada e vi uma pessoa alta magra, mulher cabelos pretos, que o acompanhava também. Perguntei quem era me disse ser uma amiga que o ajudava muito. Talvez seu anjo da guarda.

Foi um encontro emocionante. Depois disso tenho plena certeza que Deus o tem em bom lugar. Que Deus na sua bondade infinita permita que um dia efetivamente possamos nos encontrar mesmo, de verdade, em outros mundos por esse universo maravilhoso. Um beijo grande meu velho querido, que Deus continue a te abençoar para sempre.

 

 

publicado em 11/02/2014

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