Resenha profissional - Livro: Das raízes do coração - Autora: Mariza Sorriso

Resenha profissional - Livro: Das raízes do coração - Autora: Mariza Sorriso

Resenha para o livro de Mariza Sorriso, “Das raízes do coração”

 por Alexandra Vieira de Almeida -

Doutora de Literatura Comparada

 

Neste livro, “raízes” nos remetem ao âmago do ser, à essência das coisas. A poeta tem paixão pelas coisas da vida, pelas pessoas, pelos gestos, enfim, um “enamoramento”, como apresentado no poema “Enamorar-se”, que inicia o livro. A autora dá “anima” às coisas, estas também têm alma, têm gestos a partir mesmo deste colocar a paixão que vem de dentro para fora. Ver é também um iluminar as coisas. O eu lírico imanta as coisas do mundo com sua energia: “Coloco gestos nas coisas/E dou vida aos sonhos”. (p.15)

          O antes e o depois aparecem em “Garota Iluminada”, em que vemos a dimensão do tempo que tudo transforma, o passar, o devir. A personagem do poema tem a abertura para a beleza da vida, que é luz, festa, movimento. O amor é a essência do ser. Mariza Sorriso canta a essência que está nas virtudes belas como o amor. Este é fruto da transformação da dor em festa, em comunhão, em alegria.

          A fugacidade do tempo está em “Perdi meu poema”. Pois do lado oposto da paixão, há a transitoriedade das coisas. Perder o poema é perder o fulgor do amor, desapaixonar-se. O afeto se esvai rapidamente levado pelo vento.

          A autora também está antenada com os tempos modernos, pois faz uma “tecnologia poética” em GPS da alma, em que une o tecnológico-material com o essencial, fazendo uma mistura entre o mais básico e o sublime, lembrando-nos de Drummond que sublimava o cotidiano a partir do lirismo poético.

          A poesia metalinguística também é apresentada, na qual o saborear e o compor se relacionam belamente.

          A degustação e a composição se casam perfeitamente para falar da poesia: “Compor é como tomar café,/Nunca se sabe o gosto que virá.” (p. 21) O café tem vários aromas, sabores, depende de quem faz e da procedência do café.

          Assim é a poesia, depende da inspiração, do dom de criar. O afeto é a palavra maior do livro de Mariza Sorriso, que perpassa todas as coisas, seres, o mundo, a poesia. A natureza e o ser se conjugam num abraço poético em “Saboneteiras”: “Árvores, são como mulheres”. Numa bela comparação, a poeta ressalta a multiplicidade de aparências que se constroem na essência.

          Apesar de a poeta mostrar o essencial; na superfície, a aparência se mostra, revelando o jogo da máscara que a poesia impõe não só na natureza e no ser como também no texto. É esta aparência que a autora nos brinda em “palavras”, quando diz: “Palavras, palavras, palavras.../Ah! Como às vezes saem em vão/ Como não dizem o sentimos? Como mascaram o coração!” (p.34). A máscara é o que oculta a verdade, a essência; o texto literário faz isto, assim como o amor. “Pescaria” é belíssimo, aliando a poesia concreta ao ato de olhar, a pescaria se concretiza materialmente, mas, mais do que isso, essencialmente, no olhar que perfura e pesca profundamente as almas, uma “captura metafísica”.

            Além do café, comer e poetar se conjugam magicamente, em “receita de poesia II” (p. 45), em que escrever é um ato comestível: “Tem poesia “fast food”.” Aqui se diz, antes da poesia ser um hábito como comer, é a busca pelo prazer, é um gozo, uma degustação. Em “Pintando a sua alegria”, poetar nos remonta ao criar. Neste texto, fazer poesia é também pintar, só que no lugar de palavras, temos imagens belas, pois o belo pode ser expresso por várias artes que se inter-relacionam metaforicamente como semelhantes em sua essência. As artes se conjugam aqui num abraço amoroso e pintar é poetizar o belo nas tintas, telas e pincéis da inspiração poética.

             Fechando esta análise, o poema “Um barco à deriva” nos lembra a proposta definida pelo teórico alemão Rudolf Otto, que ao falar de Deus, apresenta-O como o “numinoso”, o “grandioso”, “o que está fora de nós”. E nós, somos os “infinitamente pequenos”. É deste abismo que Mariza Sorriso nos fala neste poema que apresenta a nós como um “pequenino barco” (p. 81) que está “à deriva em alto mar”, “sem remo, sem mastro, sem leme”. Deus é o nosso guia que nos ilumina e nos leva ao lugar seguro e, estendendo aqui, na minha crítica, digo que os poemas desta poeta são nosso guia para o dia a dia. 

 

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