Resenha profissional - Livro: Um Sonho Dentro de um Sonho - Autor: Tito Mellão Laraya

Resenha profissional - Livro: Um Sonho Dentro de um Sonho - Autor: Tito Mellão Laraya

 

Livro: Um Sonho Dentro de um Sonho - Autor: Tito Mellao Laraya

“O dizer poético como sonho”

 

por Alexandra Vieira de Almeida 

Doutora em Literatura Comparada

resenhaprofissional@divulgaescritor.com

 

                O dizer poético como sonho, eis como profundamente se resume o livro “Um sonho dentro de um sonho”, de Tito Mellão Laraya. O paralelismo primeiro amor/primeiro livro canta o lirismo de um texto que percebe nas entrelinhas da amada, na sua semelhança/diferença perturbadora, o dom da escrita. Escrita que requer um primeiro olhar, o vislumbrar o ser amado, que é relembrado ao narrador-poeta ao ver uma foto em preto e branco em uma revista no consultório médico. Este lembrar requer uma “memória poética” que decifra nos mistérios do passado a busca para recontar esta história que parece mais real no fio tênue da letra viva: “Não encontrei imagens estampadas como fotografias em folhas de papel, mas palavras escritas de um livro, o meu primeiro...” (p. 7). E a partir daí haverá ao longo da narrativa-poética “Um sonho dentro de um sonho” um rememorar na palavra, um recordar que emerge como reflexão sobre o tempo presente, atualizando este passado como crítica social; já que amada particular Mirian se transforma em MARION, a musa social de sua crítica a uma sociedade desigual, impura e maldita. O individual sai de seu casulo e se espraia no coletivo, demonstrando o rico jogo paradoxal do autor que busca a paz e a justiça em um mundo escorregadio que parece para os olhos no narrador mais ilusório que sua escrita, que se mostra mais viva, mais justa, mais real. A tríade que percorre todo o livro AMOR/EU/MUNDO representa a alegoria da própria escrita que se quer eternizada pelos leitores ávidos pela força transformadora do texto. Antes da fala, temos o silêncio, como o narrador bem traduz quando diz: “...será que o silêncio é sonoro?”. Lembrando as belas imagens do santo católico espanhol San Juan de La Cruz com sua “ la música callada” e “la soledad sonora”. E no nome MARION, esta expansão do particular no universal encontramos o abismo do mar que se traduz em silêncio, as ondas que mitigam o véu da ilusão do real para alcançar a essência do real. E com a morte da amada, alcançam-se novas cores, a vida. Como disse o teórico Bataille, haveria a afirmação da vida mesmo na morte, o que nos faz relembrar que é pelo processo da morte de Diadorim, que Riobaldo se lança na escrita para dizer de sua aventura no sertão. Aqui, a partir da morte de Mirian, o eu do amor particular, expande-se, no eu no mundo para recontar a história do primeiro amor, que é, ao mesmo tempo, um reinventar o mundo. Este reinventar o externo não é nada mais nada menos do que recriar o eu, recordando está primeira escrita que será reinventada pelo narrador. Se, de acordo com o crítico Emil Staiger a essência do lírico é recordar (“trazer de volta ao coração”), podemos perceber que a narrativa poética deste livro não busca a objetividade e realismo massacrante das narrativas usuais. O autor nos brinda com um texto rico e pavimentado em vários níveis, que reúne poesias, crônicas, cartas, digressões críticas e reflexivas sobre vários temas. Temos caixinhas dentro de caixinhas com várias surpresas dentro. Nas suas meditações sobre a escrita, encontramos o seu dizer poético, que procura uma “forma livre de exercer o meu livre arbítrio”. (p. 40). “Um sonho dentro de um sonho” tem textos dentro de textos, dialogando entre si para fazer de seu dizer poético um sonho, um apelo para o mundo. A sua crítica à “matematização” do mundo, busca um Humanismo do ser no mundo, um sonho possível se for gerado pelo poder da escrita, humanizadora e poética. Se a realidade é falha, busca-se o prazer da “imaginação”, que requer outros olhos, não nublados pelo véu da realidade massacrante, que o narrador ironiza, como se seu sonho fosse mais real e humano. Ele realmente encontra o som entre duas pausas, entre o eu e o mundo, e este se define como o amor, tão bem nos revelado por Jesus Cristo que ele cita como este senhor do perdão que a todos nos unifica na paz. O seu dizer poético, um recorte no mundo, que mira com os olhos da escrita o voo sobre outras paragens, o sonho realizável. 

 

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