Ricardo Brown - Entrevistado

Ricardo Brown - Entrevistado

Por Giuliano de Méroe

 

Ricardo Brown, nascido em São Paulo perdeu seu pai em morte prematura aos dois anos de idade e, a partir de então foi criado pela sua avó paterna e suas duas tias.

Sendo que uma delas o estimulava à leitura e a escrita desde os primeiros anos de alfabetização, já que ela sempre lhe cotava e lia histórias de diferentes autores da literatura infantil.

Depois disso, por motivo de força maior, já que sua avó falecerá e suas tias não podiam criá-lo foi para um colégio interno e lá permaneceu dos sete aos quinze anos de idade.

Sempre teve gosto pela leitura escrita, companhia inseparável até os dias de hoje.

Formou-se em Publicidade Propaganda e MKT pela Universidade Anhembi Morumbi e Pedagogia no Instituto Singularidade de Pedagogia.

É Autor de quatro publicações com a temática Bullying pelas editoras Paulus e Impacto Educacional e Lançou em 2005 de seu primeiro livro pela Editora Larousse, cujo título é “Refugiados em Busca de um Mundo sem Fronteiras”.

 

“Aliás, esse encontro dos refugiados com a Lili é que dá todo o sabor da emocionante história que realmente vale a pena ser lida.”

 

Boa Leitura!

 

Escritor Ricardo Roberto Brown, é um prazer contarmos com sua participação no Projeto Divulga Escritor. A respeito do livro “Refugiados em Busca de um Mundo sem Fronteiras”, o que o motivou a produzi-lo?

Ricardo Brown - Inicialmente foi uma proposta de minha companheira Célia Hara que é educadora e assistente social e que trabalhava na Cáritas Arquidiocesana de São Paulo, me propôs que eu escrevesse um livro sobre os refugiados já que se trataria de algo inédito voltado para o público infantojuvenil, seria uma forma de eles terem uma visão mais adequada e sem preconceitos sobre as diferenças.

Para quem não sabe a Cáritas realiza um lindo e necessário trabalho humanitário há mais de trinta anos em prol de estrangeiros que precisam sair de seus países para preservar suas vidas e ter seus direitos básicos preservados. Foi algo delicioso, apesar de ser sobre um assunto tão dramático, criar personagens baseados em relatos das experiências que os refugiados tiveram antes e depois de conseguirem o apoio da Cáritas Arquidiocesana de São Paulo.

 

Como organizou a estrutura do livro?

Ricardo Brown - O enredo foi baseado, como mencionei, ouvindo as emocionantes e sofridas histórias que relatavam a angústia dos refugiados de terem que abandonar seus países de origem. Mas, na verdade, em termos de estrutura física do livro, a gerente editorial da Larousse na época, (2005), gostou dos originais que lhe enviei e, como a editora já tinha uma coleção com o nome “Ninguém Merece” (inspirada na gíria que se usava na ocasião) e que tratava de assuntos como o preconceito, racismo, etc;., resolveu apostar em meu livro e incluí-lo nessa coleção. Eles mesmos se encarregaram de fazer toda a estrutura dentro do padrão editorial Larousse. Eu pouco palpitei a respeito, gostei da finalização e aprovei. Claro que opinei sobre os agradecimentos, a apresentação inicial e me adequei também ao número de páginas que correspondia ao padrão utilizado para a coleção.

 

Qual a dificuldade que os garotos Pablo e Jeremmy, enfrentaram, quando aportaram no Brasil?

Ricardo Brown - Como eles fugiam de seus países em busca de dias melhores, aportando em uma terra em que mal sabiam falar o seu idioma, esta foi uma das principais barreiras. Porém, a dificuldade que lhes trouxe maiores aborrecimentos e constrangimentos foi a discriminação causada por seus companheiros de classe. O fato de terem trejeitos característicos de suas origens, além do sotaque, cor de pele e dificuldade em entender uma língua totalmente nova para eles, despertaram em alguns maliciosos colegas de classe, a prática do bullying.

 

A escolha de dois refugiados com afinidades linguísticas foi proposital?

Ricardo Brown - Na verdade não, eu os coloquei em meu livro, porque na época se falava muito de refugiados de Serra Leoa e também dos problemas que as FARCs traziam para a Colômbia. E isso acabou sendo o que mais me motivou a escolhê-los. Eu só retratei o que estava em evidência na mídia, naquela ocasião.

 

Qual a influência da personagem Lili na aculturação dos dois refugiados, o colombiano Pablo, e o leonês Jeremmy?

Ricardo Brown - A aculturação nesse caso foi mais a emocional e afetiva do que propriamente a territorial. É claro que a influência dela em lhes mostrar os locais para passearem e o próprio diálogo em si, fez com que houvesse uma maior aproximação e integração entre eles e o País que escolheram forçosamente viver.

Porém, o que eles necessitavam mesmo naquele momento era de alguém que lhes acolhesse sem julgamento e preconceito e isso a Lili soube fazer muito bem. Aliás, esse encontro dos refugiados com a Lili é que dá todo o sabor da emocionante história que realmente vale a pena ser lida.

 

Nossa equipe foi informada de que o seu livro foi adotado como material escolar. Como foi apresentá-lo à Diretoria dos Colégios?

Ricardo Brown - Quando conversei a respeito da ideia com a Larousse, eles acharam ótimo porque seria interessante ter uma abordagem, mesmo que paradidática sobre assuntos como preconceito e o bullying, coisa que na ocasião, nem se falava muito e tão pouco sobre os refugiados. Ter a possibilidade de abordar o tema na escola que é o berço formador de opinião e de aprendizado, e tratar de um assunto tão polêmico e real, foi desafiador e maravilhoso. Claro que eu e os divulgadores da Larousse tivemos que trabalhar bem até conseguir introduzir o livro em algumas escolas como o Colégio Polilogos, por exemplo, que é uma instituição em que a sua grande maioria é de alunos coreanos. E tive ainda a sorte da professora ter tido o interesse de trabalhar com os seus alunos, o tema sobre o preconceito e a diversidade. Isso foi importante porque ela adotou o livro para várias turmas e, dessa forma, todo ano eu era convidado a visitar os alunos como autor e eles me recebiam com muito carinho fazendo a maior festa. Isso sim é muito gratificante para um autor! É ai que ele consegue mensurar quanto e como o seu livro está alcançando o público desejado.

 

Na elaboração do livro, conte-nos, como foi a contribuição dos Centros de apoio aos refugiados?

Ricardo Brown - Eles contribuíram muito me convidando para uma reunião com os refugiados, isso possibilitou que eu os conhecesse e conseguisse captar um pouco da vida sofrida que tiveram tentando fugir em busca de um pouco de dignidade.

E até por esse motivo, para não se tornar um livro muito denso já que é dirigido ao público infantojuvenil, resolvi criar uma ficção com personagens que se encontraram dentro do ambiente escolar para que ali eu pudesse transmitir e traçar um paralelo entre, a relação e convívio dos alunos das nossas escolas, com o tratamento que se dá aos refugiados, aos migrantes e imigrantes pelo mundo afora. E isso se deu em meu livro, de uma forma leve e lúdica e, claro, com o devido respeito às histórias desses refugiados.

A Caritas e o ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados) tiveram papel fundamental em minha pesquisa sobre o tema. E, além disso, essa minha atividade de escrita me proporcionou conhecer Instituições que ocupam espaço de fundamental importância na aplicação de políticas públicas, serviço social, psicológico e jurídico para os refugiados.

 

O assunto deste livro possui alguma relação com Bullying, temática de seus livros anteriores?

Ricardo Brown - Sim, com certeza. Essa relação é inevitável, já que quando falamos de desrespeito às diferenças, especialmente em sala de aula, está implícito o problema do bullying, termo tão usado nos dias de hoje. Quando escrevi o livro em 2005, esse termo não era usual, mas, no entanto, os problemas de desconsideração, humilhação, preconceito e descaso com o próximo, inclusive de forma rotineira, infelizmente são comuns já há muito tempo.

Por isso, é difícil nesse caso, dissociar o tema refugiados do tema bullying.

Os livros que escrevi posteriormente sobre bullying, também são destinados ao público infanto-juvenil e adotados em algumas escolas. E, sem dúvida o que me motivou e me inspirou a também escrevê-los, foi a primeira experiência que tive quando escrevi o livro refugiados pensando nas salas de aula. Já que é ali, nas escolas, que grande parte desses problemas de bullying, acontece.

 

Onde nossos leitores poderão comprar o seu livro?

Ricardo Brown - Ele está disponível em geral, nos sites como: Livraria Cultura; Saraiva; Estante Virtual entre outros grandes sites e é claro também na editora Escala que agora é do mesmo grupo Lafonte e Larousse. É só dar um Google e encontrará o meu livro.

Gostaria de aproveitar e fazer um adendo sobre o nome que aparece na capa de meu livro, ou melhor, do meu sobrenome Brown.

Em meu livro está escrito “BOWN” sem a letra “r” e foi proposital, utilizei a numerologia cabalística naquele período de minha vida e por isso a mudança no sobrenome, o que de certa forma ficou como um pseudônimo. Porém nos outros livros que escrevi voltei a utilizar o “Brown” normalmente, foi apenas uma experiência.

Poderão também entrar em contato comigo pelo facebook: Ricardo Roberto Brown ou ainda pelo e-mail: brownricardo888@gmail.com

 

Nossa equipe agradece sua participação. Qual o seu recado aos nossos leitores e a nossos cidadãos sensíveis às questões internacionais?

Ricardo Brown - Gostaria em primeiro lugar de agradecer a oportunidade de tal entrevista e também deixar claro que, o que mais assola o convívio humano são a intolerância e desrespeito ao próximo.

A diversidade humana sempre existirá e, portanto, é inadmissível que a imbecilidade humana chegue a tal ponto de classificar, rotular e desrespeitar o outro que pertence à mesma raça humana que a sua, só porque tem a cor, a religião ou ideais políticos diferentes dos seus.

O ser humano evoluiu tanto na tecnologia, mas infelizmente nos aspectos mais importantes de sua existência que é o do convívio social e geográfico, e, que, por isso mesmo necessita de respeito mútuo para que haja uma convivência pacifica, se apresente muitas vezes tão atrasado...

Acho que já passou da hora da humanidade acordar para a necessidade de repensar seus valores e suas relações interpessoais de qualquer natureza, do contrário, dificilmente haverá compreensão de que somos semelhantes, independentemente da cultura, do sexo, da cor, da religião e das crenças políticas. Sinceramente não acredito que haja sociedade que se mantenha saudável sem essa consciência!!

Obrigado,

Ricardo Brown.

 

 

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